Mercedes espera Hamilton, mas alerta: “Devemos estar prontos para qualquer coisa”

Chefe da Mercedes, Toto Wolff está no aguardo da decisão de Lewis Hamilton, que ainda não renovou seu contrato. O dirigente austríaco disse que “sempre vai respeitar” qualquer rumo tomado pelo heptacampeão, mas torce para que a novela tenha um final feliz

Um dos grandes pontos de interrogação da Fórmula 1 neste começo de 2021 diz respeito ao futuro de Lewis Hamilton. O heptacampeão mundial e recordista de vitórias na principal categoria do esporte a motor abriu o novo ano juridicamente desempregado depois de ainda não ter renovado o seu vínculo com a Mercedes, que terminou no último dia de 2020. Toto Wolff, chefe da equipe de Brackley, aguarda a decisão de Hamilton e espera que a novela, que se arrasta desde os primeiros meses do ano passado, tenha um final feliz. Mas, ao mesmo tempo, o dirigente não descarta nenhuma possibilidade.

Em entrevista à revista britânica Autosport, Wolff se disse tranquilo sobre a questão, mesmo tendo na retina a decisão abrupta tomada por Nico Rosberg cinco dias depois de ter conquistado o seu único título mundial, em 2016. Pouco depois de chegar à maior glória da carreira, o alemão surpreendeu o mundo e anunciou sua aposentadoria das pistas com efeito imediato.

Toto Wolff crê que a renovação é apenas questão de tempo (Foto: Mercedes)

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“Não me preocupa nem um pouco, porque sempre vou respeitar as decisões de Lewis, seja para ficar conosco por muito tempo, seja para deixar o esporte e buscar interesses diferentes”, assegurou o ex-piloto e hoje chefe e acionista da Mercedes.

Toto não descarta a possibilidade de Hamilton simplesmente sair de cena da Fórmula 1. “Acho que devemos estar prontos para qualquer coisa que foi lançada sobre nós. Mas, ao mesmo tempo, conversamos muito e somos muito transparentes uns com os outros. Acho que temos mais a conquistar juntos”, complementou o dirigente.

Segundo o diário britânico Express e o jornal italiano Corriere della Sera, o imbróglio em torno da renovação de Hamilton com a Mercedes é financeiro. De acordo com a publicação italiana, Hamilton não abre mão de receber € 45 milhões (R$ 293,7 milhões). A quantia informada pelo diário italiano é um pouco maior que a informação trazida pelo periódico britânico, que dá conta de € 40 milhões (R$ 261,1 milhões) pedidos pelo britânico para colocar a assinatura no novo contrato.

Ocorre que a Daimler, empresa-mãe da Mercedes, não concorda em pagar o valor exigido por Hamilton na sua totalidade, uma vez que a matriz não deseja manter os custos elevados em tempos de incerteza econômica e de um panorama ainda bastante crítico para o mercado automobilístico. Por isso, a companhia presidida por Ola Kallenius tem como opção mais barata George Russell, que impressionou a todos pela sua performance no GP de Sakhir, realizado no primeiro domingo de dezembro, em prova que o prodígio de 22 anos substituiu Lewis — que se recuperava após ter testado positivo para a Covid-19 — e quase venceu.

Só que a Ineos, nova acionista da Mercedes, não está disposta a deixar ir embora aquele que se tornou o piloto mais importante da história da Fórmula 1. Patrocinadora e nova acionista da equipe, sendo dona de 1/3 das ações, a titã petroquímica britânica entrou na jogada, segundo o Corriere della Sera, para ajudar a bancar parte do salário exigido por Lewis e evitar que a grande estrela do esporte saia de cena na Fórmula 1. Segundo o jornal, é questão de dias para que o novo acordo seja assinado e anunciado.

Pilar fundamental da construção do domínio da Mercedes, que se estende desde 2014 na Fórmula 1, assim como Hamilton, Wolff elogiou a postura do piloto britânico, que completou 36 anos no último dia 7. Na visão do austríaco, Lewis se destaca por não pensar que o universo gira em torno de si.

“Não é unidimensional. A Fórmula 1 sempre foi a respeito do melhor homem nas melhores máquinas. O melhor homem significa o piloto mais rápido e o piloto mais inteligente. Ele [Lewis] é aquele que entende como funciona a dinâmica de uma equipe, sua capacidade técnica e, por outro lado, se vê no contexto certo dentro da organização e não como um sistema solar onde tudo gira em torno do sol”, explicou.

“Da mesma forma, a organização em torno do piloto precisa ser plena para que seja possível entregar performance nas mais diversas áreas. Tanto do lado da engenharia, comercial, político e do lado de comunicação, com o objetivo de manter as rodas girando”, salientou.

“Este é um negócio sem uma bala de prata, ao contrário do que a maioria das pessoas imagina, mesmo dentro da indústria. É um negócio em torno de ganhos marginais em que tudo precisa estar no lugar certo para que uma equipe tenha êxito”, concluiu Toto Wolff.

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