Coluna Rookie Text, por Gabriel Araújo: Protesto nosso de cada dia

A população barenita sofre com um regime monárquico de décadas, base de todos os conflitos que envolvem o povo da pequena ilha, de maioria xiita. Protestos assolam de canto a canto o país que anualmente se escala para receber as máquinas da F1 e fingir que vai tudo muito bem, tudo muito bom, às mil maravilhas como em um conto árabe

Calendário básico: com uma corrida na China em seu meio, faltam cerca de três semanas para o GP do Bahrein. Mas desde já a prova se vê envolvida em dificuldades políticas que não são novidades para ninguém que, mesmo de longe, acompanha a F1 e que, inclusive, ameaçaram a realização do evento, cancelado em 2011, na última temporada.

 
A população barenita sofre com um regime monárquico de décadas, base de todos os conflitos que envolvem o povo da pequena ilha, de maioria xiita. Protestos assolam de canto a canto o país que anualmente se escala para receber as máquinas da F1 e fingir que vai tudo muito bem, tudo muito bom, às mil maravilhas como em um conto árabe.
 
Não está. É muito claro. Qualquer um sabe que não há a mínima condição para a realização de um GP no país. Exceto Bernie Ecclestone e companhia, os reis do ‘abafa’. E para quem não concordar, a porta dos fundos é serventia da casa.
O povo não quer corrida no Bahrein. Mas o dinheiro quer (Foto: Divulgação)
 
Em 2011, em raro momento de lucidez de seus organizadores, a prova acabou cancelada por conta dos conflitos políticos. À época, o príncipe barenita Salman Al-Khalifa declarou “sentir a importância de concentrar o país em suas questões imediatas de interesse nacional”, colocando panos quentes sobre a situação.
 
Na temporada passada, porém, Ecclestone disse que uma equipe controlava a situação, confirmando a realização da prova, que aconteceu entre inúmeros e sangrentos protestos, enquanto um membro da família real afirmou que “uma pesquisa foi feita e 77% da população concordou com a realização”. Grande mentira, típica de governos como o do Bahrein.
 
Mortes ocorreram antes, durante e depois da corrida, e uma bomba explodiu próximo a um veículo com integrantes da Force India, que não participou de uma sessão de treinos livres. Mas falemos sério: é apenas mais uma pacata nação a receber uma nada endinheirada F1, não?
 
Os protestos contra a principal categoria do automobilismo mundial no Bahrein já começaram, 20 dias antes de mais um GP. Mas novamente os organizadores desfilarão pelo paddock com sorrisos abertos como se nada estivesse acontecendo. Afinal, o que é o povo perto do dinheiro?
 
GP da China
 
A corrida em Xangai será prova de fogo para a McLaren, que somou apenas quatro pontos nas duas primeiras provas da temporada. A escuderia de Woking precisa mostrar a que veio, já que a cada ano o início de campeonato é mais importante. Quem larga na frente vê os resultados positivos no final. A temporada europeia não espera mais.
 
E, claro, o foco central será a dupla da Red Bull, envolvida na grande polêmica do GP da Malásia. Aguardemos as reações de Sebastian Vettel e Mark Webber. O coro vai comer entre os rubrotaurinos.

GABRIEL ARAÚJO | Paulista de Jacareí, interior de São Paulo, tem 15 anos e está no primeiro ano do Ensino Médio. É fã de esportes e torce para o Corinthians. Colabora com a web rádio' Premium Esportes' e pretende ser jornalista. Acompanha a F1 desde 2004 e, quando começou a assistir corridas, achava que Jarno Trulli ganharia todas. Não ganhou, mas cá está ele. No Twitter, @gabriel_araujo1.

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