Chefe da McLaren se mostra cético quanto à implementação de teto orçamentário na F1

Martin Whitmarsh disse que o principal problema dessa medida é que as equipes geralmente não estão dispostas a baixar o quanto estão gastando, por isso não são capazes de chegar a um consenso

O teto orçamentário, aprovado pela FIA nesta segunda-feira (9), já era uma mudança há muito tempo pedida na F1. No entanto, nem todo mundo acredita que ela vá sair do papel. O chefe de equipe da McLaren, Martin Whitmarsh, afirmou que é utopia pensar que todas as equipes vão para a reunião dispostas a ceder na quantia que já estão gastando.

“Se nos quisermos colocar um teto orçamentário, precisamos de um jeito para fazer isso, mas uma minoria sempre será oportunista e vai tentar frustrá-lo”, disse à revista inglesa ‘Autosport’. “Sempre vai haver os ‘ter’ e os ‘não ter’, e o problema é que os ‘ter’ nunca querem negociar”, declarou.

Martin Whitmarsh não acredita em teto orçamentário (Foto: McLaren)

Uma das tentativas de diminuir o custo da F1 nos últimos anos foi o RRA (Acordo de Restrição de Gastos, na sigla em inglês). A medida, no entanto, não teve o efeito esperado. Enquanto algumas economias pontuais foram feitas, no geral elas acabaram compensadas pelo aumento do dinheiro investido em outras áreas.

Whitmarsh afirmou que o RRA poderia ter feito muito mais pelo esporte, mas esbarrou na falta de vontade de negociar dos representantes das escuderias.

“O RRA alcançou algumas coisas e poderia ter alcançado muitas mais. Foi um processo profissional. Essa ideia de que vamos sentar em uma sala por meia hora e resolver todos os problemas não é realista. Não há milagres. No fim, as equipes não podem gastar mais do que já estão”, avaliou.

O dirigente, por fim, disse que será preciso que a F1 passe por momentos difíceis para que algumas soluções sejam encontradas. “Para ser franco, eu passei muito tempo tentando ser um bom cidadão no esporte, e ninguém vem te agradecer por isso. Eu provavelmente preferia me concentrar em outras coisas nestes dias. O esporte trabalha melhor em crise, esse é o jeito que as coisas são”, encerrou.

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