Coluna Apex, por Andre Jung: Fragmentos e detritos

Completamente alijado das disputas e dos holofotes, Alonso suscita muitas dúvidas no paddock. Nada faz acreditar que a McLaren volte a disputar vitórias no próximo ano. Diante dessa situação, qual será o comportamento do vaidoso espanhol?

Mal havia começado a corrida e as imagens dos carros amontoados tomava a tela com toda a sua dramaticidade. Em poucos metros percorridos, o GP da Áustria perdia dois campeões mundiais, companheiros de equipe até o ano passado. Dois pilotos vivendo momentos difíceis na busca de preservar suas importâncias dentro da categoria.
 
No sábado, a eliminação da Ferrari de Räikkönen ainda no Q1 surpreendeu. Andando bem desde a sexta-feira, parecia que o finlandês disputaria as primeiras filas. Kimi colocou a culpa integralmente na equipe, que o enviou tarde, com uma estratégia, e subitamente mudou os planos quando, segundo ele, não havia mais nada a fazer. Ninguém da equipe fez menção ao episódio.
 
Falando sobre a rodada no Canadá – outra ocasião na qual Räikkönen se eximiu de culpa e a equipe não se manifestou – o piloto alertara para um comportamento anormal do carro em aceleração, o que já teria ocorrido outra oportunidade, também saindo de uma curva de baixa. 
 
Na Áustria, tudo indica uma repetição do fenômeno, só que dessa vez em plena aceleração, em 5ª marcha, condição que provocou estranhamento geral – e que mais uma vez não mereceu comentário da Ferrari.
(Ilustração: Marta Oliveira)
Tudo junto, parece que o filme de Räikkönen em Maranello está queimado, o comunicado da escuderia ao final da prova fazia questão de mencionar a contratação de Vettel como o maior ativo da equipe, esquecendo-se de seu outro piloto, saído ileso de um sério acidente.
 
Em cima do bólido vermelho despedaçado estava Fernando Alonso e seu carro problemático. O esperançoso espanhol deixava outra corrida nos primeiros metros. Seu sonho de voltar a ser campeão reconduzindo a McLaren Honda aos primeiros lugares vive dias de pesadelo.
 
Completamente alijado das disputas e dos holofotes, Alonso suscita muitas dúvidas no paddock. Nada faz acreditar que a McLaren volte a disputar vitórias no próximo ano. Diante dessa situação, qual será o comportamento do vaidoso espanhol? Se Button reclama, por outro lado, mostra espírito de equipe, Alonso parece manter distância, a espera de que lhe apresentem algo decente.
 
Dietrich Mateschitz também entrou na berlinda. Depois de disparar ameaças, foi severamente contestado por Maurizio Arrivabene, impressionado por conta de tanto ‘mimimi’. Está claro que, sem Adrian Newey no comando técnico, a Red Bull é apenas mais uma. Andando em casa, seus carros demonstraram fraqueza na comparação imediata com os "primos pobres” da Toro Rosso. Perderam a moral para jogar toda a culpa na Renault.
 
Aqui e ali, uns pequenos momentos de emoção, culminando com a vacilada da Ferrari (da porca, segundo o chefão), entregando outro pódio de bandeja para a Williams, que voltou a lamber os beiços com o gosto do Champagne.
 
A corrida teve o mérito de deixar o campeonato em aberto, foi uma boa vitória de Rosberg, mostrando mais velocidade que Hamilton, coisa que não acontecia em nenhum momento nas primeiras provas do ano. Se vencer em Silverstone, vai aplicar um duro golpe no rival.
 
A lamentar o 11º lugar do valoroso Felipe Nasr. Sem recursos para novas peças, seu carro está parado no tempo, mas apesar de tudo ele treinou muito bem e conseguiu controlar diversos adversários melhor equipados por grande parte da prova, até o problema crônico de freios de sua Sauber obriga-lo a tirar o pé.
 
Enquanto isso…
 
…Max Verstappen continua a causar…

…sua defesa de posição com Maldonado, na reta dos boxes, foi um momento muito perigoso da corrida…

…arrogante, o rapaz não vai colecionar admiradores se voltar a provocar um acidente grave.

GOSTA DO CONTEÚDO DO GRANDE PRÊMIO?

Você que acompanha nosso trabalho sabe que temos uma equipe grande que produz conteúdo diário e pensa em inovações constantemente. Mesmo durante os tempos de pandemia, nossa preocupação era levar a você atrações novas. Foi assim que criamos uma série de programas em vídeo, ao vivo e inéditos, para se juntar a notícias em primeira-mão, reportagens especiais, seções exclusivas, análises e comentários de especialistas.

Nosso jornalismo sempre foi independente. E precisamos do seu apoio para seguirmos em frente e oferecer o que temos de melhor: nossa credibilidade e qualidade. Seja qual o valor, tenha certeza: é muito importante. Nós retribuímos com benefícios e experiências exclusivas.

Assim, faça parte do GP: você pode apoiar sendo assinante ou tornar-se membro da GPTV, nosso canal no YouTube