Coluna Apex, por Andre Jung: Turbulências

Muita coisa anda acontecendo no time do energético: o rompimento anunciado com a Renault, a recusa da Mercedes em proporcionar seus motores aos rivais e a promessa de um acordo tampão com a Ferrari para empurrar o carro de 2016

O GP de Cingapura do último domingo (20) trouxe de volta às primeiras filas os bólidos da Red Bull. Depois do desastre em Monza, Daniel Ricciardo conseguiu, enfim, voltar a exibir seu sorriso largo no pódio e nas entrevistas.
 
Apesar do doce sabor da champanhe, muita coisa anda acontecendo no time do energético: o rompimento anunciado com a Renault, a recusa da Mercedes em proporcionar seus motores aos rivais e a promessa de um acordo tampão com a Ferrari para empurrar o carro de 2016.
 
Desde sua entrada na categoria, a Red Bull deixou claro o tamanho de sua ambição. Contratou Adrian Newey e forneceu todos os recursos para que seu gênio pudesse produzir e desenvolver seus projetos até chegar às maravilhas que fizeram a alegria de Sebastian Vettel.
 
Comprou também outra equipe que, sediada na Itália, recebeu o nome do seu produto no idioma local, Toro Rosso, equipe que se tornou laboratório para o aprimoramento de seus jovens talentos e que surpreendeu a todos ao ser a primeira a vencer com as cores da bebida que dá asas, no GP da Itália de 2008, pelas mãos do prodígio alemão que agora corre na Ferrari.
 
Além disso, seu proprietário, o magnata austríaco Dietrich Mateschitz adquiriu e reformou a pista que um dia foi o velho Österreichring, antes de se tornar A1-Ring e que hoje tem o sugestivo nome de Red Bull Ring. Com a pista na mão e a influência dos seus milhões de euros, Mateschitz não teve dificuldade para levar a F1 de volta ao seu país natal.
 
Porém, desde que o novo regulamento de motores passou a vigorar, seus carros deixaram de figurar entre os candidatos ao título. Então, duas temporadas bastaram para que a Red Bull decidisse se separar da fornecedora de motores que desde 2007 equipa seus carros, um ano antes do final do contrato.
(Ilustração: Marta Oliveira)
Depois de desdenhar do papel de equipe-cliente da Ferrari, num claro desprestígio à imagem da escuderia italiana, o chefão austríaco, diante da resposta igualmente desinteressada dos italianos, decidiu passar para o ultimato: ou lhe dão um motor de última geração ou pega suas trouxas e se manda.
 
Em meio à crise instalada, surgiram especulações de que um acordo para a venda da equipe aos alemães da Volkswagen está em fase final de costura, o que indicaria uma entrada da Audi a partir de 2018, quando uma nova regra de motores deve ser instituída.
 
Agora, diante do escândalo da deliberada falsificação das emissões de seus carros movidos a diesel vendidos para vários países do mundo, que devem resultar numa multa bilionária, não precisa ser uma Mãe Dináh para pressentir que o projeto F1 passou para segundo plano.
 
Às vésperas do GP do Japão, a mídia mundial prepara reportagens para o provável anúncio da despedida de Jenson Button. O inglês, que hoje é o piloto em atividade com maior número de corridas disputadas, dá pista de que fará o anúncio agora, no GP do Japão, país natal de sua esposa, que ele considera sua segunda casa.
 
Além de agradar ao público feminino, Jenson sempre deixou na F1 a impressão de um piloto de imenso talento, competitividade e fair-play, coisa difícil de se ver nesse universo competitivo e narcisístico. Fará falta.
 
Embora o espetáculo das luzes seja muito atraente, o GP de Cingapura voltou a ser uma corrida sem ultrapassagens, onde o que vale é esperar para ver quem vai conseguir chegar ao final da prova, que, guardadas as proporções, se assemelha a uma corrida de endurance.
 
Aguentar as duas horas de duração dessa corrida sem procurar outra coisa pra fazer é difícil para qualquer um que não seja fanático pelo esporte.
 
Enquanto isso … 
 
…  depois de um período de resultados fracos, Felipe Nasr conseguiu chegar na frente do colega de equipe e voltou a pontuar . . . 
 
cresce a expectativa de uma nova ruptura entre Alonso e a McLaren . . .
 
a Toro Rosso fez papelão ao pedir que Max Verstappen cedesse seu oitavo lugar  para Carlos Sainz.
 
 

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