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F1

Chefe da Alfa Romeo teme pelo futuro do esporte a motor e espera “tempos difíceis”

Frédéric Vasseur, chefe da Alfa Romeo, lembrou das várias crises enfrentadas ao longo da sua carreira no esporte a motor, mas nada sequer parecido com os efeitos devastadores da pandemia do novo coronavírus. O dirigente expressou a preocupação sobre o próprio futuro do automobilismo: “Haverá um antes e um depois do Covid-19”

Grande Prêmio / Redação GP, de Sumaré
COMO SE PREVENIR DO CORONAVÍRUS:
 
☞ Lave as mãos com água e sabão ou use álcool em gel.
☞ Cubra o nariz e boca ao espirrar ou tossir.
☞ Evite aglomerações se estiver doente.
☞ Mantenha os ambientes bem ventilados.
☞ Não compartilhe objetos pessoais.

A dimensão sem precedentes e a imprevisibilidade sobre a duração da pandemia do novo coronavírus trazem a perspectiva de tempos sombrios e incertos para a humanidade. E o esporte a motor, sendo somente um microcosmo, certamente não escapa ileso e segue sendo afetado dia após dia pelos efeitos do mundo paralisado em razão do avanço da Covid-19. Frédéric Vasseur, dirigente francês responsável pelo comando da Alfa Romeo, acredita que o próprio futuro do automobilismo vai estar em xeque depois que a pandemia arrefecer, sabe-se lá quando.
 
Em entrevista concedida à revista francesa ‘Auto Hebdo’, Vasseur mostrou pessimismo com o quadro que se desenha para a F1 quando a temporada de fato começar. A possibilidade, cada vez mais real, de um calendário com várias corridas em finais de semana seguidos traz também a perspectiva de mais custos. O que torna tudo mais difícil para as equipes com menor poderio financeiro no grid.
 
“Entre uma inevitável redução da nossa receita da FOM e as dificuldades que nossos patrocinadores vão enfrentar nos próximos meses, estamos observando uma queda de 15 a 20% da nossa receita, enquanto os custos aumentarão”, explicou.
Chefe da Alfa Romeo prevê tempos sombrios para o automobilismo (Foto: Alfa Romeo)
“Multiplicar as rodadas triplas vai exigir a contratação de mais pessoal para lidar com o fardo das corridas extras, e também vamos ser forçados a produzir componentes extras, como asas, assoalhos, que podemos não usar, mas que precisaremos ter, caso seja necessário”, disse o dirigente.
 
Vasseur falou sobre a importância da decisão de adiar a evolução prevista na F1 de 2021 para 2022 e da manutenção do teto orçamentário para o ano que vem, ressaltou que nem tudo ficou definido, mas que não havia tal necessidade pelo momento de urgência.
 
“A reunião de quinta-feira não foi nada fácil, pois as preocupações de várias equipes precisavam ser abordadas. Mas, no fim das contas, prevaleceu o bom senso. A ideia é congelar o chassi, mas o motor e outros elementos ainda não foram definidos. Não foi preciso listar tudo na reunião”, lembrou.
 
“No entanto, era importante manter a introdução do teto orçamentário no ano que vem. Isso vai permitir um pouso suave quando a pandemia recuar, evitando que as equipes grandes gastem generosamente em seu carro para 2022”, complementou.
 
O comandante do time de Hinwil entende que o calendário para 2020 vai ter outras baixas. Oficialmente, somente o GP de Mônaco foi cancelado, mas cada vez mais torna-se difícil alocar os GPs adiados até então: Austrália, Bahrein, Vietnã, China, Holanda, Espanha e Azerbaijão. “Para reconstruir um calendário, você precisa de corridas. Quando a pandemia diminuir, estaremos em crise, e temo que Mônaco não seja a única corrida cancelada. Esse é um segundo efeito que a F1 subestimou e está começando a perceber”.
 
Por fim, Vasseur se disse chocado com as consequências de uma crise sem precedentes e somente comparável às grandes guerras mundiais.
 
“Nos meus 30 anos de carreira, lidei com as consequências da Guerra do Golfo em 1990, com o 11 de setembro em 2011, o SARS, em 2003, e a crise econômica de 2008. Mas agora, da China à América e Europa, todos os setores são atingidos. Quanto ao confinamento, apenas a geração passada passou por isso durante a Segunda Guerra”, explicou.
 
“Os tempos que estão por vir vão ser difíceis”, alertou Vasseur, que espera um futuro muito complicado até mesmo para a sobrevivência do automobilismo. “Haverá um antes e um depois do Covid-19 em termos de prioridades no futuro. E não tenho certeza se o esporte a motor vai estar entre as prioridades do mundo”, finalizou.

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