Aston Martin tem novo choque de realidade com atualizações. E nem Alonso brilha mais

Em uma espécie de repeteco de 2023, a Aston Martin despencou ainda na primeira metade da temporada. Só que desta vez Fernando Alonso parece ter ido junto e os verdinhos já não estavam em um patamar tão bom assim. E a queda tende a ser mais dolorosa que a do ano passado

Junho nem começou direito e a temporada da Aston Martin já parece totalmente condenada. É claro que o time britânico não tem a ruindade de Haas, Williams, Alpine ou Sauber, mas a verdade é que nunca foi capaz de competir para valer na ‘F1 A‘ em 2024. E, pelo jeito, nem vai.

Assim como em 2023, a Aston Martin dá sinais de perder força e embica a aeronave ali pelo final do primeiro terço de campeonato. No ano passado, o desempenho do time foi um até o GP do Canadá e outro depois, justamente na oitava corrida da temporada. O GP de Mônaco da semana passada, terrível para os verdinhos, foi também a oitava prova. Foi mais ou menos na mesma altura do ano a derrocada.

Só que há semelhanças e diferenças gritantes entre as duas performances. De igual, o time perdendo força, as adversárias crescendo e atropelando e um resultado cada vez pior nas atualizações. De opostas, a posição anterior da Aston Martin à queda e, principalmente, a forma como Fernando Alonso, grande estrela da companhia, reagiu às situações.

Sensação absoluta do princípio da temporada 2023, a Aston Martin perdeu fôlego quando as atualizações começaram. Das rivais e dela própria, diga-se. Mas parecia óbvia a explicação para o sucesso e para o posterior fracasso ali: aquele projeto era um Red Bull verde e, portanto, iniciaria o ano avassalador, mas dificilmente seria bem trabalhado por gente que simplesmente não tinha a mão do carro original. Só que como explica isso estar rolando de novo?

A Aston Martin já vê a RB no retrovisor (Foto: Aston Martin)

Depois da glória seguida pela queda, a Aston Martin entendeu que precisava de um projeto mais autoral, pensando no presente, claro, mas especialmente no futuro. Para um time que repetidamente falava em ser campeão em ‘médio prazo’, é crucial que seu carro não seja uma mera cópia rival. E assim nasceu o bólido de 2024.

Com linhas próprias e inegável personalidade, o AMR24 teve lá seus momentos desde a pré-temporada, mas em momento algum conseguiu repetir o impacto do antecessor. Se em 2023, com derrocada e tudo a Aston Martin chegou em quinto com 280 pontos, o cenário sempre pareceu — pelo menos um pouco — pior em 2024.

A Aston Martin hoje repete a quinta posição com a qual fechou a temporada passada, mas com muito menos brilho. Em oito etapas, não tem pódio algum e só fez top-5 com Alonso na Arábia Saudita. Em 2023, foram nada menos que oito pódios durante o ano. Em resumo, a equipe atualmente é participante óbvia da ‘F1 B’. Nem tem margem para discutir.

Ainda assim, mesmo com um começo muito mais tímido, a queda de performance da equipe se repete. Se no ano passado serviu para deixar a Mercedes abrir e fez a McLaren chegar atropelando, agora é pior: permite que a Mercedes abra de novo, sim, mas agora vê a modesta RB crescendo perigosamente no retrovisor.

Fernando Alonso não tem pódios em 2024 (Foto: Aston Martin)

“Vimos que [o carro] é difícil de guiar. Tivemos algumas saídas da pista durante o fim de semana, a do sábado teve mais impacto, porque ficamos realmente no contrapé daquele momento em diante”, comentou o chefe Mike Krack após o GP da Emília-Romanha, admitindo, de novo, que a atualização da Aston Martin fez o time andar de ré. Já vimos esse filme.

Desta vez, Alonso não parece ter recebido tão bem a queda do time. Se em 2023 o bicampeão falava em tom de compreensão e reconhecia que a Aston Martin não podia se queixar de ficar em quinto, agora reclama da falta de combatividade. É como se aceitasse a realidade de novo, só que sem o sorriso no rosto do ano anterior.

Não há como julgar Fernando nisso. O espanhol está prestes a completar 43 anos e vê a linha de chegada da carreira cada vez mais próxima. Perder uma temporada não tem o mesmo peso para Alonso e para Oscar Piastri, por exemplo. Piora porque o asturiano sabe que ainda tem lenha para queimar, mas precisa dar um jeito de manter-se sempre motivado com o material que tem nas mãos. E isso não está fácil, é perceptível nas corridas, é evidente nas entrevistas.

A Aston Martin, então, corre contra o tempo. A chegada da Honda ainda está distante e, até lá, os verdinhos precisam de uma solução para que pelo menos o top-5 esteja seguro. E isso implicar manter Alonso lá e motivado, porque todo mundo sabe que Lance Stroll não vai levar esse projeto a lugar algum.

Fórmula 1 retorna de 7 a 9 de junho com o GP do Canadá, nona etapa da temporada 2024.

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