Após queixa da Racing Point, Renault é desclassificada do GP do Japão

O protesto da Racing Point a respeito do sistema de freios da Renault surtiu efeito. Daniel Ricciardo e Nico Hülkenberg perdem respectivamente o sexto e o décimo lugares de Suzuka, com Lance Stroll e Daniil Kvyat entrando na zona de pontos


 
O GP do Japão, que havia sido de pontos em dobro para a Renault, ganhou um desfecho amargo nesta quarta-feira (23), após audiência da Federação Internacional de Automobilismo (FIA) em Genebra. O protesto da Racing Point a respeito de uma irregularidade no sistema de freios do carro francês surtiu efeito, com Daniel Ricciardo e Nico Hülkenberg desclassificados.
 
A reclamação feita pela Racing Point afirma que a Renault conta com um "sistema de freio pré-definido de ajuste de tendência baseado na distância das voltas". Algo como um sistema de freios com ajuste automático. De acordo com o relatório divulgado pela FIA, o sistema da Renault não é ilegal do ponto de vista das regras técnicas da federação. Contudo, a partir do momento em que os comissários entendem que o aparato é um auxílio para os pilotos, infringe o livro de regras esportivas. A punição é baseada nesta conclusão.

O resultado é um golpe duro para Ricciardo, que conquistou um suado sexto lugar em Suzuka e torna ainda mais impressionante que ele sequer tenha ido ao Q2 do treino de classificação. Hülkenberg, então décimo, também tem a lamentar. Lance Stroll e Daniil Kvyat são promovidos à zona de pontos, respectivamente em nono e décimo.

Nico Hülkenberg (Foto: Renault)

No comunicado liberado pela FIA, a entidade explicou que:

"Os comissários examinaram os documentos entregues ao Departamento Técnico da FIA. O relatório está de acordo com a ordem dada aos comissários na audiência de 13 de outubro de 2019. Algumas partes são confidenciais, porque avaliam informações que precisam ser protegidas. Os resultados da parte confidencial foram cuidadosamente incorporados nos documentos acessíveis a todas as partes. Os especialistas da FIA examinaram as versões do software da Renault usadas durante o GP do Japão, versões de informações descarregadas diretamente no carro, assim como checou os controles do freio traseiro do carro, botões no volante e as informações no visor. Todas as conclusões dos especialistas estão bem estruturadas e explicadas sem mostrar fraquezas lógicas. Assim, depois de revisão detalhada, os comissários concordam com os resultados e afimam:

– O software controlador do freio traseiro usado pela Renault é parte integral do sistema de controle referido no Artigo 11.0 das regras da FIA. Desta forma, está usado de acordo com o Artigo 11.1.3 e 11.1.4 das regras da FIA.
 
– O sistema de controle descrito não é ajustado com antecedência e dependente da distância da volta, como alegado.
 
– Os pilotos da Renault utilizam botões colocados no volante para controlar o equilíbrio dos freios de acordo com o Artigo 8.6.3 das regras técnicas da FIA. Estes estão conectados ao ECU padrão da FIA.
 
– Com tudo isso, os comissários concluem que, apesar da Renault ter utilizado soluções inovadoras para explorar certas ambiguidades das regras técnicas e outros documentos, o sistema deles não infringe nenhuma regra técnica."

– Mesmo assim, ainda que dentro das regras técnicas da F1, como destacado acima, os comissários concluíram que o sistema da Renault constitui um auxílio ao piloto e está, desta forma, em desacordo com o Artigo 27.1 das regras esportivas, que exige que o piloto guie o carro sozinho e sem auxílios. O sistema de ajuste do equilíbrio dos freios em questão age como um auxílio ao piloto ao permitir que o piloto evite de fazer diferentes ajustes durante a volta. Os comissários concluíram que há uma clara distinção entre esse sistema e um que realmente fornece controle de feedback, que seria um substituto para as habilidades e reflexos dos pilotos. Ainda assim, é um auxílio e, desta maneira, contraria o Artigo 27.1 das regras esportivas da FIA."

– Os comissários reconhecem que a penalização dada neste caso é mais severa que em outros casos recentes envolvendo brechas no Artigo 27.1 das regras esportivas. Os benefícios relativos ganhos durante brechas do Artigo 27.1 nesses últimos casos e os dois desta corrida foram especificamente checados, e a penalização resulta desta checagem."


 

Assim, resumidamente, a Renault apresentou uma inovação que é permitida pelo regulamento técnico, mas proibida pelo regulamento esportivo, daí a punição.
 

No Mundial de Construtores, a perda de 9 pontos dificulta ainda mais o já distante sonho da Renault de superar a McLaren na briga pelo quarto lugar. A distância entre as duas subiu para 43 tentos.
 
A próxima etapa da F1 é já nesta semana, com o GP do México, com transmissão AO VIVO e em TEMPO REAL do GRANDE PRÊMIO.
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