Coluna Apex, por Andre Jung: Correndo atrás

Diante da superioridade que os carros ‘energéticos’ voltaram a demonstrar, seria o caso de proibir as equipes de contratar projetistas cujo nome comece com Adrian e termine com Newey

Foi difícil ficar acordado até às cinco horas da madruga para ver o GP da Coreia, a meu ver a mais chata corrida do ano. Mais chato ainda é constatar que a Red Bull abriu vantagem para a concorrência, o que pode fazer o campeonato perder a graça justamente na hora H.

Na largada, Kobayashi foi o Grosjean da vez, tão bem num domingo, tão mal no outro. O japonês está numa pressão danada, e essa vacilada pode ter um bocado a ver com isso. Alonso superou logo o desmotivado Hamilton e, daí em diante, o pódio já estava definido. Nesse campeonato de gerenciamento de pneus, ainda existe algum suspense quanto à estratégia e ao desgaste, mas na Coreia todo mundo fez a mesma coisa.

(Ilustração: Marta Oliveira)

Em diversas épocas da F1, quando uma equipe demonstrava ter um trunfo que a colocava muito à frente das demais, esse trunfo era logo proibido. De certa forma, a proibição dos escapamentos aerodinâmicos se encaixa nessa teoria, mas, diante da superioridade que os carros ‘energéticos’ voltaram a demonstrar, seria o caso de proibir as equipes de contratar projetistas cujo nome comece com Adrian e termine com Newey.

Para nós brasileiros, restou o alívio da renovação de Felipe Massa, garantindo ao menos um de nossos patrícios no grid de 2013. Bruno Senna sofre com a falta de evolução da Williams, que volta a ocupar os lugares de baixo da tabela, tanto em treinos como em corridas. Sua participação em 2013 depende de muita ação nos bastidores e de um cheque expressivo para o caixa da possível equipe. Conquistar no mérito deixou de ser o caso.

Falando em mérito, não acho que Vettel mereça ser tricampeão esse ano. Não tenho a menor dúvida de que Fernando Alonso tem sido o melhor piloto de 2012, capaz de liderar três quartos da temporada com um carro inferior. Ousaria dizer que Felipe também não fez por merecer uma equipe de ponta em 2013, mas mérito não quer dizer resultado.

O fato é que, depois de um início de ano em que oito pilotos diferentes venceram as oito primeiras provas, Vettel acaba de ganhar a terceira seguida, e isso é incontestável. O mérito é mesmo de Adrian Newey.

Já disse aqui que não acredito que o novo regulamento, com motores turbo-comprimidos de 6 cilindros, comece a vigorar em 2014, mas diante da estabilizada liderança técnica da Red Bull, alguma coisa terá de ser feita para criar novas expectativas.

Boatos dizem que Massa irá esquentar o cockpit para Vettel, que em 2014 poderá se transferir para a Ferrari. Duvido. A equipe italiana não iria colocar Vettel e Alonso para digladiar. É notório que eles detestam essa situação, e não vejo porque isso agora iria mudar.

Uma possibilidade, a única que vejo, seria uma troca de Vettel por Alonso, o que também não acredito. Um nome que vejo como candidato ao outro carro da Red Bull (Webber deve parar ano que vem) seria Kimi Räikkönen, que tem feito o que pode na Lotus, com o mesmo motor Renault.

Mas especular tão à frente é um bocado de pretensão e é melhor ficar por aqui,

Enquanto isso…

…a Caterham sofre com a perspectiva de não ficar entre as dez melhores do ano…

…seu carro é muito superior à Marussia (nome horrível!), mas tem poucas chances de conseguir superar o 12º lugar que a rival obteve com boa dose de sorte…

…Pastor Maldonado ganha sobrevida ao preservar seu paitrocínio estatal com a eleição de Hugo Chavez…

…diante da expectativa criada no início da temporada (inclusive com a primeira vitória de Rosberg), entre as equipes, a Mercedes pode ser considerada o grande fiasco de 2012…

…na Coreia, seus carros largaram mais uma vez atrás da pequena Force India, que corre com o mesmo motor…

…Monisha Kaltenborn é mais um indício que estamos no início de um milênio matriarcal (que seja melhor do que o patriarcado arcaico)…

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