F1

Bolsonaro diz que quer romper contrato Petrobras-McLaren e erra valor do acordo e duração

O presidente usou o Twitter para dizer que busca um jeito de rasgar o acordo da petrolífera com a equipe inglesa, mas deu duas informações erradas na rede de 280 caracteres, aumentando consideravelmente o valor e diminuindo em um ano o acordo entre as partes

Grande Prêmio / Redação GP, de São Paulo
O presidente Jair Bolsonaro usou o Twitter no fim dessa sexta-feira (18) para, mais uma vez, falar de um assunto que envolve a Fórmula 1. Depois de se imiscuir na praça de realização do GP do Brasil, o político disse desta vez que “busca uma maneira de rescindir o contrato” da Petrobras com a McLaren. O contrato de publicidade, segundo Bolsonaro, é de R$ 782 milhões e tem validade de cinco anos.
 
Usando a cotação atual, o valor veiculado por Bolsonaro representaria exatos £ 150 milhões. Em cinco anos, portanto, equivaleriam a um contrato de £ 30 milhões por temporada.
 
Mas fontes ouvidas pelo GRANDE PRÊMIO com conhecimento pleno do acordo garantem que a informação do presidente é duplamente incorreta. O contrato não é de cinco, mas de seis anos. E o valor que nele consta é de £ 10 milhões por ano, totalizando £ 60 milhões por todo o período — na cotação atual, R$ 312,8 milhões pelo contrato inteiro. Isso representa 40% da quantia veiculada na rede social.

O acordo envolve não só publicidade, mas também uma aliança técnica que vai levar os combustíveis da Petrobras aos carros laranjas.
Carlos Sainz (Foto: McLaren)
A tuitada de Bolsonaro ganhou eco com comentários de dois pilotos brasileiros. Também no Twitter, Lucas Di Grassi compartilhou a informação errada do presidente e alegou que "Governo - ou o Estado - não deve negociar patrocínio" e que "essa é função das empresas de participação privada". Da mesma forma, em cima da postagem de Bolsonaro, Felipe Massa mostrou-se espantado com a errada quantia em troca do que considerou um "espaço pequeno".

Di Grassi pertenceu ao programa de desenvolvimento de pilotos da Renault na década passada, equipe que era patrocinada pela petrolífera Total. Ambas as empresas têm participação acionária do governo francês. Ainda, o GP apurou com a Petrobras que Di Grassi pediu patrocínio da petrolífera brasileira para permanecer na F1 depois de sua primeira temporada na Virgin. Massa, por sua vez, correu na Williams apoiada pela Petrobras entre 2014 e 2016.

Atualmente, a McLaren conta com Sergio Sette Câmara como seu piloto de testes.
Sérgio Sette Câmara (Foto: McLaren)
Não é de hoje que Bolsonaro fala em cortar o patrocínio da Petrobras à tradicional equipe inglesa. Há três meses, o GRANDE PRÊMIO indicava que já havia um movimento entre Bolsonaro e seus coligados para arrumar uma maneira de quebrar o contrato, em uma revisão na política de patrocínios e planejamento de publicidade.
 
Contatada pelo GP, a McLaren limitou-se a dizer que “não comenta especulações ou rumores” sobre a proposta ruptura de acordo.

Se Bolsonaro e o Governo Federal quiserem levar à frente o plano de romper o acordo, unilateralmente, vão arcar com uma multa rescisória que é muito maior do que o saldo restante do contrato.

Desde então, a aparição da marca Petrobras até aumentou: a equipe montada para Fernando Alonso tentar disputar as 500 Milhas de Indianápolis apresenta o logotipo da companhia brasileira.
Fernando Alonso (Foto: IndyCar)
7 de maio, o GRANDE PRÊMIO revelou que a Seletiva de Kart não contaria mais com o apoio da petrolífera por decisão do governo federal
 
Na semana passada, Bolsonaro falou que o GP de Brasil de Fórmula 1 passaria a ser realizado no Rio de Janeiro no ano que vem em um autódromo construído pela própria categoria, em um prazo de sete meses. O presidente foi desmentido pelo governador de São Paulo, João Doria, pelo prefeito de São Paulo, Bruno Covas, e até pelo Diretor do Liberty Media, Chase Carey, que garantiram a permanência da corrida no autódromo de Interlagos em 2020.

A Fórmula 1 não constrói autódromos e não há como construir um do zero no prazo proposto pelo presidente.

A McLaren ocupa a quarta posição no Mundial de Construtores da F1, atrás de Mercedes, Ferrari e Red Bull. Na Indy, especificamente neste sábado (18), Alonso passa por dificuldades para garantir sua vaga nas 500 Milhas de Indianápolis e foi um dos mais lentos na parte inicial da classificação.