Coluna Rookie Text, por Douglas Borges: O exagero sobre o protagonismo dos pneus

Eu não consigo enxergar isso como certo. Não há apenas uma “atenção especial” quanto aos pneus. A atenção é total, sendo os pneus as grandes estrelas do show. Não, está errado. Está errado

Eu tentei, juro que tentei. Eu não queria escrever essa falando sobre os famigerados pneus Pirelli. Eu não queria, mesmo. Mas, se não isso, sobre o que falar? Os último dias pós GP de Mônaco foram dedicados quase que com exclusividade ao assunto, no que se diz respeito à F1. A notícia de um teste secreto feito pela Pirelli em conjunto com a Mercedes pegou todos de surpresa, levantando várias questões e criando boas polêmicas. 

Todas as outras dez equipes protestaram veementemente, dizendo que aquilo era um absurdo e tudo mais. Utilizando o carro de 2013 e os pilotos titulares da escuderia, Nico Rosberg e Lewis Hamilton, a Mercedes supostamente levaria uma vantagem com esses testes. Isso se agrava com fato da equipe ter a reputação — merecida — de ter o carro que mais consome a borracha, e então, logo na corrida seguinte a esse teste secreto, ela vence sem ter que lidar com qualquer tipo de problema no trato dos compostos.
Hembery e seus pneus estão entre os protagonistas da temporada 2013 da F1 (Foto: Pirelli)

“Significa” diria o outro. Mas não, não significa, diria eu e qualquer que sabe juntar dois fatos em uma linha de raciocínio lógico. O Principado tem notoriedade como a pista mais carinhosa com os pneus, é o traçado que não maltrata a borracha. Daria para fazer uma parada sem muitos sacrifícios, veja só. Perto dos quatro pit-stops vencedores da Ferrari na Catalunha, por exemplo, seria uma pechincha. Soma-se a isso a questão das entradas do Safety Car — que diminui o ritmo dos carros e, por consequência, o desgaste dos pneus — e uma bandeira vermelha que possibilitou uma troca de pneus gratuita, digamos assim. 

As condições da corrida foram perfeitas para o time alemão, uma vitória até certo ponto fácil, com tudo dando certo no quesito “pneus”.

Pneus, sempre eles, os pneus.

Dizer que eles são os protagonistas da temporada é chover no molhado, fala algo que qualquer símio já percebeu. Em sites e jornais, o nome de Paul Hembery é mais comumente citado do que de Sebastian Vettel, Fernando Alonso, Kimi Raikkonen e companhia. Eu não consigo enxergar isso como certo. Não há apenas uma “atenção especial” quanto aos pneus. A atenção é total, sendo os pneus as grandes estrelas do show. Não, está errado. Está errado.

Uma semana antes do tão esperado GP da Canadá, estamos aqui discutindo sobre pneus, e testes de pneus, e pneus novos, e pneus para o ano que vem e, veja, só se fala em pneus! Coisas que fariam certo barulho, normalmente, passam quase em branco. A adoção dos motores Mercedes por parte da Williams para o ano que vem, por exemplo, nem foi um assunto tão comentado. Estávamos preocupados com (oh!) a polêmica do teste de pneus da mesma Mercedes em Montmeló.

Essa não é a F1 que eu quero acompanhar. Infelizmente. Sinto-me cada vez mais atraído por outras categorias — Indycar, DTM, WEC, etc. Ainda que eu esteja exagerando, e eu espero estar, a situação está crítica e precisa ser revista. Ano que vem haverá um novo regulamento e, se os compostos novamente roubarem a cena, seria um anticlímax total. Só espero não estar daqui um ano escrevendo um texto sobre motores, e como eles comandam a F1, pedindo de volta a polêmica dos pneus.

Quem é Douglas Borges? De São Carlos, cresceu vivendo o automobilismo e espera continuar a fazer isso por muitos anos. Cursando a segunda série do Ensino Médio, é fã convicto de Red Hot Chili Peppers e Force India. Lamentou amargamente a morte de Dan Wheldon, um ídolo desde sempre. Trabalha com os pais, mas pretende seguir a carreira de jornalista em um futuro não muito distante. Escreve também para o Blog Sexta Marcha.

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