Com Albon inconstante e Gasly ignorado, Red Bull precisa pensar em 3ª via

O último piloto contratado ‘de fora’ pela Red Bull foi Mark Webber em 2007. Mais de uma década depois, essa alternativa volta a ser interessante para uma equipe que não dá o braço a torcer para Pierre Gasly e que lida com um pouco confiável Alexander Albon

A Red Bull segue fazendo mistério a respeito do companheiro de Max Verstappen para 2021. Nenhum dos dois grandes candidatos aparece como franco favorito: Alexander Albon ainda não chegou ao patamar esperado, enquanto Pierre Gasly segue sem entusiasmar muito o chefe Christian Horner, em que pese a grande vitória no GP da Itália. Seguindo a lógica, uma opção sempre ignorada começa a fazer algum sentido: e se a escuderia decidir trazer alguém de fora para assumir a vaga aberta?

Essa opção ainda é improvável, mas começa a fazer sentido quando se analisa o panorama atual. Diversos pilotos do grid atual estão em melhor fase que Albon. Gasly sendo o exemplo óbvio disso. Só que, por mais improvável que seja, ainda não é impossível por uma razão simples: Alexander ainda não está com contrato renovado, o que seria simples de fazer caso vivesse fase um pouco melhor.

Mais do que fazer sentido ter uma carta na manga, faz-se necessário caso o bom momento de Gasly siga ignorado. Se a Red Bull quer mesmo que o francês siga crescendo na AlphaTauri, mas talvez também decidindo que é hora de buscar um substituto para Albon, esperar demais para agir pode ser um erro fatal. Uma simples olhada ao redor já bastava para perceber Sergio Pérez, sem contato para 2021 e com potencial de fazer bem mais na condição de companheiro de Verstappen. Se Christian Horner quiser ousar mesmo, até mesmo um nome como o de Nico Hülkenberg faria sentido.

A Red Bull aposta as fichas em Alexander Albon. Faz certo? (Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool)

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Pérez, Hülkenberg ou qualquer outro seria um nome não para brigar por título com Verstappen, mas para preencher uma carência existente desde 2018. A saída de Daniel Ricciardo criou vácuo na Red Bull ainda não preenchido. Salvo exceções, um problema de Verstappen praticamente acaba também com as esperanças de grandes resultados dos taurinos. Essa posição é aceitável para equipe menores, mas não para uma que vence corridas com relativa frequência e tem como objetivo ameaçar a Mercedes. Na comparação com os atuais campeões, falta achar uma espécie de Valtteri Bottas para acompanhar um piloto no nível de Lewis Hamilton.

A tal via alternativa, de trazer um piloto de fora, é algo que não ocorre há tempos na Red Bull. O último caso foi o de Mark Webber, contratado no já distante 2007. Não foi mais necessária de lá para cá porque a equipe teve uma miríade de bons talentos: Verstappen, Ricciardo e Sebastian Vettel foram responsáveis por anos dourados em Milton Keynes. Só que a realidade agora é outra: se Horner decidir que Albon e Gasly não são suficientemente bons, não há nenhum outro realmente apto para assumir uma vaga na F1 agora. Jüri Vips e Yuki Tsunoda são jovens demais e talvez nem tenham superlicença tão cedo.

Tudo seria mais fácil se a Red Bull pensasse em Pierre Gasly (Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool)

O que joga contra a possível chegada de um piloto de fora é, de certa forma, o orgulho. Essa opção dá de ombros aos milhões investidos na formação de pilotos, sempre com atenção redobrada de Helmut Marko. Mesmo que Gasly não convença ainda e que Albon siga hesitante, sempre haverá o argumento favorável de que os dois são pilotos encontrados pela Red Bull, em maior ou menor escala.

O curioso é que esse debate inteiro, assim como esse texto, só existe por um motivo: a resistência da Red Bull em dizer que considera Gasly para 2021. Os argumentos variam, citando uma suposta evolução e superioridade de Albon e o bom encaixe do francês na AlphaTauri. É nobre a tentativa da escuderia de proteger o tailandês, mas o fato é que só se fala em terceira alternativa porque aquela que deveria ser a primeira segue escanteada.

Uma decisão final já parece questão de tempo, ainda mais com o mercado de pilotos se aproximando de seus movimentos finais. Se a Red Bull não gosta de Albon ou Gasly, que entre em ação logo. Caso contrário, fica condenada a aturar algo que nem gosta direito. E pior: que pode nem ser a solução para voar mais alto na Fórmula 1.

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