Coluna Apex, por Andre Jung: Vazamento seletivo

Entre as centenas de mensagens trocadas a cada corrida, poucas são abertas ao público. No caso de Fernando Alonso, o desabafo do piloto diante da luta inglória que encarava a cada volta em Suzuka não foi escolhido aleatoriamente, trazendo uma questão interna para evidência geral

Enquanto a F1 empacotava suas coisas e despachava tudo rumo à Rússia, uma nova equipe começava a tomar seus contornos finais para estrear no próximo ano. Americana (nunca desista!), a Haas chamou coletiva de imprensa para anunciar seu primeiro piloto contratado, o talentoso e veloz Romain Grosjean.

Depois de um início conturbado, com diversos acidentes e punições, Grosjean conseguiu cavar seu espaço demonstrando ter adquirido maturidade e consistência. Hoje, é um dos poucos pilotos a quem podemos atribuir a capacidade de andar mais do que o carro que pilota faria supor.

Esmagou Pastor Maldonado, que, verdade seja dita, sempre foi uma fonte de acidentes, mas nunca foi questionado por sua velocidade, e consegue pontuar com incrível constância correndo por uma equipe em crise com as finanças e os tribunais.

Seus resultados demonstram que a categoria se move devagar e estranhamente no que tange a colocação de seus melhores talentos. Tivesse Grosjean um carro à altura de sua performance, já colecionaria um belo número de vitórias em suas estatísticas. No entanto, depois de uma temporada brilhante, vai correr por uma equipe estreante.

(Ilustração: Marta Oliveira)

Verstappen Jr. vai abrindo caminho, com cara feia e pé pesado. Hoje, são poucos os que ainda questionam a capacidade do garoto de disputar corridas na categoria máxima do automobilismo. A meu ver, esse caso demonstra que a F1, sob o atual regulamento, produz corridas em que até mesmo um menino é capaz de suportar o baixo desgaste que esses carros trazem aos pilotos.

Para quem, como eu, viu diversos campeões acabarem as corridas em estado de penúria, totalmente esgotados pelo esforço físico, soa um tanto estranho que um garoto possa aguentar correr num F1.

A poeira do episódio da irada mensagem de Fernando Alonso ainda vai demorar um tempo para baixar. A esse respeito, o jornalista Bruno Vicaria, escreveu questionador artigo sobre a escolha das mensagens que são repassadas à audiência, e com que objetivos o fazem.

Entre as centenas de mensagens trocadas a cada corrida, poucas são abertas ao público. No caso de Alonso, o desabafo do piloto diante da luta inglória que encarava a cada volta em Suzuka não foi escolhido aleatoriamente, trazendo uma questão interna para evidência geral. Com prejuízo direto para o ambiente da McLaren Honda, estão contribuindo para o difícil momento por que passa a categoria e a equipe.

Dessa vez, Felipe Massa não largou bem e pagou por isso com um toque que arruinou sua corrida e a de Daniel Ricciardo. Uma pena ver dois protagonistas alijados da disputa logo de cara.

Esse foi mais um dos fatores que ajudaram o GP do Japão — no monumental Suzuka, palco de tantas histórias — ter proporcionado uma das corridas mais maçantes da temporada. Com Nico Rosberg cada vez mais dominado, Lewis Hamilton passeia, e disputas por vice-campeonato e outras posições secundárias não são suficientes para manter o interesse.

Uma situação que justifica a sangria de audiência e que, no final, vai se refletir em queda nos valores de patrocínio que a categoria é capaz de alavancar. Dentro desse contexto, a ameaça da Red Bull de deixar a categoria tem a ameaçadora força de um tsunami.

Niki Lauda, austríaco que goza de boa relação com o conterrâneo Dietrich Mateschitz, afirmou nessa semana que o magnata perdeu o encanto e deixou de atuar junto à equipe, num sinal de que ele não está blefando quando fala em levar seus milhões para outra freguesia.

Felipe Nasr está em crise, vê seu companheiro aparecer mais e não consegue reagir. Em Suzuka, Marcus Ericsson cometeu muitos erros. Mas, ainda assim, foi mais eficiente do que o brasileiro. Hoje, Nasr está ajudando a recuperar a imagem do outrora desvalorizado piloto sueco.

Enquanto isso . . .

. . . Button segue mantendo o suspense . . .

. . . sob a complacência de Bernie Ecclestone, Force India e Sauber, em profunda crise financeira, entram com queixa contra a F1 na União Europeia . . .

. . . Pastor pontuou.

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