Leclerc manda no Albert Park e vence GP da Austrália de F1. Verstappen abandona

Charles Leclerc nunca esteve ameaçado. No retorno da Fórmula 1 à Austrália, o ferrarista venceu de ponta e ponta e sobrou enquanto o grande rival, Max Verstappen, abandonou

FÓRMULA 1 2022: TUDO SOBRE O GP DA AUSTRÁLIA | Briefing

O GP da Austrália voltou! Depois de três anos, desde a edição de 2019, a Fórmula 1 retornou a Melbourne para colocar carros na pista do Albert Park. Na madrugada deste domingo (10), a corrida marcou a primeira vez na temporada em que os carros largaram para um GP sob a luz do sol – era o meio da tarde no horário australiano. Mais uma vez com os dois protagonistas do campeonato, Charles Leclerc e Max Verstappen na frente até agora, a promessa era de um novo episódio do duelo. Leclerc levou a melhor e venceu a prova.

Foi com autoridade. O monegasco foi brevemente ameaçado por Max Verstappen numa das relargadas, quando teve de se defender por um momento, mas foi só. Tirando isso, esbanjou tranquilidade para controlar a primeira colocação e marretar a tabela de melhores voltas atrás do ponto extra. Mais um fim de semana que credencia o piloto da Ferrari à briga que vem pela frente no restante do ano.

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O grande derrotado da corrida foi Verstappen. Não por erros próprios, porque fez uma corrida possível com a segunda posição garantida e tentando atacar Leclerc na única chance que deu. Estava claro que a Ferrari tinha a vantagem no Albert Park. O que aconteceu foi um problema no motor da Red Bull, mais um na temporada para os propulsores Red Bull Honda. Os 18 pontos que estavam assegurados, assim como no Bahrein, viraram fumaça.

Carlos Sainz foi outro que sofreu novamente. O piloto da Ferrari já terminara a classificação do sábado desapontado com a nona posição totalmente circunstancial, mas largou muito mal e caiu para 14º. Quando começou a buscar a recuperação, errou, passou pela grama, rodou e parou na brita. O dia dele terminava em duas voltas e deixava pelo caminho a pontuação quase perfeita da Ferrari na temporada.

Na lista de derrotados esteve também Sebastian Vettel. Menos derrotado que Verstappen e Sainz por um motivo simples: não se esperava nada do tetracampeão após o fim de semana esquisito que vinha fazendo – não somente por conta dele, mas também da equipe, do carro e do motor, que já tinham dado problema. Vettel escapou da pista nas primeiras voltas e depois, perto da metade, rodou sozinho e bateu no muro. É bom que o primeiro GP de Seb em 2022 termine, porque foi um absoluto show de horrores.

Após Leclerc, Sergio Pérez fez mais uma corrida segura e ficou com a segunda colocação, enquanto George Russell foi ao seu primeiro pódio pela Mercedes. Lewis Hamilton, Lando Norris, Daniel Ricciardo, Esteban Ocon, Valtteri Bottas, Pierre Gasly e um incrível Alexander Albon, que deu 57 voltas com o jogo de pneus duros da largada e colocou os macios para um giro derradeiro, completaram a zona de pontos. Leclerc, com a volta mais rápida, levou o ponto extra.

A Fórmula 1 retorna em duas semanas, entre os dias 12 e 14 de abril, para o GP da Emília-Romanha, em Ímola.

Charles Leclerc no estilo ‘Barão da Piscadinha’ na Austrália (Foto: AFP)
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Confira como foi o GP da Austrália de 2022:

Mesmo com as batidas de Sebastian Vettel, Lance Stroll e Nicholas Latifi, Fernando Alonso e a exclusão de Alexander Albon da classificação, tudo isso no sábado, os 20 carros alinharam normalmente para a largada do GP da Austrália. Disso tudo, o único problema maior era a mão esquerda de Alonso, protegida por uma tala, mas sem bloquear as capacidades de guiar.

A temperatura para a largada, às 2h03 [horário de Brasília], era um pouco maior que nos últimos dois dias, de 26°C, na comparação com 23°C de sábado e 20°C da tarde da sexta-feira. Como era a primeira corrida diurna da temporada, era justo dizer que seria o asfalto mais quente que os pilotos encontrariam. Charles Leclerc puxava o pelotão e tinha a companha próxima das duas Red Bull logo atrás.

