Claire Williams vê “atitude do século 19” na F1: “Dificultam por eu ser mulher”

A chefe da Williams acusou o fato de saber que há, no paddock da Fórmula 1, quem coloque na gravidez dela a culpa da queda da equipe. E indaga: fariam isso com os chefe homens?


A situação na Williams nos últimos dois anos foi complicada, mas os testes coletivos de pré-temporada, em Barcelona, indicam que o tradicional time de Grove está num caminho ascendente para 2020. Mas resultados são parte do esporte e estão conectados ao trabalho. O que é inaceitável é um tratamento preconceituoso ser dispensado a alguém por conta de questões esportivas. E é isso que aponta Claire Williams, a chefe da equipe que leva seu sobrenome.
 
Bastante reservada com relação a questões de fora da Fórmula 1, a dirigente falou sobre o fato de sentir no paddock da do Mundial um tratamento diferente do restante dos chefes de equipe. Na chefia de fato da equipe desde 2013, Williams revelou que já soube que existe, dentro da F1, a teoria de que a queda de rendimento da equipe aconteceu por conta da gravidez dela, anunciada no fim de 2017. Um absurdo.
 
"Assim que você deixa de ter sucesso, algumas pessoas limitam ao fato de que sou uma mulher. Talvez dificultem mais para mim por ser mulher", afirmou. "Uma pessoa me disse que um monte de gente no paddock acha que a equipe começou a ir mal quando eu fiquei grávida e tive filho. Como se atrevem?", questionou em entrevista para a agência de notícias PA.
 
"Há outros nove chefes de equipe na F1, e tenho certeza que a maior parte deles tem filho. Alguém faria essa crítica a um deles? Eu não posso ter um filho porque sou uma mulher à frente de uma equipe da F1? É uma atitude lamentável de século XIX", criticou.
Claire Williams (Foto: Williams)
"Trabalho sete dias por semana durante o ano inteiro e, se não trouxesse Nate [o filho] a algumas corridas, quase não o veria. Mas também me criticam por isso. Não tem como ganhar. Ai de mim se eu andar pelo paddock levando meu filho. Tenho que esconder o fato de ser uma mãe tentando liderar uma equipe da F1. O fato de a Williams não estar bem no momento não tem nada a ver com meu filho", seguiu.
 
Num importante papel de chefia, Williams quer reforçar que é, sim, possível ser todas as coisas que é preciso ser na vida privada, sem precisar abandonar o lado profissional. 
 
"Quero usar o fato de ser uma mulher nesse mundo dominado por homens. Adoraria andar pelo paddock esse ano com a equipe em melhor fase, não apenas para mostrar a todas essas pessoas que elas estão erradas, mas também para mostrar que as mulheres podem aguentar críticas, andar de cabeça erguida e seguir na batalha. Quero provar que posso ser mulher, esposa, mãe e ainda liderar uma equipe de F1 desta forma", declarou.
 
"Ser a líder significa aceitar as críticas pelo desempenho ruim. Ocasionalmente, cometo o estúpido erro de ler comentários na internet, e as pessoas são malvadas. Se eu permitisse aquilo entrar na minha cabeça, poderia realmente me destruir. Mas não estou nas redes sociais, não entro nessa, não fico lendo a cobertura da imprensa sobre se Claire Williams precisa sair, essas coisas. Não me importo", afirmou.
George Russell a bordo da Williams (Foto: Williams)
"As pessoas podem ter opinião, mas eu acho que a não ser que você viva a vida de alguém, não pode criticar. É a minha filosofia. Eu sou uma Williams e os Williams são lutadores. É o que você faz quando está para baixo que conta. É quando você tem gente te chutando, é recuperar disso e mostrar que pode", falou.
 
"Eu aprendi que posso tomar essas pancadas e ainda levantar todos os dias e encarar minha equipe, andar pela rua e ver gente perguntando se eu sou Claire Williams. E eu tenho que responder 'sim, sinto muito' e, então, sei que posso olhar meu reflexo no espelho tranquila. Sei o trabalho que eu faço e o valor que posso trazer à equipe", encerrou.
 

O GRANDE PRÊMIO cobre AO VIVO, em TEMPO REAL e 'in loco' os testes de pré-temporada da F1 em Barcelona com o repórter Vitor Fazio. Siga tudo aqui.

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