F1

Coluna Apex, por Andre Jung: O conquistador

Não me coloco entre os detratores de Michael Schumacher. Ao contrário: acho que o alemão foi fabuloso. Porém, ouso dizer que Lewis Hamilton vai chegar aos sete títulos, e com mais méritos. São diversas as razões que me levam a dizer que esse inglês é o maior piloto que vi correr
Warm Up / ANDRE JUNG, de São Paulo
 (Ilustração: Marta Oliveira)
Enfim Lewis Hamilton conquistou o quinto caneco, igualando o mito Juan Manuel Fangio. Quando eu era garoto, alcançar Fangio parecia tarefa impossível: os carros eram mais equilibrados, os pilotos chegavam ao grid da Fórmula 1 com mais idade, e depois de um certo tempo, sobrevivendo aos diversos acidentes fatais que a categoria proporcionava, era hora de parar e cuidar da família.
 
Sendo assim, o tri campeonato de Jackie Stewart foi a primeira grande façanha que presenciei. O bravo escocês parou, antes mesmo do final da sua última temporada vencedora, em luto pela perda do galã de pé pesado François Cevert, seu estimado colega de equipe.
 
Depois vieram Niki Lauda, Nelson Piquet, Alain Prost e Ayrton Senna, tricampeões. O francês, depois de um ano sabático, voltou para dirigir um dos mais dominadores F1 de todos os tempos e fechar um quarto mundial, sem brilho. Aí aparece Michael Schumacher e muda esse patamar, estabelecendo o maior ciclo hegemônico da história da categoria e alcançando a ‘inalcançável’ marca de sete canecos. Hoje, aos 33 anos, do alto de seu quinto título, Hamilton pode vislumbrar essa marca em alta definição.
 
Aí quero abrir um parêntese; não me coloco entre os detratores de Schumacher, ao contrário, acho que ele foi fabuloso e implacável, porém, ouso dizer que Hamilton vai chegar lá, e com mais méritos. Ser o primeiro negro a chegar e ganhar na categoria topo do automobilismo não é pouca coisa, mas consideremos outros méritos. Ao estrear, Lewis já teve pela frente ninguém menos do que Fernando Alonso, que vinha para a equipe McLaren para conquistar seu terceiro título. É como se Senna estreasse na F1, na mesma Mclaren, ao lado de um Prost no auge. Sua velocidade e o carinho da equipe foram demais para o ciumento espanhol, que acabou por deixar a McLaren após apenas uma temporada. Daí em diante, Lewis nunca recebeu a proteção e os privilégios que cercaram a carreira de Schumacher.
Lewis Hamilton (Foto: AFP)
O alemão, após duas conquistas impressionantes pela Benetton, com motores Ford e Renault, partiu para a Ferrari, para onde levou Ross Brown e Rory Byrne, e onde encontrou todas as facilidades para exercer um domínio inédito. Com dois fornecedores de pneus, a F1 de então vivia a febre das equipes de testes.
 
Em Fiorano, pista particular da Ferrari, os carros rodavam todos os dias, todas as semanas, acertando os pneus Bridgestone sob medida para cada pista, sempre atendendo ao estilo de pilotagem do alemão. Schumacher vencia um GP na Ásia e dois dias depois estava girando uma infinidade de voltas na pista privada.
 
Hamilton tem de conviver com outra realidade. Na F1 atual, é a realidade virtual dos simuladores que provem os pilotos com informações sobre o circuito e os ajustes do carro. Ninguém mais pode andar entre os GPs. Tampouco Hamilton foi protegido por cláusulas contratuais como as que Rubens Barrichello teve de se submeter, em prol de Schumacher.
 
Depois de enfrentar uma convivência tumultuada com Nico Rosberg, e superar uma fase em que as relações afetivas interferiam diretamente na performance, o inglês parece ter encontrado uma paz interior que o faz praticamente imbatível.
Michael Schumacher com sua Ferrari em 2001 (Foto: Ferrari)
São diversas as razões que me levam a dizer que esse mulato inglês com pinta de pop-star é o maior piloto que assisti correr. Espero mesmo que chegue aos sete títulos, quiça os ultrapasse.
 
Em poucos dias teremos mais um GP do Brasil, o primeiro sem um brasileiro na pista. Vivi de perto o início dessa história, desde a prova não-oficial, quando o carro de Emerson, que liderava com folga, teve uma quebra de suspensão na reta dos boxes, bem na frente de onde eu estava.
 
Depois, a alegria suprema de celebrar a vitória do meu ídolo José Carlos Pace. Outras muitas vitórias foram nossas: Emerson Fittipaldi, Piquet, Senna e Felipe Massa fizeram o nosso hino ecoar nos GPs domésticos. Um hiato que perece longe de terminar.
 
Enquanto isso...
 
...o calvário que vive Ricciardo, desde o surpreendente anúncio da sua transferência para a Renault, tem tirado o sorriso do autraliano...
 
...como ele diz, seu carro parece amaldiçoado. Para piorar, Max Verstappen está melhor do que nunca...
 
...e nem se atreva a reclamar das quebrar de motor.