F1

Chefe da Mercedes diz que é “surreal” ver paddock após morte de Lauda: “Perdemos o coração e alma da F1”

Assim como aconteceu com Lewis Hamilton, Toto Wolff foi dispensado dos compromissos com a imprensa na última quarta-feira por estar muito abalado por conta da morte do amigo Niki Lauda. Nesta manhã, contudo, o chefe da Mercedes falou aos jornalistas, lembrou histórias curiosas ao lado do compatriota e revelou até um elo pouco conhecido que ligava os dois

Grande Prêmio / Redação GP, de Sumaré
Os últimos anos da trajetória vitoriosa de Niki Lauda na Fórmula 1 foram como presidente não-executivo da Mercedes. Ao lado de Toto Wolff, o tricampeão do mundo foi um dos pilares de uma equipe que, ao lado de Lewis Hamilton, Nico Rosberg e Valtteri Bottas conquistou cinco títulos mundiais de Construtores e outros cinco do Mundial de Pilotos desde 2014. Lauda morreu na noite de segunda-feira e deixou um vazio no esporte a motor como um todo e na Mercedes em particular.
 
Assim como aconteceu com Hamilton, Toto Wolff foi dispensado dos compromissos de imprensa na última quarta-feira por ainda estar muito abalado pela morte do amigo e companheiro de equipe. Mas na manhã desta quinta-feira (23), pouco antes do início do primeiro treino livre, o chefe da Mercedes falou aos jornalistas, lembrou os últimos momentos ao lado de Lauda e revelou até um elo pouco conhecido que o ligava ao tricampeão mundial.
 
“Este é um momento difícil para a equipe e todos nós. A comunidade da F1 perdeu um ícone. É muito difícil perder um amigo. É como se nós tivéssemos perdido o coração e a alma da F1”, declarou.
Toto Wolff se emocionou ao falar de Niki Lauda (Foto: Reprodução)
“No domingo à noite, depois de Baku, falamos ao telefone. Ele disse: ‘Siga em frente, isso não vai melhorar’. Descrevi a corrida para ele, que ele tinha assistido. Disse a ele o que estava por vir em termos de desenvolvimento e tentei, o máximo possível, trazer a normalidade para sua vida”, recordou Toto ao fazer menção à última vez em que falou com Lauda.
 
“Sabíamos que ele não estava bem nos últimos dias. Foi questão de dias para receber a mensagem”, lembrou.
 
“Recebi uma mensagem da sua esposa na segunda-feira à noite. Desde então, de alguma forma, não sou mais o mesmo. Parece surreal estar em um paddock de F1 com Niki não estando mais vivo”, se emocionou Wolff, que destacou toda a admiração que tinha pelo compatriota, que virou amigo e, anos mais tarde, companheiro de equipe na Mercedes.
 
“Niki era a personalidade mais conhecida da Áustria. Claro que todo garoto nos anos 1970, 1980 ou 1990 sabia que ele era o austríaco mais famoso. Todo mundo olhava para ele, e eu fazia o mesmo. Mas tínhamos outro elo: minha primeira esposa é prima dele, então nos conhecíamos de antes. Começamos a nos conhecer melhor enquanto estive envolvido com a Williams, então comecei a viajar juntos para algumas das corridas”, disse.
Mercedes homenageia Niki Lauda neste fim de semana do GP de Mônaco (Foto: Mercedes)
“Ele é o austríaco mais icônico, a personalidade mais icônica da F1 e um dos maiores nomes do esporte em nível global”, acrescentou.
 
Toto recordou uma passagem marcante na sua vida, nos tempos em que ainda era piloto, e tinha a meta de quebrar o recorde de Lauda em Nürburgring-Nordschleife, a mesma pista em que o tricampeão do mundo sofreu o acidente mais marcante da sua vida. 
 
“Antes de fazer isso, disse a ele que estava empenhado em quebrar o recorde de volta de GT em Nordscheife e também queria quebrar o 7min01s que ele fez. E ele disse: ‘Essa é a coisa mais idiota que eu já ouvi. Quem se importa se você quebra um recorde de volta no Nordschleife ou não? O risco de se machucar está lá, e ninguém se importa, de qualquer forma”, relembrou.
 
Wolff falou que Hamilton também sentiu muito a perda de Lauda, o grande responsável pela ida do britânico para a Mercedes, transferência ocorrida em 2013, e explicou que ambos não tinham condições de atender à imprensa na última quarta-feira em Mônaco.
 
“Talvez estejamos em um estado de espírito parecido. Simplesmente perdemos um amigo. Bradley [Lord, assessor de imprensa] e a equipe tiveram a gentileza de nos deixar de lado ontem e a FIA apoiou Lewis ao não chamá-lo para a coletiva de imprensa por causa disso. É muito difícil, é muito difícil falar 48 horas depois de termos perdido um amigo”, explicou.
 
“Além da amizade que tivemos com Niki, havia um vínculo adicional que Lewis tinha com Niki, que era um dos campeões mundiais de F1. Portanto, o sentimento é apenas de tristeza dentro da equipe, tanto para Lewis e outros que eram seus amigos. Nós dois recebemos a mensagem ao mesmo tempo e conversamos um com o outro pouco depois. Todos têm seu jeito próprio de lamentar e sentir a tristeza”, complementou.
 
Para a sequência do fim de semana, Toto Wolff expressou o que quer da Mercedes. “Niki gostaria que nos concentrássemos no fim de semana e corresponder no sábado e no domingo”.
 
Dentre as homenagens prestadas pela Mercedes, há uma estrela de três pontas, pintada em vermelho em referência a Lauda. Outra referência ao presidente não-executivo aparece na dianteira do carro, como agradecimento pelo que o austríaco fez na sua passagem pela equipe anglo-alemã.
 
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