A largada apresentou defesa de Leclerc na primeira colocação, mas Lewis Hamilton saiu muito bem e superou Pérez, Lando Norris e George Russell para tomar o terceiro posto, atrás de Verstappen. Norris caiu para sexto, ao passo que Daniel Ricciardo, Esteban Ocon, Pierre Gasly e Fernando Alonso fechavam o top-10.

Carlos Sainz roda, para na brita e abandona GP da Austrália (Vídeo: F1)

O destaque negativo era Carlos Sainz. Depois do erro no Q3 que empurrou a Ferrari para o nono lugar do grid, o espanhol largou ainda pior e caiu para a 14ª colocação – Yuki Tsunoda, Valtteri Bottas e Mick Schumacher apareciam na frente. E pioraria logo. Sainz ultrapassou a Haas e, na hora de deixar Bottas para trás, precipitou-se: abriu cedo demais, não conseguiu mergulhar e teve de sair para a parte gramada para evitar um acidente. Em velocidade, rodou e foi parar na brita do lado posterior da pista. Fim de corrida para ele e safety-car na pista.

Apenas Alonso, Kevin Magnussen, Sebastian Vettel, Albon, Stroll e Sainz haviam largado de pneus duros – o resto todo optou pelos médios. Sob safety-car, a Aston Martin fez jogada peculiar com Stroll: parou para colocar pneus médios por três voltas e entrar de novo para duros. Como já estava no fim do pelotão, não havia perda esportiva. Era notar no que daria. A bandeira verde foi acionada na sétima de 58 voltas.

Assim que a retomada aconteceu, ficou claro que Pérez passaria Hamilton, era somente questão de tempo. O tempo venceu na décima volta, quando o mexicano se movimentou perfeitamente e tomou a colocação. O heptacampeão até podia ter defendido com mais força, mas não valia muito a pena, uma vez que não teria como segurar.

Em seguida, Vettel saiu da pista, desfilando na brita antes de voltar ao traçado. “Desculpa por isso. É muito difícil julgar o carro durante a frenagem”, falou no rádio da Aston Martin. Vida que seguia para ele. Verstappen, enquanto isso, travava os pneus e avisava que o dianteiro esquerdo já estava esfarelando. Com os médios se comportando assim, seria muito complicado uma corrida com somente um pit-stop.

Sebastian Vettel escapou da pista (Foto: Reprodução)

Nas voltas 13 e 16, Schumacher e Latifi, respectivamente, entraram para abrir oficialmente a janela de pit-stops e trocar os pneus médios por duros. Ainda sem se preocupar com isso, Bottas alinhou atrás de Tsunoda e atacou para ganhar a 11ª colocação. Kevin Magnussen tentou o mesmo atrás de Guanyu Zhou, mas não deu e acabou passando pelo gramado.

Ocon viria aos boxes em seguida, mas foi Verstappen, no fim da volta 18, o primeiro dos líderes a fazer sua troca. Em 2s9, a Red Bull colocou pneus duros no carro #1 e mandou o atual campeão de volta à pista. Max voltou em sétimo e viu, imediatamente atrás dele, Alonso ultrapassar Gasly. Se no começo da prova Hamilton percebeu que não teria como segurar Pérez, agora ele é que encostava e tentava atacar Pérez na volta 20. A Red Bull notou que era hora de parar o mexicano também – e a McLaren chamou Norris junto dele. A Ferrari, porém, ainda não se mexia.

A jornada dos pit-stops continuava. Ricciardo parou e, com pneus frios, voltou para ser pressionado por Albon e Stroll. Chegaram a formar um 3-wide, mas o piloto da casa segurou a posição. Stroll passou Albon por fora, porém. Pérez voltou a encontrar Hamilton, agora ligeiramente atrás e de pneus duros quentes, contra os duros frios do heptacampeão. Passou de passagem.

Sebastian Vettel bate no GP da Austrália de F1 (Vìdeo: F1)

A Ferrari mantinha Leclerc na pista e parecia tentar fazer a Red Bull desgastar os novos pneus dela – a Mercedes também deixava Russell seguir no traçado. Até que, na volta 23, Vettel tocou na zebra numa parte improvável do miolo da pista, rodou e deu com a frente da Aston Martin na barreira. Nada tão grande do ponto de vista físico, mas grave o suficiente para acabar com a corrida dele e mandar mais um safety-car para a pista, facilitando o trabalho de Leclerc e Russell. O inglês assumia a terceira colocação e Alonso, que seguia sem parar, passava a ser o quarto.

A relargada veio na 27. Desta feita, Verstappen tentou atacar, mas se manteve em segundo. Alonso atacava Russell, também sem sucesso. O novo top-10 tinha Leclerc, Verstappen, Russell, Alonso, Pérez, Hamilton, Magnussen, Norris, Ricciardo e Albon. Era a volta 29, precisamente metade da corrida.

