Bottas mostra melhor versão justo antes do maior revés. Mas vice é obrigação em 2020

Logo no fim de semana que despontava para ser o seu melhor na temporada, Valtteri Bottas amargou o único abandono no ano. Ao admitir que só um milagre salva suas cada vez mais diminutas chances de título, o finlandês tem de evitar o vexame de ser superado por Max Verstappen no campeonato

Valtteri Bottas já foi muito criticado, merecidamente, pela falta de agressividade em confrontos diretos contra Lewis Hamilton. Apelidado de arame liso e outras alcunhas jocosas, o finlandês teve atitude questionável até mesmo quando venceu, como no GP da Rússia, no último domingo de setembro. No GP de Eifel, porém, Bottas parece ter surpreendido o mundo da Fórmula 1. Chamado de rei das sextas-feiras, desta vez o nórdico teve um dia a menos para brilhar, mas fez talvez sua melhor classificação no sábado ao não somente fazer a pole em Nürburgring, mas enfiar uma vantagem expressiva de 0s256 perante Hamilton.

Ao apagar das luzes vermelhas no domingo, Hamilton conseguiu tracionar até um pouco melhor, chegou a assumir a dianteira por alguns metros, mas Bottas não se deu por vencido. Corajoso e arrojado, o dono do carro #77 emparelhou lado a lado com o hexacampeão mundial e número 1 dentro da Mercedes e, a fórceps, retomou a liderança e deu a entender que parecia rumar para o que seria uma vitória incontestável para coroar sua melhor versão.

Bottas viveu sua melhor versão neste fim de semana. Deu azar enorme (Foto: Mercedes)

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Mas a agressividade, de alguma forma, cobrou seu preço. O desgaste do pneu macio dianteiro direito fez Bottas perder o ponto de frenagem no fim da reta alemã. Hamilton, que vinha logo atrás, aproveitou o revés do colega para fazer a ultrapassagem. Pouco depois, Valtteri enfrentou problemas de potência no motor e, pela primeira vez desde o GP do Brasil do ano passado, abandonou uma corrida na F1.

Com a vitória lograda em Sóchi, Bottas reduziu a diferença em relação a Hamilton para 44 pontos. Mas a derrota sofrida em Nürburgring levou Lewis a ampliar a vantagem para enormes 69 pontos.

O hepta está cada vez mais próximo do recordista de vitórias e maior de todos na Fórmula 1. Bottas, com o discurso que tem como mantra desistir jamais, ainda não joga a toalha porque matematicamente tem chances, mesmo que raras. Mas sabe que, realisticamente, o título só virá graças a um verdadeiro milagre.

“É decepcionante, claro, muito, muito decepcionante, mas é uma dessas coisas que você não pode fazer nada a respeito. Claro, também acabei travando [o pneu] antes disso, mas, mesmo assim, ainda tinha todas as chances de vencer porque isso acabou me levando a entrar em duas paradas mais cedo. E acho que duas paradas, no fim das contas, foi a melhor estratégia”, explicou o piloto em entrevista à F1TV.

Hamilton e Bottas ficaram lado a lado na largada do GP de Eifel (Foto: Mercedes)

“Sabia que havia muito em jogo, mesmo depois daquela travada, mas aí veio aquele negócio no motor e não pude acreditar. Entendo que a diferença para Lewis agora é muito grande nos pontos, então, definitivamente, preciso de um milagre. Mas não há motivo para desistir, tenho de manter a chama acesa e seguir tentando. É simplesmente decepcionante”, lastimou.

Bottas planeja agora fazer uma corrida de cada vez, sem pensar tanto no título. “Acho que é a melhor mentalidade agora. Não há nenhum ponto agora, no sentido de parar de ficar calculando os pontos para Lewis porque é uma grande diferença. Só tenho de definir a meta para cada fim de semana e, em seguida, fazer tudo o que posso para isso. A mentalidade de nunca desistir ainda está comigo, não há como escapar disso”, explicou.

Praticamente sem chances de título, Bottas tem de se preocupar com Max Verstappen para marcar seu terceiro vice-campeonato consecutivo na Fórmula 1. A vantagem do finlandês para o piloto da Red Bull, que já chegou a ser o segundo colocado no Mundial de Pilotos entre o GP dos 70 Anos e o GP da Bélgica, é de somente 14 pontos.

Enquanto Hamilton tem a taça do hepta na mão, Verstappen e Bottas lutam pelo vice (Foto: AFP)

Com seis corridas para o fim da temporada, Valtteri, em condições normais, tem totais possibilidades de vencer o confronto. Das nove corridas em que chegou aos pontos — abandonou em Nürburgring e teve um pneu furado que o deixou somente em 13º no GP da Inglaterra —, o nórdico só não foi ao pódio no GP da Itália, sua pior jornada no campeonato. Max, em contrapartida, tem mais abandonos, três, mas jamais cruzou a linha de chegada numa prova deste ano abaixo do terceiro lugar.

Verstappen é mais consistente, mas Bottas, além de ter à disposição um carro de outra galáxia, dificilmente é batido quando está num dia iluminado. Se conseguir dosar competência e eficiência, ainda que o holandês seja reconhecidamente mais piloto, Valtteri leva mais um vice pra casa. Algo que, sendo piloto da Mercedes, passa a ser obrigação.

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