Coluna Apex, por Andre Jung: Melhor do que a encomenda

Em apenas três edições, a corrida de Baku virou um clássico: suas características levam ao limite os pilotos e suas máquinas, gerando diversas alterações de cenário que fazem a prova imprevisível até o final

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Mesmo quando Bernie Ecclestone começou com sua estratégia de levar a F1 a alguns mares nunca dantes navegados, poucos poderiam prever uma ida ao Azerbaijão, um pais situado nos confins que separam a Europa da Asia. No entanto, Hermann Tilke foi até Baku, estudou e montou uma pista que resgata para o campeonato um espírito que deixamos de acompanhar na F1 há tempos. 
 
Não é de hoje que os carros de F1 quebram muito pouco. Nos anos 1970, piloto bom tinha de ficar atento ao conta giros, trocar marcha na hora certa e cuidar do carro na ponta dos dedos até o final das corridas, consciente de que em algumas delas a máquina o deixaria na mão. Emerson Fittipaldi, veja só, chegou a ser criticado por sua sabedoria: não forçava desnecessariamente e assim conquistou muitas posições em corridas onde os adversários à frente paravam com problemas. Hoje, com carros que quebram pouco e diversos circuitos com áreas de escape enormes, não vale muito a pena esperar para ver o que acontece.
 
Em apenas três edições, a corrida de Baku tornou-se um clássico: suas características fazem a prova levar ao limite os pilotos e suas máquinas, gerando diversas alterações de cenário que fazem a prova imprevisível até o final.
 
Nesse ano, com a corrida passando para abril, a dificuldade já existente para manter a temperatura dos pneus aumentou mais e foi a tônica da reclamação dos pilotos. Apesar de compostos mais macios oferecidos, os tempos de 2018 foram consideravelmente piores do que em 2017. Sem que houvesse alterações no traçado e no asfalto, podemos concluir que sua principal causa foi a época mais fria em que a corrida foi realizada, no inverno. Jamais me passou na cabeça que um pais de nome estranho, quase saído de um livro do Tintim, sem a menor tradição nas corridas, iria oferecer uma das provas mais interessantes do campeonato.
(Ilustração: Marta Oliveira)

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Não vou me furtar de dar minha impressão sobre o acidente entre a dupla da Red Bull. Em primeiro lugar, aplaudo o gerenciamento que a equipe adotou. Os dois pilotos, ao invés de demonstrarem esperada irritação recíproca, agiram com humildade frente ao time, arrasado em ver seu esforço ir para o espaço.
 
A Red Bull constrói sua imagem apegada a valores jovens: ousadia, coragem, atitude e coisas do tipo. Para isso, está envolvida em tudo que se identifique com essa cartilha: corridas de qualquer coisa, vôos espetaculares, tentativas de recordes, saltos, e riscos.
 
Dessa forma construíram o DNA da marca e agora não podem simplesmente negar sua filosofia, intervindo diretamente na disputa de suas duas estrelas. Daí a expressão angustiada da equipe sempre que Max Verstappen e Daniel Ricciardo disputam posições.
 
Já comentei antes que no direito japonês existe a figura do percentual de culpa. É assim que são decididos acidentes de trânsito, por exemplo. Nesse caso, eu entendo que Niki Lauda está certo quando aponta 70% para Verstappen e 30% para Ricciardo.
 
Voltando ao GP da China, Ricciardo não teria vencido caso Valtteri Bottas tivesse, assim como Verstappen, decidido fechar a porta quando já não havia mais como evitar a colisão. Talvez o australiano não tivesse nem cruzado a linha de chegada, na verdade.
Max Verstappen e Daniel Ricciardo (Foto: Reprodução/Twitter/F1)

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Max, reconhecido por ser extremamente resistente quando atacado, não agiu com a frieza vista em Bottas, que ao se ver ameaçado pelo carro mais veloz na China preferiu levar os pontos do segundo lugar para casa. Temos que lembrar que em Xangai Verstappen saiu chamuscado por dois erros que botaram a corrida a perder, enquanto o colega ganhou a prova incensado por suas manobras perfeitas. 
 
O ego do holandês estava provocado e não iria lidar bem com uma finta a 350 km/h no final da reta. Sendo assim, reagiu como manda seu instinto – e foram os dois para o espaço. Como a briga era por um quarto e quinto lugares, o peso do fracasso ficou menor. Fosse pela liderança, o tom da conversa dentro da Red Bull seria bem diferente.
 
Contra Ricciardo fica o fato de que, ao se enfiar na última hora, naquele pequeno espaço, tomou um caminho sem volta e deixou para Max como opção ceder ou bater – e não era difícil imaginar que Max não iria ceder.
 
Enquanto isso… 
 
…A Force India conseguiu, antes mesmo do início da fase européia, resolver graves problemas de equilíbrio que seu carro 2018 apresentava desde os testes da pré-temporada…
 
…Graças à excelente prova de Sergio Pérez, que até hoje parece pagar o preço da precoce promoção à Mclaren, já voltaram à disputa pelo quarto lugar no Mundial de Construtores…
 
…O infantil acidente de Romain Grosjean teve paralelo com Felipe Nasr em 2015, que em plena reta no Canadá, bateu seu Sauber quando ziguezagueava tentando esquentar os pneus… 
 
…Felipe não inventou desculpas. Com as justificativas que se apressou em oferecer, Romain deve ter perdido o pouco da moral que ainda tinha no time americano.

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