F1

Chefe da Mercedes vê F1 guiando Pirelli na “direção errada” e critica “oportunismo patético” de equipes

Chefe da Mercedes, Toto Wolff avaliou que a F1 esta guiando a Pirelli na direção errada. Dirigente classificou como patético o oportunismo como algumas partes orientam suas posições no esporte
Warm Up, de São Paulo / JULIANA TESSER, de Interlagos / NATHALIA DE VIVO, de Interlagos
 Pirelli defendeu a mudança feita nos pneus de 2018 (Foto: Pirelli)

Chefe da Mercedes, Toto Wolff avaliou que a F1 tem guiado a Pirelli na direção errada. O dirigente considerou que foi o próprio campeonato que criou uma situação em que os pilotos precisam gerir o desgaste dos pneus.
 
A Pirelli introduziu compostos mais macios na temporada 2018, mas algumas equipes sofreram mais com superaquecimento e bolhas. A mudança, aliás, tampouco resultou em mais paradas ou uma variação melhor de estratégias, já que os pilotos passaram a cuidar do desgaste dos pneus.
 
“Nós manifestamos nosso apoio à Pirelli, porque sabemos que é um trabalho difícil de fazer”, disse Wolff. “Acho que, no passado, nós simplesmente pedimos as coisas erradas à Pirelli, tornando os pneus mais, mais e mais macios, tentando gerar mais degradação e, portanto, mais pit-stops”.
Toto Wolff avaliou que F1 guiou Pirelli na direção errada (Foto: Rodrigo Berton/Grande Prêmio)
“Essa estratégia gerou tempos de volta mais rápidos, mas é uma questão de controlar esses pneus e atingir uma parada, duas às vezes. Então foi uma direção completamente errada”, resumiu. “Nós precisamos reverter os pneus, algo que a Pirelli é completamente capaz de fazer. Simplesmente não deram as tarefas certas a eles, os objetivos corretos”, reforçou.
 
Neste ano, a Pirelli produziu um lote de compostos especiais 0,4mm mais finos para a corrida em Paul Ricard, justamente para reduzir danos que poderiam ser gerados pela temperatura de pista. Os pneus também foram utilizados nos GPs da Espanha e da Grã-Bretanha.
 
Essa mudança, porém, resultou em insinuações de um favorecimento à Mercedes, agora que foi rebatido por Wolff mais uma vez em Interlagos. A Ferrari chegou, inclusive, a culpar a mudança pela derrota em Barcelona, mas, depois, entender que a escolha da Pirelli era a correta.
 
Para o próximo ano, a fábrica italiana vai produzir todos os pneus na espessura mais fina.
 
“Acho que tem gente que não faz nem ideia, que se intromete na discussão sobre como devem ser os pneus e como eles devem se comportar”, comentou Wolff. “Ele deveriam de escanteio, escutar os pilotos e as equipes. E, além disso, as equipes não devem ser oportunistas como foram outras vezes, pensando que alguém tem vantagem ou desvantagem e pressionando para que as coisas sigam determinada direção”, sugeriu.
 
“Essa é a história, foi assim há seis meses, quando mudaram a banda de rodagem”, recordou. “É inacreditável que as pessoas tenham dito: ‘Sim, a Mercedes quer porque sofre com bolhas’. Mas, na corrida seguinte, outra equipe sofreu e mal conseguiu terminar o stint”, apontou.
 
“É simplesmente patético como o oportunismo impulsiona várias partes interessadas neste negócio a pressionar em uma direção que é prejudicial para o esporte”, concluiu.