Análise: primeira vitória imponente sobre Hamilton enfim acende Rosberg em 2015

Nico Rosberg finalmente conseguiu uma vitória na igualdade de condições e, mais do que isso, resgatou o mesmo brio que o fez travar uma dura luta contra o colega Lewis Hamilton em 2014. O alemão traçou um plano e acreditou no risco para desestabilizar o rival e finalmente dar início à batalha pelo título

Nico Rosberg obteve um triunfo real em cima de Lewis Hamilton na Áustria. Foi real porque não houve nada de extraordinário com o rival, que, inclusive, largou de uma forte pole-position. A verdade é que o alemão não teve medo de arriscar. Sofreu com isso no sábado, mas saiu vitorioso no domingo, no dia que realmente importa. Mais que isso, é possível dizer que o piloto da Mercedes resgatou o brio que o fez travar a dura briga pelo título do ano passado.

É inegável que o vice-líder do Mundial vive uma fase inspirada. Nico venceu três das quatro últimas provas da temporada. Tudo bem que as circunstancias foram muito diferentes entre si. Na Espanha, o alemão usou tudo o que pode e ainda contou com um fim de semana bem atípico de Hamilton. Mas venceu de forma categórica, como se ensaiasse a reação.

Momento chave da corrida na Áustria (Foto: AP)

Em Mônaco, embora tenha andado próximo, não foi páreo para o adversário. Ainda assim, contou com a sorte e a boa ajuda vinda da própria equipe. Mas, no Red Bull Ring, a história mostrou que o dono da Mercedes #6 obteve a posição mais alta do pódio com trabalho e uma grande dose de risco. Rosberg venceu Hamilton na pista, na velocidade e na consistência. Não deu chances, e a forma como conduziu o carro prata também deixou claro que enfim a F1 vai ver uma briga mais acirrada em 2015.

Enquanto isso, Hamilton ganhou apenas no Canadá, depois de a disputa ter sido limitada entre os dois por conta de problemas com consumo excessivo de combustível e temor de falhas nos freios de um e de outro.

Desta vez, tudo começou na sexta-feira. Rosberg foi bem mais rápido na primeira sessão de treinos, impondo 0s308 para Hamilton. À tarde, o alemão não foi o mais veloz, perdendo para Sebastian Vettel por apenas 0s011, mas cravou, ainda assim, um tempo meio segundo melhor que o de Lewis.

No sábado, de fato, Hamilton deu o trocou no TL3, ao ficar a 0s017 do mesmo Vettel, mas 0s3 à frente do colega de equipe. Tudo isso antes da chuva. Na classificação, entretanto, Rosberg exibiu todo o grande conhecimento que possui do Red Bull Ring. Liderou as duas primeiras fases, sendo que, no Q2, ainda colocou 0s428 em Lewis.

Só que, na parte decisiva do treino, Nico não conseguiu repetir o desempenho. Em um fim dramático — até de forma inédita, os dois cometeram erros na última tentativa de volta rápida e rodaram —, a diferença entre ambos na tabela do grid ficou em exatos dois décimos na primeira fila, com vantagem para o britânico.

Nico disse que tinha de arriscar naquele final de classificação. Sentia que era possível arrancar a pole, mas não se deu por vencido. E todo o ímpeto do treino oficial voltou na largada, quando saiu melhor do segundo lugar e se colocou estrategicamente por dentro da primeira curva para assumir a liderança da prova. Lewis ainda tentaria o troco, mas foi imediatamente impedido pela entrada do safety-car, causado pelo acidente entre Kimi Räikkönen e Fernando Alonso.

É bem verdade também que o britânico viveu um fim de semana em que só se encontrou veloz o bastante na fase final da classificação. O inglês errou muito durante os treinos até achar um acerto honesto o suficiente para andar verdadeiramente mais rápido que o colega.  

Apesar de a pole ter sido uma espécie de resposta, o desempenho em corrida foi outro. Lewis enfrentou problemas na largada com a embreagem — situação em que ainda não está satisfeito — , não tracionou como deveria, saiu mal e viu a ponta ser tomada pelo adversário. Depois, na primeira parte da prova, tentou impor um ritmo mais próximo do colega, mas a distância começava a aumentar e chegou a quase 4s, antes de reduzir pouco antes da parada única dos boxes. Mas, depois, com os dois na pista, Rosberg foi superior até a bandeirada.

Hamilton reconheceu. Foram 8s8 na linha de chegada, tempo ajustado por conta ainda da punição de 5s que o inglês tomou por invadir a linha branca da saída dos boxes. Chamou atenção a avaliação feita pelo alemão. Rosberg revelou que finalmente encontrou aquilo que faltava à sua pilotagem em 2014: um ritmo mais forte de corrida — até então uma das grandes armas de Hamilton.

Nico foi transparente ao explicar. "Foi um dia incrível. A largada foi a parte mais crucial da corrida. E eu consegui administrar para vencer, então isso é ótimo", disse Rosberg em um vídeo publicado em sua conta no Twitter.

“Depois disso, o que realmente me deixou feliz é que eu fui o mais rápido na corrida, o que foi importante. Foi uma das vitórias mais fáceis, sem pressão, nada. Ritmo de corrida era uma coisa que eu precisava trabalhar desde o ano passado e agora sei que estou na direção certa e satisfeito com isso.”

“São apenas dez pontos para Lewis agora, está ficando próximo, mas temos um longo caminho pela frente e tudo é possível, e isso é bom", encerrou.

Diante desse cenário, a tendência é que Rosberg se coloque mais forte na disputa com Hamilton daqui para frente. E até um pouco mais do que se imaginava antes de o Mundial aterrissar na Europa.

A próxima etapa do Mundial acontece em duas semanas na casa de Lewis, em Silverstone, na Inglaterra. Rosberg obteve a pole e liderou o começo da corrida até sucumbir a um problema no câmbio, deixando a vitória de bandeja nas mãos de Hamilton. Se chegar até o fim e cumprir o desempenho do ano passado, Nico pode acirrar ainda mais a briga pelo título. Em grande fase e com os ventos soprando a favor desde Barcelona, o alemão tem tudo para fazê-lo.

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