F1

Chuva expõe falso equilíbrio em Hungria, que indica vantagem da Mercedes

Depois do aguaceiro em Hockenheim, a Fórmula 1 encontrou na Hungria um dia de clima instável e até perturbador, porque limitou demais os trabalhos das equipes e colocou um ponto de interrogação em muitos aspectos do que esperar para o fim de semana em Hungaroring. De qualquer modo, Mercedes e Red Bull parecem à frente de Ferrari neste momento

GRANDE PRÊMIO / EVELYN GUIMARÃES, de Curitiba
Tradicionalmente, a Hungria tem uma das etapas mais quentes do calendário da F1. O verão húngaro castiga, especialmente, no início de agosto. E vez por outra, a chuva aparece, como aconteceu no ano passado, durante o sábado de classificação, o que foi muito bem-vindo. Só que, nesta sexta-feira (2), a pista molhada não agregou em nada. Na verdade, a intermitente precipitação ao longo de todo o dia de treinos livres apenas serviu para mascarar a real divisão de forças do grid. Não se engane, a Mercedes é muito favorita em Hungaroring, e os termômetros só dão boas notícias aos alemães, que chegam a Budapeste ávidos por um recomeço, após desastroso GP da Alemanha.
 
Depois de uma sexta escaldante em Hockenheim, na semana passada, a F1 se deparou com temperaturas bem mais amenas hoje, só que em condições muito instáveis de pista. A combinação de fatores tornou difícil qualquer avaliação das equipes para o restante da rodada húngara, tanto em termos de estratégia, como desempenho de pneus e até das novidades, e foram muitas. Praticamente, todos os times surgiram no TL1 com alguma peça nova – a Mercedes seguiu avaliando o pacote já lançado na Alemanha, a Ferrari trouxe recursos aerodinâmicos novos nas laterais, próximos à suspensão dianteira, enquanto a Red Bull testou as entradas de ar e ‘fechou’ aquela abertura do bico frontal. Já a Alfa Romeo veio com uma asa traseira diferente e robusta, ao mesmo tempo em que a McLaren trabalhou em um desenho distinto do difusor traseiro. 
Sexta-feira de treinos livres na Hungria foi marcada por muitos testes (Foto: Beto Issa)
É a última etapa antes das férias, então é um momento importante para entender como o desenvolvimento vai seguir na segunda fase da temporada, ainda que a Hungria seja um traçado bem particular. De qualquer forma, a primeira sessão do dia, em que a chuva afetou menos, os engenheiros conseguiram coletar algumas informações, já à tarde, as intempéries desempenharam um papel maior, limitando mais o trabalho de todos.
 
Porém, antes de o treino 2 ter sido completamente comprometido, ficou claro que, com pista seca – molhada também pela qualidade de Lewis Hamilton, mas como foi visto em Hockenheim, tudo pode acontecer na chuva –, a Mercedes sai em vantagem, apesar do revés que sofreu com Valtteri Bottas. A unidade de potência apresentou falhas, e a equipe teve de recorrer a uma versão mais antiga, o que já coloca tudo em alerta. De toda a maneira, o traçado travado e de curvas de baixa velocidade é tudo o que o W10 deseja. Melhor que isso, só a notícia de que o clima vai seguir ameno pelo restante do fim de semana.
 
Em termos de desempenho, Hamilton liderou com certa tranquilidade o TL1 com pneus vermelhos – quase 0s2 à frente de Max Verstappen e Sebastian Vettel, mas o que chamou a atenção mesmo foi o fato de que o inglês foi apenas 0s141 mais lento que Pierre Gasly no TL2, usando os pneus duros, enquanto a Red Bull vinha calçada de compostos macios. Na comparação com a Ferrari, a distância é ainda maior. São 0s7 para Charles Leclerc, que utilizava os médios/amarelos e 1s3 para Vettel, esse, sim, com os mesmos pneus duros.

De acordo com a Pirelli, em um circuito curto como o Hungaroring, a diferença entre os compostos nunca é especialmente grande. Há uma diferença aproximada de cerca de sete décimos de segundo entre o macio e o médio, com intervalo de cerca de meio segundo entre médio e duro. No entanto, o uso limitado durante o dia tornou mais difícil obter uma leitura precisa. 
Charles Leclerc foi o melhor cara da Ferrari (Foto: Ferrari)
É claro que nada disso veio em desempenho de corrida ou classificação, mas é um bom indicativo de que a esquadra alemã segue em boa forma. Mas Hamilton está bem acima disso, em uma primeira análise, portanto.
 
Bom para uns, ruim para outros. Para a Ferrari, a informação sobre as temperaturas não serem tão altas é uma frustração, uma vez que a SF90 gosta do calor, mas a natureza da pista também é um desafio para os italianos. Só que hoje ficou claro que a equipe também tem outros problemas a resolver. Ambos os pilotos se sentiram mais confortáveis na chuva do que no piso seco, e isso é uma questão importante, dada a previsão do tempo. Por isso não foi estranho o tetracampeão dizer que “que é difícil prever” em que posição a Ferrari está frente às demais.
 
É fato, especialmente quando a Red Bull aparece tão forte. Gasly e Verstappen fecharam o dia na ponta, com a dobradinha. Andaram forte na chuva – sendo o holandês o piloto mais rápido quando a pista encharcou de vez. No seco, existe um déficit para a Mercedes, mas pode-se dizer que a equipe austríaca está um passinho à frente dos carros vermelhos, neste momento. E aqui qualquer que seja o clima, é boa notícia. 
 
No pelotão intermediário, Renault e Alfa Romeo despontaram bem, andando de maneira bem compacta. A decepção do dia foi a McLaren, que teve problemas mecânicos nos dois carros.
 
De qualquer forma, as equipes têm muito pela frente neste sábado, depois dessa sexta-feira inconclusiva. A terceira sessão deve ser agitada e disputada, possivelmente, com pista seca - há uma chance de chuva, sim, mas é pequena -, bela oportunidade para entender a real condição de cada um, ainda que a Mercedes já sinalize o favoritismo costumeiro.

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