Coluna Apex, por Andre Jung: Os vermelhos voltaram

Ainda é cedo para avaliar se o campeonato será uma chatice, como já cravam alguns. Ok, Melbourne não foi das corridas mais excitantes, mas normalmente não é mesmo. Entretanto, não dá para deixar de celebrar o fato de que a Mercedes não nada mais de braçada. A Ferrari chegou de verdade

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Para o bem dos adictos, como esse que vos fala, o Campeonato Mundial de F1 finalmente recomeçou. As ‘bestas’, como a imprensa inglesa gosta de chamar os carros, entraram na pista para comprovar que são mesmo tão velozes quanto as expectativas criadas desde que as mudanças técnicas para 2017 foram anunciadas. Digo comprovar porque, ainda que os testes de Barcelona tenham deixado indicações de que os tempos iam baixar sensivelmente, fica difícil mesurar quanto, em média, essa nova geração de ‘bestas’ será mais veloz.
 
Melbourne não é um circuito tradicional e fica difícil fazer previsões baseadas nos resultados da Austrália. Mesmo assim, é possível tirar algumas conclusões: em primeiro lugar, o tempo da pole-position não surpreendeu como esperado. Um ano atrás, Hamilton marcou 1min23s837 para sair da posição de honra. Em 2017, com todas as alterações aerodinâmicas e os novos pneus, o mesmo Hamilton conseguiu 1min22s188. 1s7 mais rápido do que há 12 meses, menos do que se esperava.
 
Pelas características do Albert Park, os mais de 30 kg extras de peso dos carros de 2017 devem ter cobrado seu preço para que a queda de tempos não fosse como se esperava. Importante lembrar que no GP da Austrália de 2016 a Pirelli ainda não havia introduzido os pneus ultramacios, os mais rápidos de seu cardápio.
 
No entanto, como a degradação dos novos pneus é muito menor, o tempo da volta mais rápida caiu de forma mais intensa; em 2016, Daniel Ricciardo com 1min28s997 fez a melhor volta da corrida. Em 2017, foi Kimi Räikkönen com 1min26s538, baixando em 2s6 o tempo do ano anterior. Detalhe: Kimi fez seu tempo na penúltima volta, com pneus já bastante rodados, o que demonstra que esse ano os pilotos vão poder acelerar durante as corridas sem medo de derreter os pneus.
(Ilustração: Marta Oliveira)

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Terminada a prova e anotados os primeiros relatos dos pilotos, soou o sinal de alarme em relação à dificuldade de ultrapassar. Nico Hülkenberg, Sebastian Vettel, Max Verstappen e Valtteri Bottas afirmaram que não dá para seguir o carro à frente sem destruir os pneus. Os carros maiores provocam muita turbulência e a maior carga aerodinâmica eleva a importância do ar limpo.
 
No entanto, acredito que mais da metade das ultrapassagens vistas na temporada passada ocorreram quando os carros se encontravam na pista em diferentes estágios do desgaste de pneus. Parando mais vezes – e com pneus de alta degradação – os tempos de volta variavam muito, possibilitando muitas ultrapassagens, até que um quadro mais claro de quem estava bem posicionado surgisse nas últimas voltas. Com pneus resistentes, os pilotos podem exigir bem mais e com constância, o que praticamente elimina a variável do pneu gasto versus pneu novo.
 
Ainda é cedo para avaliar se o campeonato será uma chatice, como já cravam alguns. Ok, Melbourne não foi das corridas mais excitantes, mas normalmente não é mesmo. Entretanto, não dá para deixar de celebrar o fato de que a Mercedes não nada mais de braçada. A Ferrari chegou de verdade e a Red Bull tem todas as condições para encostar. Bottas também fez uma excelente estréia e, discordando dos que o veem como incapaz de incomodar Hamilton, acredito que vai pressionar bastante o inglês. Patrick Head, que conhece muito bem a velocidade do finlandês, disse em entrevista recente que uma das coisas que mais o atraem na nova temporada é ver como Lewis vai lidar com seu novo  companheiro de equipe.
 
Para quem, como eu, pensava ver em 2017 os carros mais velozes de sempre, é importante notar que os tempos de corrida ainda são bastante inferiores aos conseguidos pelos bólidos de 2004! (diferença de 2s4 em Melbourne). Dai que a demanda física não surpreendeu quem havia pilotado naquela época – quando havia reabastecimento, muito downforce e corria-se continuamente de pé em baixo.
 
Sebastian Vettel voltar a sorrir é um grande benefício para a categoria, o tetracampeão alemão andava desmotivado e parece enorme a sua vontade de levantar o caneco. Se o carro corresponder, uma maré vermelha pode transformar em cinza chumbo o prata reluzente dos Mercedes.
Sebastian Vettel venceu o GP da Austrália (Foto: Reprodução/Twitter)
Ricciardo falhou feio ao bater nos treinos e vê Max Verstappen pular à sua frente com uma prova bastante sólida, começo ruim. Pérez andou muito bem, e, junto com Ocon, garantiu bons pontos para a Force (Pink Panter) India. Com apenas um carro a pontuar não será fácil para a Williams se manter à frente deles no campeonato dos ‘normais’.
 
Alonso está liberado para reclamar e botar pressão sobre a Honda, o que fez tão logo se aproximaram os microfones. Dirigindo o fino, controlou Ocon e Hülkenberg até a suspensão deixá-lo na mão (e não o motor!).
 
Enquanto isso…
 
…de promissor a incógnita em poucos meses, Pascal Wehrlein, ainda sofrendo as consequências do desastre na Corrida dos Campeões, teve de assistir do muro o promissor Antonio Giovinazzi ocupar sua vaga com categoria… 
 
…menos de um ano atrás, ao pontuar pela Manor, Wehrlein tonou-se herói. Ainda assim, com a chegada de Esteban Ocon, seu brilho foi se apagando até que Felipe Nasr marcou dois pontinhos em Interlagos e o jovem alemão foi quase esquecido. Se não voltar a dirigir na China e o italiano surpreender, corre risco de ver sua carreira terminar antes de começar de fato.

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