Chefão da F1 crê em impacto na Arábia Saudita e pede: “Deveríamos falar do positivo”

Stefano Domenicali, chefão da Fórmula 1, vê uma cobertura excessivamente negativa do GP da Arábia Saudita. O dirigente diz que é importante falar também do impacto social positivo em um país que ainda reprime minorias e viola direitos humanos

Hamilton resiste após batida com Verstappen e vence GP da Inglaterra (Vídeo: Reuters)

Ainda falta tempo até o GP da Arábia Saudita de Fórmula 1, mas a controvérsia é incessante. A prova asiática entra no calendário sob acusação de servir como uma ‘passada de pano’ da categoria sobre violações de direitos humanos. Para Stefano Domenicali, chefão da F1, esta não é a abordagem correta: o certo seria falar sobre como a corrida em Jedá pode ter um impacto social positivo.

De acordo com Domenicali, a presença de um evento do porte da F1 coloca os holofotes sobre a Arábia Saudita e força uma aceleração em mudanças sociais.

Acreditamos que ir a certos países mostra que eles querem mudar no futuro”, disse Domenicali, entrevistado pela revista GQ. “A F1 certamente significa uma contagem regressiva para a evolução de certos valores, porque vamos colocar tudo nos holofotes. Não queremos nos envolver com política. Usamos o esporte a motor para acelerar mudanças, apesar de que seria errado fingir que uma cultura de milhares de anos vai mudar do dia para a noite”, seguiu.

“A F1 vai ajudar [a Arábia Saudita] a focar em uma mudança positiva, mesmo que o foco seja no esporte. Dinheiro faz parte dos negócios, mas não é só questão de dinheiro. Direitos humanos importam para nós e estão encravados nos acordos da FIA. Em vez de falar de coisas negativas, deveríamos discutir as coisas positivas que a F1 pode fazer acontecer”, refletiu.

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Detalhe do projeto do circuito que vai ser palco do primeiro GP da Arábia Saudita de F1 (Foto: Divulgação/F1)

Nos últimos anos, a monarquia absolutista islâmica do rei Salman Bin Abdul Aziz Al-Saud tem usado o esporte para tentar passar ao mundo uma imagem de país em transformação. É tudo parte do plano ‘Visão 2030’, uma iniciativa apresentada em 2016 pelo príncipe Mohammed Bin Salman para reduzir a dependência da Arábia Saudita do petróleo, diversificar a economia e desenvolver setores como saúde, educação, infraestrutura, recreação e turismo.

Famoso internacionalmente por violações e brutalidade, o reino usa o esporte para mostrar outra imagem ao mundo. O Rali Dakar, por exemplo, exibe belas paisagens sauditas. A Supercopa da Espanha de 2018 mostrou homens e mulheres dentro de um mesmo estádio de futebol, algo incomum na realidade local. Mesmo com a suposta modernização e reabertura, o país ainda é o mesmo que executou o jornalista Jamal Khashoggi em 2019. Minorias, como a comunidade LGBTQ, ainda enfrentam risco de punições que variam da prisão perpétua à execução, passando por castração química.

Salvo reviravoltas no calendário, o GP da Arábia Saudita vai acontecer em 5 de dezembro. O palco é o circuito de rua de Jedá.

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