Chefe diz que Renault “não teria interesse” em Fórmula 1 sem teto orçamentário

Foi o teto orçamentário que fez a Renault optar pela permanência na Fórmula 1. O chefe Cyril Abiteboul diz que, sem o mecanismo, seria “impossível” alcançar o pelotão de ponta do certame, ficando preso na ‘F1 B’

A Renault já reafirmou a intenção de seguir investindo no esporte a motor, especialmente na Fórmula 1. A crise financeira causada pela pandemia do coronavírus criou dúvidas sobre o futuro dos franceses na pista, mas a alta cúpula da montadora destacou que a F1 é mais um investimento do que um custo. Só que essa visão positiva só foi possível por conta de uma mudança recente: sem o teto orçamentário, o chefe Cyril Abiteboul destacou que a escuderia provavelmente deixaria o grid.

“No fim das contas, o que queremos é ser competitivos”, disse Abiteboul, entrevistado pelo ‘Motorsport.com’. “Só que o sistema atual deixou claro que não havia qualquer possibilidade de avançar do segundo escalão para o primeiro. Não temos interesse algum em fazer parte disso. Só que o teto orçamentário mudou as coisas, assim como o regulamento técnico”, destacou.

A Renault está presa no pelotão intermediário da F1 desde 2016. A equipe até progrediu no começo, mas perdeu fôlego nos últimos dois anos e não conseguiu se aproximar do nível de Mercedes, Ferrari e Red Bull. Para tornar o panorama pior, até a cliente McLaren conseguiu resultados melhores em 2019.

Cyril Abiteboul voltou a ter motivos para acreditar em sucesso na F1 (Foto: Renault)

Com um teto orçamentário aproximando os recursos das equipes, a Renault ganha sobrevida quando o assunto é crescer na F1.

“Houve muita especulação sobre o comprometimento da Renault com a F1. Acho que conseguimos parar essas especulações, o que era necessário. Tivemos o anúncio de grandes planos, uma revisão nas operações e prioridades da companhia. Imagino que essa especulação sobre a F1 tenha a ver com a oportunidade de cortar custos. Só que ela [Clotilde Delbos, diretora-executiva interina] deixou claro que não é um custo, e sim um investimento”, frisou Abiteboul.

“Sendo franco, é um processo em andamento. Não é só o anúncio da semana passada. Já tínhamos a expectativa de que em algum momento haveria um regulamento financeiro controlando a corrida de desenvolvimento, envolvendo aí também o motor. Nós apoiamos isso desde aquele momento. É claro que, dados os anúncios recentes, não há motivo para a Renault não estar comprometida por completo”, encerrou.

Agora sabendo que segue na F1, a Renault volta a focar em um problema tão importante quanto: definir quem será o companheiro de Esteban Ocon em 2021. A equipe perdeu Daniel Ricciardo para a McLaren e agora tem uma lista de possíveis substitutos, incluindo até mesmo Fernando Alonso.

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