Andretti precisa virar página de rejeição da F1 e focar em projetos que a desejam

Andretti não vai para uma Fórmula 1 que jamais quis sua presença. É olha de focar nos projetos existentes de um time que valoriza o esporte a motor como um todo

O sonho acabou. Ao menos até aqui. Após muita insistência, a Andretti teve o pedido de entrada como equipe na Fórmula 1 recusado. O desejo dos americanos foi esmigalhado a cada linha das justificativas ridículas apresentadas pela Formula One Management. O recado ficou muito claro. Não são bem vindos ali. É uma dor difícil de aceitar, mas a realidade é que talvez não faça sentido estar um lugar onde claramente nunca houve qualquer aceno de que queriam a sua presença.

A impressão é que, mesmo se a Andretti tivesse encontrado o tal convite feito pela Fórmula 1 na caixa de spam, nada teria convencido o Mundial a aceitar sua presença. O campeonato que teve uma só equipe vencendo 21 de 22 corridas em sua última temporada julga que a Andretti não seria competitiva. A categoria que tem Sauber (ou Stake), Racing Bulls (ou Visa CashApp RB), Haas e Williams somando três pódios nos últimos quatro anos entendeu que a Andretti “não agregaria nada” ao grid.

Rejeição é uma dor sempre difícil de aceitar, independente do cenário e do projeto que existe em mãos. Mario Andretti vai completar 84 anos de idade em fevereiro. E mesmo que esteja ainda em forma, sempre aparecendo publicamente, é triste saber que corre risco de não ver em vida um de seus maiores sonhos virar realidade. Complicado de digerir.

▶️ Inscreva-se nos dois canais do GRANDE PRÊMIO no YouTube: GP | GP2
▶️ Conheça o canal do GRANDE PRÊMIO na Twitch clicando aqui!

Andretti foi campeão mundial de F1 em 1978 pela Lotus (Foto: NBA)

Porém, vida que segue. A Andretti segue com um valor imenso em todas as categorias das quais se compromete a participar. E a negativa da Fórmula 1 pode servir como um passo para se consolidar e recuperar terreno em outros espaços. A Indy é um exemplo. O time não conquista campeonatos desde 2012, com Ryan Hunter-Reay, e viu até equipes menores como RLL e Meyer Shank vencerem as 500 Milhas de Indianápolis, enquanto amarga um jejum desde 2017.

Quem sabe o fim do projeto F1 — ao menos até o seguinte momento — possa significar um maior foco na categoria na qual a equipe nasceu. Para 2024, por exemplo, o time trouxe Marcus Ericsson, uma contratação de peso e cheia de expectativas para voltar a brigar pela Astor Cup. Colton Herta, que já teve nome muito conectado com a Fórmula 1, não vive grande fase. Sem esta sombra, pode voltar a impressionar como em outros tempos.

Isso sem mencionar Kyle Kirkwood. O piloto americano é um projeto financiado pelo time desde antes da Indy. Ao chegar no time principal, teve um impacto surpreendente e imediato, vencendo duas corridas no ano passado. Mesmo aos trancos e barrancos, e até longe da melhor fase, a Andretti conseguiu ser mais incômoda a Penske e Ganassi do que a McLaren, por exemplo.

Na Fórmula E, a fase é ótima. O time seguiu no campeonato mesmo após o abandono da parceira BMW, e foi muito bem premiada: acertou demais na contratação do inglês Jake Dennis, que virou a bola da vez no campeonato elétrico, conquistando o título na temporada passada. Com a chegada de Norman Nato, a missão é não apenas de emplacar o bicampeonato, mas quem sabe mirar um título de Equipes.

De qualquer forma, a rejeição da Fórmula 1 não é o fim da Andretti. Pode ser só o começo para reforçar os investimentos em lugares que fazem questão de sua presença. Isso sem contar participações menores, como em Extreme E e Indy NXT. Muito longe de ser o fim de um dos projetos que mais valoriza o esporte a motor como um todo no mundo.

🏁 O GRANDE PRÊMIO agora está no Comunidades WhatsApp. Clique aqui para participar e receber as notícias da Fórmula 1 direto no seu celular! Acesse as versões em espanhol e português-PT do GRANDE PRÊMIO, além dos parceiros Nosso Palestra, Escanteio SP e Teleguiado.