Band corta sinal para parabólica e deixa parte do país sem ver Fórmula 1

A celebrada estreia da Fórmula 1 na Band teve uma série de pontos positivos, mas trouxe uma decepção para importante parcela da população brasileira ao não aparecer na programação de quem assiste ao canal via sinal de antena parabólica

A Band teve uma estreia de cobertura da Fórmula 1 bastante elogiada neste domingo (28), mas também uma desagradável surpresa para uma parte relevante do público da categoria. É que, por questões contratuais, a emissora paulista não transmitiu o GP do Bahrein para quem tem apenas o sinal via antena parabólica.

Isso aconteceu tanto antes da classificação, no sábado, quanto antes da corrida de domingo. Com minutos faltando para o início dos eventos, a emissora colocou uma mensagem na tela informando que não exibiria a F1 para quem tinha acesso pela Band SAT, a sintonia do canal na parabólica.

O levantamento mais recente do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), feito em 2018, informa que 22 milhões de residências no Brasil contam apenas com antena parabólica para ver TV.

Hamilton e Verstappen disputaram até a última volta o triunfo no GP do Bahrein (Foto: Beto Issa)

O expediente não é exclusivo para a F1 na Band. A emissora já tem feito o mesmo com transmissões de outros eventos internacionais, como a NBA ou mesmo os jogos dos campeonatos europeus de futebol, que compõem a programação do ‘Show do Esporte’. No entanto, é novidade para os fãs de F1, que conseguiam sintonizar a categoria nas parabólicas nos tempos em que a Globo era a detentora dos direitos.

O contrato da F1 e dos demais direitos esportivos determina que a exibição deve ser apenas realizada para quem esteja localizado dentro das fronteiras brasileiras. Sendo a parabólica um sinal via satélite, países vizinhos ao Brasil poderiam captar a transmissão da Band.

Isso acontece também nas redes sociais: muitos conteúdos de eventos esportivos publicados por quem tem os direitos de transmissão acabam não sendo vistos pela geo-localização.

Questionada pelo GRANDE PRÊMIO desde a segunda-feira, a Band não se manifestou até o fechamento desta reportagem. A tendência, no entanto, é que este público que depende da parabólica fique sem assistir à Fórmula 1.

Boa audiência e repercussão positiva

Com uma equipe tarimbada e formada por muitos profissionais que fizeram suas carreiras no Grupo Globo, a Band dedicou várias horas da sua programação, desde o começo do fim de semana, na sexta-feira, e falou de Fórmula 1 em praticamente todas as suas atrações. No canal por assinatura, o BandSports, as transmissões dos dois treinos livres da Fórmula 1 e treino livre e da classificação da Fórmula 2 na sexta-feira, tiveram horas de debates sobre o esporte a motor. Aliás, o BandSports teve sinal aberto em diversas operadoras de TV, permitindo que uma parcela maior pudesse acompanhar a todas as sessões.

A cobertura seguiu em um movimentado sábado, com as duas corridas da Fórmula 2, o treino livre 3 e uma eletrizante classificação da Fórmula 1 e foi coroada no domingo com mais uma prova da Fórmula 2 e com a cereja do bolo, o GP do Bahrein de F1.

O time de transmissão da Fórmula 1 da Band a partir de 2021 (Foto: Tatiane Moreno/Band)

Para muitas praças, a cobertura na TV aberta no domingo começou às 9h (em Brasília), com o canal trazendo entrevistas e entradas ao vivo da jornalista Mariana Becker, direto do Bahrein. O pré-corrida foi liderado pelos jornalistas Glenda Koslowski e Elia Jr. e contou com as presenças do narrador Sergio Maurício, do jornalista Reginaldo Leme e dos pilotos comentaristas Felipe Giaffone e Max Wilson.

Como prometido, a Band transmitiu até a última gota de champanhe do pódio e foi além, exibindo também uma entrevista de Mariana Becker com Lewis Hamilton no chamado ‘cercadinho’ da Fórmula 1 e o pós-corrida no estúdio no Morumbi. Foram cerca de cinco horas de Fórmula 1 em sequência na TV aberta.

O resultado na audiência também foi bastante positivo. No sábado, a Band registrou 2 pontos no Ibope, o que não é muito em termos gerais, mas representou um crescimento considerável em relação ao 0,9 ponto que havia tido na mesma faixa no sábado passado. Na corrida, com direito a um pico de 6,2 pontos, a audiência ficou em 5,1, encostada na Record e próxima até do SBT, vice-líder no horário, um crescimento de 400% no horário.

Em outras plataformas, o sucesso se repetiu: a Band conquistou o primeiro lugar nos assuntos mais comentados do Twitter, enquanto que o Bandplay, aplicativo de streaming da emissora, registrou 65% de novos usuários.

Além da Band, que voltou a passar a F1 após mais de 40 anos, foi também a estreia da F1 TV Pro no Brasil, plataforma de streaming com a transmissão ao vivo dos eventos da categoria e uma gama importante de informações e estatísticas em tempo real. Por enquanto, no entanto, apenas em inglês.

A disputa pelos direitos de transmissão

A Band entrou na parada e assinou por dois anos com a Fórmula 1 na primeira semana de fevereiro, logo após a segunda desistência da Globo em transmitir a Fórmula 1. A primeira havia sido oficialmente comunicada em agosto e tinha os mesmos motes de agora: as altas cifras cobradas pela FOM/Liberty Media, que chegavam a US$ 22 milhões (cerca de R$ 127 milhões na cotação de hoje).

A partir de então, deu-se uma corrida pelo ouro da Fórmula 1. Foram tempos em que até a TV Cultura mostrou interesse em passar a categoria. A Disney, que transmite o campeonato na América Latina toda, quis abraçar a causa, mas tinha ciência de que, sozinha, não conseguiria e que o Liberty Media buscava uma emissora em TV aberta. Em meados de dezembro, a Disney anunciou que havia encerrado as negociações por entender que não era financeiramente viável. A emissora que detém os canais ESPN e FOX Sports tentava uma parceria, que quase saiu, com o SBT.

Com os meses de indefinição, a Globo voltou à mesa de negociações em novembro para manter o campeonato em sua programação na temporada 2021 a pedido de Chase Carey, que ocupava o posto de chefão da Fórmula 1 até o fim do ano passado antes de dar espaço ao italiano Stefano Domenicali.

Carey foi o responsável por todo o imbróglio que ajudou a tirar a Globo, em um primeiro momento, da transmissão da categoria e dar força para a Rio Motorsports. Quando notou que não sairia autódromo nem dinheiro garantindo o acordo para os direitos de TV, entrou em contato pessoalmente com a prefeitura de São Paulo para reatar a parceria com Interlagos e pedir que a Globo considerasse uma nova proposta

A Globo, então, fez uma oferta menor que os US$ 20 milhões (R$ 108,4 milhões na cotação de hoje) então propostos inicialmente, soube o GRANDE PRÊMIO. Liberty Media/FOM fizeram uma contraproposta. As negociações ficaram paralisadas por um tempo em virtude da virada de ano e foram retomadas em janeiro. 50 dias antes do início da temporada no Bahrein, veio a notícia da desistência da emissora.

Em novembro, a Globo já havia perdido os direitos da Stock Car para a Band, que adicionou a principal categoria do automobilismo brasileiro no seu portfólio, cada vez mais encorpado depois que a emissora do Morumbi voltou a exibir o Show de Esporte, programa recheado de transmissões esportivas ao vivo e que fez da Band referência nos anos 1980 e 1990, tendo Luciano do Valle no comando à época.

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