A preparação da relargada também acabou enterrando uma quase colisão de Schumacher na traseira de Tsunoda na linha do safety-car perto da retomada. O alemão não gostou.

Leclerc disparava na frente mostrando muita força da Ferrari e voltava a fazer a volta mais rápida da corrida. Um pouco atrás, pelo fim do pódio, Pérez pressionava Russell após se afastar um pouco de Hamilton. Alonso e Magnussen, por sua vez, ficavam para trás, já que permaneciam com pneus duros bastante usados. O espanhol caiu para Pérez e a dupla da Mercedes, enquanto Magnussen cometeu um erro e facilitou a ultrapassagem das duas McLaren. Albon, que também seguia de pneus usados, segurava o último posto dos pontos.

O fim melancólico da corrida de Verstappen (Foto: Reprodução)

De repente, na volta 38, uma surpresa: Verstappen apareceu com o carro parado, encostado no canto da pista. Problema na unidade de força e, no carro, a ordem da Red Bull: “Encoste, Max”. O segundo abandono do campeonato para ele, mais uma vez custando 18 pontos. Verstappen avisou que sentia cheiro de fluido queimando e saiu. Começo muito duro do campeão mundial.

Durante o VSC chamado enquanto a Red Bull era tirada da pista, Magnussen e Alonso enfim pararam nos boxes – Albon, não. Pérez queria saber o que tinha acontecido no carro do companheiro, mas o engenheiro deu a letra. “Não se preocupe, não tem nada a ver com nosso carro”. Leclerc passava a ter 14s de liderança.

Alonso conseguia ultrapassar Schumacher, mas estava longe do que ele chegou a imaginar que conseguiria no fim de semana e seguia fora do top-10.

Enquanto isso, um insaciável Leclerc pedia para a equipe armar um esquema de colocar os pneus macios e partir para a volta mais rápida no fim. Detalhe é que ele já tinha a volta mais veloz durante praticamente toda a corrida, então a Ferrari não se animou.

Albon fez mágica no gerenciamento de pneus (Foto: Williams)

A cinco voltas do fim, Pérez escapou da pista rapidamente, mas deu brecha para Russell e Hamilton se aproximarem. Lewis, aliás, dava a sensação de ter mais carro que George no fim, mas não estava muito disposto a forçar a barra pela ultrapassagem. Nas três voltas finais, distanciou.

Alonso voltou a parar, agora para colocar novos pneus médios, após ser passado por Zhou. Os pontos ficaram longe. Mas Bottas, não: o finlandês mergulhava para tirar Gasly da frente e assumir o nono lugar, que viraria oitavo, porque Albon parou somente na penúltima volta. Crédito ao que fizeram o tailandês e a Williams: 57 voltas com o pneu da largada, uma parada rápida para colocar pneus macios e aindaa décima posição e o primeiro ponto do ano.

Fim assim. Leclerc venceu a segunda dele no ano, com a melhor volta e um verdadeiro passeio. Pérez e Russell completaram o pódio. A Ferrari comemora, ao menos do ponto de vista do Mundial de Pilotos, um dia em que as coisas se esgarçaram bastante no duelo Leclerc-Verstappen.

F1 2022, GP da Austrália, Melbourne, corrida:

1C LECLERCFerrari58 voltas
2S PÉREZRed Bull Honda+20.254
3G RUSSELLMercedes+25.593
4L HAMILTONMercedes+28.543
5L NORRISMcLaren Mercedes+53.303
6D RICCIARDOMcLaren Mercedes+53.737
7E OCONAlpine+1:01.683
8V BOTTASAlfa Romeo Ferrari+1:08.439
9P GASLYAlphaTauri Honda+1:16.221
10A ALBONWilliams Mercedes+1:17.382
11G ZHOUAlfa Romeo Ferrari+1:21.695
12L STROLLAston Martin Mercedes+1:28.598
13M SCHUMACHERHaas Ferrari+1 volta
14K MAGNUSSENHaas Ferrari+1 volta
15Y TSUNODAAlphaTauri Honda+1 volta
16N LATIFIWilliams Mercedes+1 volta
17F ALONSOAlpine+1 volta
18M VERSTAPPENRed Bull Honda+19 voltasNC
19S VETTELAston Martin Mercedes+35 voltasNC
20C SAINZFerrari+56 voltasNC
VMRC LECLERCFerrari1:20.260Volta 58
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