F1

Classificação em Austin leva à questão: segredo da Ferrari foi descoberto?

A Ferrari aparentava ser invencível em treinos classificatórios, mas acabou derrotada pela Mercedes em Austin. A passagem de bastão ocorre poucos dias após a FIA soltar uma informação a respeito do fluxo de combustível

Grande Prêmio / VICTOR MARTINS, de São Paulo / VITOR FAZIO, de Berlim
O resultado do treino classificatório da Fórmula 1 deste sábado (2) em Austin tirou da Ferrari a invencibilidade apresentada nesta segunda parte da temporada. Por 0s012, Valtteri Bottas garantiu a pole-position sobre Sebastian Vettel, e também bem próximo ficou Max Verstappen. Isto é: uma proximidade até inesperada dos três principais carros da F1 que dão à corrida um ar de imprevisibilidade. Mas o ponto que fica é: teria isto acontecido por causa da FIA e de uma eventual descoberta do segredo da Ferrari?
 
Há algum tempo a Red Bull tem reclamado que há (ou havia) algo de estranho com o motor da equipe italiana, muito mais rápido que os demais. Desde o GP da Itália, o que ficou evidente é que nenhum carro, por mais asa aberta que tenha, consegue superar o dos italianos em reta. Não à toa, Sebastian Vettel e Charles Leclerc dividiram os primeiros lugares no grid desde então — seria de Verstappen no México não tivesse ele cometido aquela irregularidade de não reduzir a velocidade em bandeiras amarelas. O time de Christian Horner, então, entrou com um protesto para que a entidade máxima do esporte analisasse, no fim das contas, o que o cavalo rampante esconde. E durante o fim de semana nos EUA, soltou uma determinação que pode ter esclarecido a questão.
 
A história foi a seguinte: na quinta-feira, a Red Bull perguntou à FIA se poderiam disputar as últimas duas corridas do ano — Brasil e Abu Dhabi — e a temporada 2020 com um cabo elétrico mais grosso do sistema de híbrido que fica próximo ao fluxômetro — o aparato que mede o fluxo de combustível. A escuderia averiguou que o ruído elétrico provoca interferência na medição, sobretudo nas curvas mais lentas.
Charles Leclerc e Sebastian Vettel não foram tão poderosos assim nas retas de Austin (Foto: Beto Issa)
O fluxo de combustível não pode ser maior do que 100 kg por hora, mas ele não é medido de forma contínua, e, sim em intervalos determinados por alguns pontos. O que significa dizer que, sabendo onde ficam estes pontos, seria possível aumentar o fluxo durante um e outro sem que fosse registrado oficialmente. Se o fluxo é maior, tem maior combustível, o que gera maior combustão e, portanto, maior velocidade. A FIA respondeu à Red Bull com o TD (technical directive) 039/19 dizendo que se trata de uma ilegalidade.
 
A perda de potência da Ferrari pode ser visualizada ao analisar o desempenho de Sebastian Vettel e Charles Leclerc em cada setor do Circuito das Américas. Para começo de conversa, os ferraristas não lideraram o speed trap, que mostra as velocidades máximas de cada piloto. Depois de fazer dobradinha no quesito no Hermanos Rodríguez, a dupla caiu para oitavo e nono em Austin.
 
Além disso, chama atenção a aproximação de performance entre equipes em trechos de alta. Gasly, melhor no speed trap, foi meros 2,2 km/h melhor que Vettel, oitavo. Sobre Romain Grosjean, pior de todos, 7,6 km/h. México e Rússia, por exemplo, tiveram diferenças variando entre 15 km/h e 20 km/h.
 
Em outras palavras, Vettel e Leclerc pouco fizeram nos setores 2 e 3, os com maiores trechos de alta velocidade. A dupla foi superior para valer no primeiro trecho, justamente o mais sinuoso – mesmo que as curvas ainda sejam de alta velocidade.
 
O GP dos Estados Unidos tem largada marcada para 16h10 (de Brasília). O GRANDE PRÊMIO acompanha AO VIVO e em TEMPO REAL.
 

 
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