Coluna Apex, por Andre Jung: A perseguição

Acredito que Vettel vai correr muito pressionado. Já deveria, por performance, estar bem mais tranquilo na liderança, mas a tenacidade de Alonso o faz um adversário temível

 

(Ilustração: Marta Oliveira)

A primeira coisa que me impressionou no GP dos EUA foi o sucesso de público. Já não é de hoje que a F1 tenta se consolidar no mercado norte-americano, e essa prova deixou uma esperança de que a categoria tenha encontrado um lar no país dos hambúrgueres.

E que força tem esse país! Enquanto capitais europeias lutam para manter seus GPs, os americanos constroem um circuito fenomenal, na prosaica Austin, no meio do Texas.

No início dos treinos, com Vettel estabelecendo diferenças imensas para os tempos dos adversários, parecia que a corrida iria ser uma lavada, mas quando chegou o momento do treino de classificação, Hamilton encontrou o acerto do seu McLaren, mantendo uma disputa apertada pela pole, que terminou com o alemão apenas um décimo à frente.

Alonso, que nos treinos esteve sempre perdido, pela primeira vez no ano foi superado por Felipe Massa em todas as sessões. Largando atrás, nada indicava que o espanhol seria capaz de chegar ao pódio, o que transforma o resultado final numa verdadeira façanha, mérito deve ser divido entre ele e Felipe Massa, que cedeu o lugar ‘limpo’ no grid de onde Alonso pôde realizar mais uma grande largada, quase uma constante nessa temporada.

Diversas disputas, em quase todas as posições, encheram a corrida de ação, e o grande público americano presente pode ver um belo espetáculo. Pilotos em carros velozes, como Massa e Button, que por razões diferentes tiveram de largar mais atrás, trabalharam muito para subir de posição.

Determinado, Hamilton não deu trégua e, quando um retardatário atrasou o campeão, ele não perdeu a oportunidade e superou o Red Bull naquela que talvez tenha sido sua única chance. 

Se o campeonato será decidido entre Vettel e Alonso, a performance de Hamilton nos EUA serviu para demonstrar que o inglês também deveria estar entre eles, não tivesse sido tão acometido de tantas falhas em seu McLaren.

Felipe converteu o sabor amargo na largada numa doce vitória pessoal ao terminar na melhor posição que podia postular nessa prova. Os italianos e espanhóis, que não se cansam de reclamar da falta de ajuda do brasileiro para as campanhas da Ferrari e Alonso, reconheceram de imediato o valioso trabalho do brasileiro.

Nosso outro piloto continua deixando a desejar. Voltou a desperdiçar a chance de chegar ao Q3 e acabou superado por Pastor Maldonado na penúltima volta. Uma imagem que não ajuda em nada os esforços de Bruno Senna para estar no grid em 2013.

Nico Hülkenberg voltou a andar bem, superando seu companheiro de equipe com facilidade, coisa que tem feito nas últimas provas. No início do ano, Paul Di Resta foi diversas vezes mais rápido do que o alemão, que na segunda metade da temporada virou o jogo.

Romain Grosjean continua a misturar virtudes e defeitos. Rodou sozinho logo no início e depois empreendeu forte recuperação para chegar em sétimo lugar, colado em seu companheiro de equipe.

Numa análise superficial, Alonso teve, diante do baixo rendimento do seu carro, um resultado mais expressivo do que o segundo posto de Vettel. Os três pontos perdidos para o alemão são ínfimos diante dos mais de trinta segundos de diferença na chegada.

Com justiça, a decisão sairá no GP do Brasil, o que, sem dúvida, vai gerar grande audiência internacional (a do Brasil vai de mal a pior) e trazer um exército de jornalistas para cobrir o desfecho da temporada.

Acredito que Vettel vai correr muito pressionado. Já deveria, por performance, estar bem mais tranquilo na liderança, mas a tenacidade de Alonso o faz um adversário temível. Se considerarmos a média dos problemas técnicos da Red Bull, a chance de haver uma quebra do carro de Vettel em Interlagos é bastante razoável.

Enquanto isso…

…a Caterham, com um carro muito superior, caminha para ficar atrás da Marussia no campeonato de construtores…

… em um final de ano melancólico, a Mercedes resolveu utilizar as últimas provas para desenvolver componentes para o carro do próximo ano…

… muito mais assediado depois de seu contrato com a McLaren, Sergio Pérez não consegue mais ser sombra do piloto brilhante da primeira metade do ano.

 

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