Coluna Rookie Text, por Vitor Fazio: Promessas e Decepções

Di Resta é somente isso: bom. Nunca houve um grande lampejo de talento, nunca se viu arrojo ou apresentações épicas. Todos seus resultados vieram em cima de uma Force India que consome menos pneus. Mesmo assim, sempre ficou no quase

 
Em tempos de ebulição no mercado de pilotos e assinaturas de contratos para a F1, é normal que alguns nomes sejam defenestrados da categoria. Um dos nomes que se encaminha para uma retirada é o de Paul di Resta, que vê o fim da linha cada vez mais de perto, após efêmeros três anos de Force India.
 
É sempre triste falar de um piloto bom que se vê sem espaço na F1. Mas o problema é que o escocês, de 27 anos, é somente isso: bom. Nunca houve um grande lampejo de talento de Di Resta, nunca se viu arrojo ou apresentações épicas. Todos seus resultados vieram em cima de uma Force India que consome menos pneus. Mesmo assim, sempre ficou no quase pódio e na quase pole. Paul não viu muitos motivos para sorrir.
Paul di Resta (Foto: Getty Images)
2013 foi o supra-sumo do 'café com leite'. Exceção feita a uma grande performance no treino para o GP da Bélgica, o ano foi um marasmo completo, com direito a sete corridas consecutivas fora da zona de pontos. Ser melhor que Adrian Sutil foi o único ponto positivo da temporada.
 
Poderíamos ser benevolentes e imaginar que essa ausência de resultados (e futuro) seja proveniente de um carro que é somente médio. Mas não é só isso: falta o ritmo e o desejo de alcançar algo além do que a situação parece permitir. Mesmo que Di Resta fosse um Highlander e pudesse passar o resto da eternidade correndo em monopostos, não creio que um dia fosse conseguir algo realmente expressivo.
 
Um fim bastante contraditório com o que o início parecia indicar: Apadrinhado pela Mercedes, Di Resta vinha a peso de ouro. Possuía um currículo acima da média, que incluía até um título do DTM. Mas ficou nisso. Suas aventuras no turismo não foram suficientes para bater Sutil e Hülkenberg nos seus dois primeiros anos de F1. Pouco a pouco, a imagem de Paul ia ficando manchada e diminuta, se transformando em um figurante de luxo.
 
Para fins de análise, é válido lembrar que Di Resta enfrentou nomes como Hamilton e Vettel nas categorias de base, sem passar vergonha (inclusive batendo o alemão em 2006). Os anos passaram, todos tinham empresas grandes patrocinando, todos chegaram à F1, mas Paul ficou para trás. Quase um Martin Brundle do novo século, assistindo os Ayrtons vencendo corridas e títulos.
 
O futuro ainda soa indefinido. Existe uma ótima vaga aberta nos Estados Unidos, originaria da aposentadoria precoce do primo Dario Franchitti. O DTM, onde reinou, também é uma possibilidade e lhe daria chances de vitórias – assim como a vaga americana. Mas a verdade é que qualquer coisa que não seja a F1 seria um retrocesso nos sonhos de alguém que almejava honrar a alma escocesa na categoria maior, seguindo os passos de Clark e Stewart. Di Resta prometeu muito e nada cumpriu.
 
 

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