Chefe da Honda critica e diz que proposta de motor alternativo para 2017 “vai deixar F1 pouco interessante”

Yasuhisa Arai, chefe da fábrica que regressou à F1 nesta temporada como fornecedora de motor da McLaren, deixou claro que é contra a proposta idealizada por Bernie Ecclestone e por Jean Todt de adoção de um motor alternativo para a categoria a partir de 2017, seguindo as opiniões da Mercedes e da própria McLaren

A proposta de adoção de um motor alternativo para a F1 a partir da temporada 2017, idealizada por Bernie Ecclestone e o presidente da FIA, Jean Todt, continua dando o que falar. A cúpula de equipes como Red Bull, Toro Rosso e Force India, por exemplo, se mostraram favoráveis à ideia, enquanto a Sauber, vinculada à Ferrari, é contra. Também se opõem à proposta marcas como a Mercedes e também a McLaren. E, desta vez, foi a chefia da Honda quem deu sua opinião a respeito. Yasuhisa Arai, chefe da fábrica de Sakura, criticou a sugestão por acreditar que, se posta em prática, vai tornar a F1 “menos interessante e tampouco emocionante”.
 
Foi em maio de 2013 que a Honda anunciou seu retorno à F1 como fornecedora de motores. A estreia, conforme programado, aconteceu nesta temporada como nova parceira da McLaren, resgatando um dos casamentos mais vitoriosos da F1, ocorrido entre o fim dos anos 80 e o começo da década de 1990. 
Yasuhisa Arai é contra a adoção de motor alternativo pela F1 (Foto: Getty Images)
Mas a Honda vem enfrentando muitas dificuldades e ainda não consegue entregar um motor capaz de levar a McLaren de volta ao topo. Diante de toda a complexidade das novas unidades de força híbridas adotadas pela F1, o projeto da Honda ainda sofre pela falta de maturidade, mas tem a confiança da cúpula do time de Woking de que o motor para 2016 seja muito melhor. Fernando Alonso acredita que o propulsor deverá ser por volta de 2s5 mais rápido em relação ao desta temporada.
 
Enquanto a evolução por parte da Honda não vem, Arai-san declarou que é contra à proposta de adoção de um motor alternativo — e mais barato — para a F1. Segundo o que foi idealizado por Ecclestone e Todt, trata-se de um motor 2,2 L biturbo, nos moldes do que é adotado atualmente pela Indy. A Honda é, ao lado da Chevrolet — esta, contando com a preparação da Ilmor — quem fornece os propulsores para a categoria norte-americana.
 
Entre as montadoras independentes sugeridas para construir o novo motor alternativo, caso a proposta vingue, estão a própria Ilmor e também a Cosworth, que deixou o grid da F1 no fim de 2013, justamente antes da transição para o regulamento que adotou os novos motores turbo V6 de 1,6 L.
 
Em entrevista à revista ‘Speed Week’, Arai justificou sua opinião. “Se a FIA quer trazer um motor completamente novo, isso significa que haverá dois motores diferentes na F1. E isso será difícil. Dois motores na pista vão deixar a F1 menos interessante e emocionante”, avaliou.
 
Arai acredita que a redução dos custos, objetivo de Ecclestone e Todt, não é algo que pode se resolver de maneira imediata. “Se você determina um preço, então precisa entender o que ele cobre. Trata-se de uma situação complexa. De modo que precisamos de clareza sobre os € 12 milhões que Jean Todt disse que vai cobrir. Manutenção? Apoio em pista? Outras coisas?”, questionou o engenheiro nipônico.

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