Chefe da Red Bull vê Grupo de Estratégia em crise e diz que reunião nesta quarta é chance para avançar

Reunião marcada para a próxima quarta-feira é encarada por Christian Horner como a chance de resgatar a credibilidade da associação. O britânico bateu duro sobre a F1 ao considerar que o esporte vive uma etapa crítica e deixou claro: “Não estamos oferecendo um espetáculo muito bom no momento”

O Grupo de Estratégia da F1, criado em 2013 para dar mais poder às equipes na discussão com Bernie Ecclestone, que rege os direitos comerciais da categoria, e a FIA, vem sendo muito criticado nos últimos tempos. A principal razão é sobre a ineficácia da associação. Recentemente, o diretor da Manor Marussia, Graeme Lowdon, disse que o Grupo de Estratégia peca justamente por não ter estratégia. O que há, no fim das contas, é uma grande crise de credibilidade, algo que é reconhecido até mesmo Christian Horner, chefe de equipe da Red Bull. O britânico enxerga a próxima reunião do grupo, marcada para quarta-feira (1º), como a grande chance de virar o jogo, ser mais efetiva e avançar.

Mais do que isso, Horner acredita que a reunião servirá para impor ao próprio grupo uma grande prova de credibilidade.

“Precisamos avançar. É uma reunião importante para a credibilidade do grupo. O objetivo é discutir e decidir sobre a direção estratégica do esporte. Não estamos aqui para escrever ou fazer regulamentos, estamos para acertar em qual direção o esporte pode caminhar”, comentou o chefe da equipe tetracampeã do mundo, pedindo foco ao Grupo de Estratégia.

Horner entende que a reunião da próxima quarta-feira será importante para o Grupo de Estratégia da F1 (Foto: Getty Images)

“Precisamos voltar ao objetivo básico do grupo e garantir de que todos estão seguindo no mesmo caminho”, declarou.

Do outro lado da ‘trincheira’, Vijay Mallya, chefe da Force India, deu eco ao discurso de Lowdon e bradou contra o Grupo de Estratégia. “Não é nada além dos quatro grandes decidindo o caminho que o esporte deve seguir. E cada um protege o seu, seus próprios interesses, e é isso. Você tem de aprender a conviver com essa situação, não importa o quão inaceitável ou impraticável isso possa ser.”

“Tem reuniões que não produzem resultado algum, não têm medidas de corte de custos, nada que seja realmente endereçado à sustentabilidade da F1. Então até que os quatro grandes times tenham responsabilidade pelo esporte como um todo, enquanto eles continuem a defender o seu lado, nada vai acontecer”, declarou.

Horner, de certa forma, dá razão ao dirigente indiano e, até por isso, defendeu a contratação de um consultor técnico externo e neutro, capaz de ajudar o Grupo de Estratégia a adotar as melhores decisões pensando na F1 como um todo, não em uma ou outra equipe do grid.

“Acredito que o melhor é ter um consultor técnico, alguém que conheça o negócio e entenda as particularidades e os caprichos dos regulamentos técnicos e desportivos, para vir com um conjunto de regras que se encaixem com o que querem a direção comercial e a FIA”, disse Horner.

“Uma equipe vai sempre tratar de focar em uma área ou outra. Gostaria que fosse uma categoria muito aerodinâmica para o futuro, e estou certo de que outros queriam que fosse baseada nos motores. Se você pensar no que quem entenda do negócio, os direitos comerciais e o órgão regulador têm, é provavelmente a melhor opção, de que se chegue com um conjunto de normas técnicas e desportivas adequadas, é algo que precisamos debater”, acrescentou.

No fim das contas, o chefe da Red Bull entende que o Grupo de Estratégia precisa se mexer para ajudar a tirar a F1 de uma crise e volte a oferecer o melhor para seu público.

“Acredito que a F1 está numa etapa crítica, mas ainda é um produto fantástico e tem uma enorme audiência, mas não estamos oferecendo um espetáculo muito bom no momento. Os carros são muito fáceis de guiar, não são suficientemente espetaculares. É só ir ao Festival de Goodwood para ser testemunha do que vemos e de onde estamos agora. Precisamos decidir se a F1 vai ser puramente técnica ou entretenimento. Estou certo de que a solução está em ambas”, finalizou.

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