Chefe da Mercedes diz que punição foi “muito severa” e lamenta ausência do teste com novatos

Ross Brawn entende que a ausência da Mercedes do teste com novatos, como punição imposta pela FIA por conta do teste secreto em Barcelona, vai atrapalhar o cronograma do desenvolvimento do W04

A punição imposta pela FIA (Federação Internacional de Automobilismo) à Mercedes por promover, em conjunto com a Pirelli, um teste secreto de pneus em Barcelona, foi considerada muito branda para equipes como a Red Bull e a Ferrari. A própria Mercedes aceitou a sanção e sequer apresentou recurso. Mas dias depois que a entidade anunciou uma reprimenda e retirada da escuderia alemã do teste com novatos, previsto para acontecer em Silverstone entre 17 e 19 de julho, Ross Brawn lamentou e disse que a punição foi “muito severa”.

A principal queixa de Brawn é que o teste com novatos, que seria conduzido na pista pelo britânico Sam Bird, seria uma oportunidade para a Mercedes dar sequência ao desenvolvimento do W04. Em entrevista ao site da revista inglesa ‘Autosport’, o chefe da Mercedes criticou as rivais e disse que a ausência do teste com novatos será prejudicial, o que torna a punição imposta pelo Tribunal Internacional bastante dura em sua visão.
Ross Brawn entende que a punição imposta pela FIA à Mercedes foi "severa" (Foto: Getty Images)

“Estamos analisando as consequências da nossa ausência do teste com novatos porque nós tínhamos planejado um programa técnico e bastante abrangente. Agora estamos analisando internamente como recuperar a perda deste programa, e eu ainda não estou certo se nós vamos [nos recuperar]”, lamentou Brawn. “Algumas das coisas que nós queríamos fazer não são viáveis durante um fim de semana de corrida, então ficar de fora dos testes com novatos será uma perda tangível para a equipe”, disse o britânico.

“É lamentável que algumas equipes estão considerando que essa punição não é significativa”, acrescentou Brawn, apontando claramente para Red Bull e Ferrari, que criticaram a decisão da FIA. 

“A punição é muito severa. Prestamos serviços à Pirelli ao fazer um teste de 1.000 km, o que poderia ter sido feito ao longo de dois dias. Testamos 12 jogos de pneus de desenvolvimento, nenhum dos quais será usado em 2013 ou 2014. Qualquer pessoa que tenha feito testes de pneus, com stints curtos e longos, sabe que não há capacidade para testar qualquer outra coisa. Você está apenas fazendo teste com pneus”, comentou Ross, justificando sua afirmação a respeito do rigor da punição imposta à Mercedes.

Brawn criticou até mesmo a maneira como as equipes da F1 tratam hoje os testes com novatos, mas disse este seria um momento importante para acumular informação a respeito do carro e desenvolver atualizações para a sequência da temporada.

“O próprio teste com jovens pilotos é um pequeno equívoco. A intenção original era promover jovens pilotos, mas as pessoas não fazem isso. As equipes estarão fazendo 1.500 km de testes num carro próprio, com a evolução completa, testando todos os equipamentos, sistemas e novas peças no carro, que você precisa para adquirir informações. O bom de Silverstone é que seria uma continuação de todo o trabalho feito na corrida, então seria muito útil. Acho que temos uma perda muito grande”, afirmou. “Então, rebaixar o teste para torna-lo como insignificante não é correto, apenas uma tentativa das equipes em questão para distorcer os fatos”, prosseguiu.

Por fim, o chefe da Mercedes voltou a bradar contra as rivais e frisou que a Mercedes agiu de boa fé quando promoveu o teste secreto em Barcelona. Assim, Brawn entende e justifica porque considera a decisão da FIA bastante rígida. “Acho que é hipocrisia comparar o teste de jovens pilotos com um jantar da equipe no fim do ano. Esta é uma punição significativa e você tem de aceitar para o que o tribunal estabeleceu. Agimos de boa fé e não tivemos a intenção de obter qualquer vantagem esportiva. O que envolveu isso não foi um ato de má fé”, encerrou.

GRANDE PRÊMIO acompanha ‘in loco’ o GP da Inglaterra, direto do circuito de Silverstone neste final de semana, com o repórter Renan do Couto.

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