F1

Análise: quem vai chegar primeiro ao ‘Número de Senna’, Hamilton ou Vettel?

41 é um número cabalístico na F1: representa o número de vitórias de Ayrton Senna. Quando Michael Schumacher o alcançou, as lágrimas vieram como mar. Os dois que estão mais próximos da marca são Sebastian Vettel – falta uma só – e Lewis Hamilton – restam sete depois do triunfo na Austrália. Os rumos recentes e o destino até permitem imaginar uma ‘final’ lá pela segunda metade da temporada. Quem vai vencer?

Warm Up / VICTOR MARTINS, de São Paulo
10 de setembro de 2000 talvez não seja um dia que todos tenham facilmente como marcante, mas é certamente uma data histórica para o automobilismo e a F1 em especial. Era um domingo de GP da Itália, e Michael Schumacher tinha de reagir no campeonato para se aproximar do maior rival dos então últimos dois anos, Mika Häkkinen, e quebrar um jejum de cinco provas sem ganhar. Os 120 mil tifosi empurraram seu piloto de tal forma que Schumacher ganhou de ponta a ponta.

Não era qualquer vitória, e não por ser a terceira como piloto de Maranello. Schumacher havia esquecido que era a 41ª da carreira. Então, na coletiva após a corrida ao lado do rival daqueles últimos anos, Mika Häkkinen, e do irmão Ralf, avisaram que ali o alemão chegava ao mesmo patamar de Ayrton Senna. “Realmente significa muito para mim”, e Schumacher desatou a chorar, ganhando um afago do finlandês, que tomou para si a sequência do evento de imprensa.



O 41 é mágico para qualquer piloto de F1. E dois deles estão bem perto do ‘Número de Senna’: Sebastian Vettel, o ‘Baby Schumi’, aquele que é visto como o mais capacitado para que a Ferrari volte a ter o domínio exercido no início dos anos 2000; e Lewis Hamilton, grande fã de Ayrton, o ‘Senna Negão’, como se tem dito por aí.

Vettel tem 40 vitórias com a conquistada neste domingo (29) em Sepang; Hamilton, com a conquistada na Austrália, pulou para 34. É praticamente certo que um dos dois chegue ao número cabalístico ainda esse ano. A Ferrari já disse que tem como meta duas vitórias – e não se imagina que seja com Kimi Räikkönen nesta fase que o finlandês vem atravessando. E se Lewis repetir a quantidade de vezes que subiu no degrau mais alto do pódio em 2014, bate e ainda livra três de frente para Senna.
Pode Sebastian Vettel alcançar as 41 vitórias de Senna antes de Hamilton? (Foto: Getty Images)
Fazer uma média em relação ao número de provas da carreira não corresponde à realidade; do contrário, a resposta seria fácil. Vettel ganhou mais em menos GPs apesar de ter estreado meia temporada antes que Hamilton na F1. O alemão tem 140 GPs no bolso, nove a menos que o inglês. É muito mais justo pegar a fase que os dois vêm vivendo desde o ano passado.

Desde que o regulamento mudou e o cenário da F1, idem, Hamilton disputou 20 corridas e faturou 12. Significa dizer que Lewis ganha três a cada cinco corridas ou seis a cada dez. Digamos que assim seja, seis nas dez primeiras. A décima prova deste ano vai passar a ser a da Hungria, já que a da Alemanha deve ir para o ralo. Se Hamilton vencer estas seis, significa que alguém(ns) leva(m) as outras quatro.

Fosse algo racional, Nico Rosberg faturaria com essa Mercedes que pôs 34 segundos na Ferrari na Austrália sem muita discussão. Vettel teria de torcer o ano inteiro para que a Mercedes falhasse como no Canadá, que a chuva embaralhasse as coisas como na Hungria ou que os companheiros se achassem como na Bélgica – foi assim que Daniel Ricciardo se deu bem até o início da segunda metade da temporada 2014.
Lewis Hamilton durante o GP da Austrália (Foto: AP)
Mas é impossível imaginar um campeonato infalível das Flechas de Prata. E Vettel é aquele que surge como o Ricciardo da vez, com a empolgação dos anos em que foi tetracampeão – mesmo considerando a concorrência forte da Williams ou até mesmo se a Red Bull for servida em algum ponto com um motor minimamente competitivo da Renault.

A primeira prova do Mundial deu mais motivos para se preocupar e entristecer com que está por vir; a segunda, deu um ânimo. Fato é que o embate Vettel × Hamilton pode se tornar o grande atrativo de 2015. O destino sempre prega das suas nestes casos, o que pode fazê-los chegar empatados em 40 em um determinado momento e façam a ‘final’. Quem vence? Por mais que a distância seja maior, o momento é de Hamilton. Mas a F1 não é uma ciência exata, e nunca se pode duvidar do talento, da capacidade e da estrela de Vettel. O que é possível cravar é um dos ‘discípulos’ vai chorar. Vai que em 6 de setembro em Monza...