Austrália embaralha percepção da Mercedes, mas verdade é uma só: W14 precisa mudar

O GP da Austrália mostrou uma Mercedes assertiva, mas isso não quer dizer que todos os problemas foram resolvidos. Pelo contrário, a prova em Melbourne trouxe algumas particularidades sobre o W14 e, olhando mais de perto, ficou claro que algo precisa mudar

O GP da Austrália deixou um gosto agridoce para a Mercedes. É claro que a esquadra chefiada por Toto Wolff saiu contente de Melbourne, afinal, o time se viu mais competitivo, esteve na primeira fila e encerrou a prova com o pódio do segundo lugar. No entanto, também precisou lidar com a frustração de um abandono. Então, só isso já serviria para um recuo no entusiasmo. Mas há mais o que dizer sobre a etapa australiana e os planos da equipe alemã.

A verdade é que alguns elementos ajudaram a embaralhar a percepção de que a Mercedes deu um salto de qualidade. Não foi bem assim, e isso também é o entendimento de James Allison, engenheiro do time de Brackley e quem está acompanhando muito de perto o desenvolvimento de uma versão B do W14. O fato é que as decisões de acerto, o Albert Park em si e a Red Bull contribuíram para um cenário que será difícil de reproduzir, ao menos até que o grande pacote de atualizações seja introduzido.

É bom ir por partes. Está correta a afirmação de que a Mercedes acertou na configuração aerodinâmica do carro em Melbourne, aproveitando as características do circuito do parque. O W14 é um modelo que prioriza a frente, e essa é uma das principais características desse traçado. Um segundo ponto é: a pista australiana não provoca um grande desgaste dos pneus, o que ajudou a esquadra alemã. O terceiro fator foi o clima, as temperaturas mais baixas e amenas foram determinantes também.

“Acho que fizemos algumas melhorias na compreensão do carro”, disse George Russell após a classificação na Austrália – o britânico não completou a corrida por conta de um estouro do motor alemão. “Os pneus foram um grande fator. Quando você coloca os pneus no ponto ideal, dá um grande salto, e acho que melhorei uns 0s4 na minha última volta no Q3. Então, infelizmente, tudo é relacionado aos pneus, pneus e pneus”, completou.

E aqui é possível também apontar para a Red Bull. Ainda que tenha um carro dominante e que esteja em um patamar muito acima de suas rivais, o time dos energéticos não viveu uma etapa tranquila na Austrália, apesar da vitória de Max Verstappen.

A equipe austríaca se viu com problemas para atingir a temperatura dos pneus, e isso exigiu uma mudança de estratégia no momento da decisão das posições de largada, por exemplo. A líder do campeonato também precisou lidar com o temor de quebras. Sergio Pérez sofreu com a confiabilidade dos freios e teve de partir dos boxes no domingo. Max também se queixou dos mesmos problemas durante o fim de semana e apontou preocupação com o motor. Além disso, o bicampeão cometeu erros. Saltou mal da pole, permitiu a perda da liderança e, mais tarde, já na ponta, quase colocou tudo a perder ao escapar da pista.

Dito isso, não dá para não colocar na balança: o fim de semana esquisito da Red Bull também foi importante na ascensão da Mercedes. “Acho que a maior mudança na Austrália foi, na verdade, a Red Bull ter estado um pouco mais fora de forma da classificação, e isso meio que aproximou o grid. Mas se você analisar o ritmo relativo do nosso carro comparado à Ferrari, à Aston Martin, tem sido próximo até aqui. Sim, estamos um pouco melhores, mas não foi um abalo”, explicou Allison.

JAMES ALLISON; MERCEDES;
James Allison voltou a ser mais ativo no dia a dia da Mercedes (Foto: Mercedes)

Está correto. A classificação foi um dos pontos de desequilíbrio. Russell ficou a pouco mais de 0s2 do pole Verstappen. Hamilton foi 0s3 mais lento. Só que na corrida o cenário foi outro: após assumir a liderança, Max foi mais de 1s mais rápido que os carros pretos. Então, há ainda um caminho a percorrer.

Por isso, não é uma novidade que a Mercedes já prepare mudanças para o GP do Azerbaijão e, especialmente, para o GP da Emília-Romanha. “Estamos trabalhando tão duro quanto podemos na parte de projetos para converter coisas que o túnel de vento concluiu há algumas semanas em desempenho do carro na pista. O trabalho também está sendo feito para trazer atualizações de partes mecânicas para o carro, com diferentes componentes de suspensão que acreditamos que irão ajudar o equilíbrio do carro e a torná-lo mais fácil de guiar. Desta forma, vai dar aos pilotos mais confiança para nos levar até o limite”, disse o inglês.

“No geral, tivemos uma sensação de que avançamos com o carro do ponto de vista de desempenho: provavelmente estamos em nosso máximo possível neste momento. Mas a felicidade é cortada pela decepção de só levar um dos carros ao fim da corrida, porque George não pôde terminar. Não fizemos nada grandioso, mas melhoramos um pouco, pressionamos um pouco mais a Red Bull e estamos começando a nos equilibrar e talvez até passar de leve Ferrari e Aston Martin“, apontou.

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Ainda assim, foi difícil responder se essa performance será vista também em Baku. “Vamos lidar com circuitos muito diferentes: Melbourne foi um lugar que pôs à prova os pneus dianteiros, enquanto Baku, por outro lado, estressa os traseiros, então as circunstâncias são muito diferentes. Só entenderemos isso no Azerbaijão quando colocarmos o W14 na pista. Porque se o bom resultado do fim de semana foi algo específico por conta da pista e das mudanças que fizemos, só o tempo dirá”, completou o engenheiro.

Portanto, diante da hesitação, fica cada vez mais claro que a Mercedes viveu um fim de semana singular na Austrália. Deu, sim, passos importantes, porque já compreende melhor o carro. Porém, é imperativo que o projeto seja revisado. Nem que para isso precise olhar ao redor.

Fórmula 1 entrou em um recesso forçado de quatro semanas, por conta do cancelamento do GP da China, e retoma a temporada 2023 entre os dias 28 e 30 de abril, com o GP do Azerbaijão, nas ruas de Baku.

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