Cansada de se arrastar: Claire Williams explica decisão de vender equipe da família

Claire Williams destacou que, ao chegar ao fim da linha por toda a dificuldade financeira da última década, passou a pensar como seria possível salvar a equipe

Os meses da pandemia do novo coronavírus, ainda durante a temporada 2020 do Mundial de Fórmula 1, fizeram com que a então chefe-adjunta da Williams, Claire Williams, tomasse a decisão de vender a tradicional escuderia de Grove. O acordo com a Dorilton, que manteve o nome histórico, marcou o fim da participação da família de Frank Williams após cinco décadas. A ex-chefe falou sobre a decisão.

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Durante entrevista concedida ao jornal estadunidense The New York Times, Claire foi clara: a crise por conta da pandemia trouxe apenas o ponto final. Os anos sem condições de financeira de competir no mais alto nível pesaram demais. Era necessário salvar a Williams.

“Quando o coronavírus chegou, havia um panorama mais amplo a ser considerado: como voltaríamos a correr e manteríamos nosso negócio vivo durante o lockdown. Eu estava pensando ‘Certo, estamos nos arrastando aqui com o que temos’. E, aí, veio a decisão de buscar investimento ou vender. Não tínhamos escolha. Fizemos literalmente tudo [que era possível]”, afirmou.

“O mais importante era salvar a equipe. Quando digo salvar a equipe, quero dizer garantir que as pessoas tivessem segurança de seus empregos e que a equipe continuaria existindo e sobreviveria para benefício deles. Queria, também, que meu pai saísse disso tudo com dinheiro equivalente ao trabalho que fez, não que ele se importasse tanto”, explicou.

Claire Williams viu tudo dar errado em 2020 (Foto: Williams)

Fundador da Williams e um dos garagistas de maior sucesso de todos os tempos, Frank Williams tem 78 anos de idade e deixou as operações diárias da equipe em 2012 por questões de saúde. Sob seu comando, a Williams conquistou sete títulos mundiais de Pilotos e nove mundiais de Construtores – o último em 1997.

“Meu pai nunca tirou um centavo da equipe ao longo dos anos. Eu queria me assegurar de que ele tivesse algo pelo seu legado, isso era muito importante para mim. Senti que era fundamental dada a posição em que o time se encontrava há muitos anos. Não creio que seria certo só ir continuando para dizer que a família Williams continuava no esporte. Teria culminado com a equipe entrando em administração-judicial e a gente saindo sem nada”, avaliou.

Sobre a compradora, a Dorilton Capital, companhia de investimento privado, Claire teceu elogios. Segundo ela, era o encaixe correto com o que buscava em termos de visão de futuro e compromisso com o legado previamente construído.

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“Eles têm bolsos profundos. Eu estava cansada com o fato de ver todas as pessoas na equipe se arrastando sem que tivessem condições de fazer o trabalho delas de maneira apropriada porque não tínhamos dinheiro para permitir que fizessem. Por muitos anos, isso foi bastante frustrante. Sabia que a Dorilton estava disposta a colocar dinheiro na equipe para tirá-la do fim do grid. Senti uma paixão real por fazer isso, algo muito parecido à paixão da nossa família”, seguiu.

“Há muito respeito da parte deles pela nossa herança e o legado da Williams, grande respeito pelo que meu pai atingiu. Eles não queriam acabar com isso, queriam construir ao redor disso. Por esse motivo que mantiveram o nome. Foi importante para mim. Achei que eles eram o encaixe certo para a Williams e nosso pessoal”, finalizou.

Pela primeira vez sem nenhum membro da família Williams, a equipe terá parceria reforçada com a Mercedes a partir da temporada 2021.

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