Chefe da Mercedes lembra “euforia” com zeropod, mas admite: “Erramos na física”

Toto Wolff, chefe da Mercedes, admitiu que a equipe estava animada com o conceito diferente dos zeropods na estreia do regulamento técnico de 2022 e disse que a positividade foi vital para manter o ambiente do time em dois anos difíceis

Depois de se acostumar a brigar pelo título da Fórmula 1, com oito conquistas do Mundial de Construtores seguidas entre 2014 e 2021, a Mercedes precisou se ajustar a uma nova realidade com a introdução do regulamento técnico atual, em 2022. Fora da briga pela taça, a equipe alemã só venceu uma vez desde então, no GP de São Paulo de 2022, e vê a Red Bull dominar completamente a categoria. Questionado sobre como foi lidar com os dois últimos anos, o chefe Toto Wolff admitiu que não tem sido fácil.

“Você precisa perguntar à equipe como foi lidar comigo, e não o contrário”, brincou Wolff em entrevista ao portal inglês Autosport. “Estamos todos juntos nisso. Sabíamos que chegaria um dia em que tudo seria mais complicado. Mas não foi como esperávamos”, disse.

“Porque o cenário que tínhamos em mente era: ‘será difícil ganhar o campeonato, estamos vencendo corridas, mas sabemos onde estamos perdendo performance’. E, de repente, esse não foi o caso. Então, você precisa gerenciar suas expectativas. É muito complicado manter a positividade em nossas relações pessoais diárias”, admitiu.

Apesar dos problemas, porém, Wolff disse que a equipe sempre manteve a positividade internamente. A cultura de “não apontar dedos”, segundo o austríaco, foi importante para que a Mercedes conseguisse manter o bom ambiente interno e seguisse trabalhando em resolver as muitas deficiências dos carros dos dois últimos anos.

Em 2023, a Mercedes resolveu dobrar a aposta nos zeropods. Não funcionou (Foto: Mercedes)

“Não tem sido algo simples, mas acho que a força da equipe está aí. Conhecemos uns aos outros tão bem que conseguimos conviver com nossas forças e fraquezas. Cada um de nós, de certa forma, carregou o fardo em determinado momento. Quando a situação ficou difícil nas reuniões, porque os resultados não eram os esperados, George [Russell] tinha todos os motivos para estar chateado, mas estava positivo”, pontuou.

“Hywel [Thomas, gerente de motores] e sua equipe foram extremamente importantes, porque eles simplesmente entregaram. Nunca apontamos os dedos em Brackley, sempre nos apoiamos. E acho que essa força vai continuar nos dando uma base forte de não apontar a culpa uns aos outros”, ressaltou.

O chefe da Flechas de Prata admitiu, entretanto, que a equipe esperava algo completamente diferente quando surgiu com um conceito diferente das demais em 2022. Adotando os ‘zeropods’, a Mercedes chegou para a temporada com “certo grau de euforia”, mas rapidamente percebeu que o desempenho seria bem diferente do imaginado durante o desenvolvimento do carro. O principal problema, inclusive, foi que os engenheiros não conseguiam detectar onde estavam os erros.

A equipe só optou por mudar o conceito em Mônaco (Foto: AFP)

“Quando começamos, tínhamos um certo grau de euforia em 2022, porque estávamos animados com um desenho diferente do carro, com a estrutura lateral diferente de todos os outros e sem os sidepods. Tivemos uma boa curva de desenvolvimento aerodinâmico com um carro que era muito baixo”, comentou.

“Havíamos vencido o Mundial de Construtores alguns meses antes, e competimos pelo de Pilotos até a última corrida. Então, bang! Tudo que você pensava estar certo, de certa forma, garante que você estará competindo por vitórias e pelo campeonato. E, de repente, você se encontra em uma situação em que não apenas não está fazendo isso, mas as pessoas mais inteligentes não entendem onde erraram”, lamentou.

O conceito do carro de 2022 permaneceu para 2023 e foi abandonado apenas no GP de Mônaco, quando já estava mais do que claro que não seria o suficiente para voltar a vencer. No entanto, com a temporada já em andamento, o teto de gastos impediu que a Mercedes realizasse mudanças mais profundas em seu monoposto.

No fim, a Mercedes terminou 2023 sem vencer nenhuma corrida. Foi a primeira vez desde 2011 (Foto: Mercedes)

“Em 2023, sabíamos que alguns ingredientes do carro eram positivos, coisas que entendemos antes do fim de 2022. E diferentes problemas surgiram em 2023, mas você precisa seguir as regras financeiras. John Owen [projetista-chefe] estava mais preocupado em garantir que o lado das contas estivesse certo do que em desenhar um novo carro”, avaliou.

Por fim, Wolff foi claro: a física envolvida no desenvolvimento do carro estava errada. Os dados já não conseguiam explicar a falta de performance na pista, e a equipe optou por seguir um caminho completamente diferente para a temporada de 2024.

“Então, simplesmente erramos na física. É um carro de efeito-solo. Nossas ferramentas não funcionaram tão bem quanto nos outros regulamentos. É sobre física, nada místico. O principal foi reconhecer que os dados que você se baseava antes não explicavam o que o carro estava fazendo na pista. Estamos fazendo todo o possível para diminuir as decepções no carro que estamos desenvolvendo”, finalizou.

Fórmula 1 retorna às pistas de 21 a 23 de fevereiro, com os testes coletivos da pré-temporada no Bahrein, no circuito de Sakhir.

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