F1

Com dupla que não impressiona, Renault vai atrás de Massa e vê entrave para 2017: salário alto

A equipe francesa entende que não vai além com a dupla atual formada pelos frágeis Jolyon Palmer e Kevin Magnussen. Assim, tem ido ao mercado para falar com pilotos que estejam disponíveis para o ano que vem e sejam experientes. Só que, na visão da montadora, Felipe Massa, com quem já conversou, é caro
Warm Up / VICTOR MARTINS, de São Paulo
 Felipe Massa durante o terceiro treino livre em Montreal, no Canadá, neste sábado (Foto: Getty Images)

A Renault sabia que teria um 2016 dos mais complicados na F1. Efetivado seu retorno como equipe tardiamente, a montadora francesa tem sido, na prática, uma extensão do trabalho terminado pela Lotus na temporada passada. Passou por ajuste técnico e estético: de aurinegros, os carros vestiram o tradicional amarelo. E pegou os pilotos que julgou mais aptos para o momento: sem Romain Grosjean, que já tinha assinado com a Haas, restou-lhe ficar com o reserva Jolyon Palmer, campeão da GP2 em 2014; Pastor Maldonado, que tinha contrato, viu-se sem a vaga ao ficar de bolsos vazios. Daí chamaram Kevin Magnussen.

Ambos tinham uma coisa em comum: o hiato de um ano sem disputar campeonato algum. Com oito corridas passadas nesta temporada, nota-se que, no mínimo, pesou: o inglês e o dinamarquês colecionam acidentes – o fim de semana em Mônaco é taxativo – e vexames – como o de obter a última fila do grid no GP do fim de semana em Baku, atrás das fracas Manor e Sauber. O resultado também se deve à potência limitada do motor, mas nos bastidores, a Renault já tem a devida noção de que os dois não impressionam e pouco extraem do RS16.  

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Kvyat acerta Magnussen na entrada da Rascasse (Foto: Twitter)

Com uma reputação a zelar, é natural que as conversas para uma troca de pilotos já tenham se iniciado. Em um primeiro momento, falaram no atual reserva, o ótimo Esteban Ocon, e até mesmo no dispensado Maldonado para eventuais e pontuais substituições; nos últimos tempos – e como 2017 está logo aí –, o nome de Felipe Massa gerou interesse. Cairia bem ter um piloto experiente para resgatar o protagonismo e dar base a um jovem, nos moldes de Fernando Alonso/Nelsinho Piquet e, principalmente, Robert Kubica/Vitaly Petrov. E, assim, as partes se ouviram.

O que pega para a Renault em um primeiro momento é o salário. Massa é tido como um piloto caro, segundo o GRANDE PRÊMIO ouviu de fontes da montadora. Atualmente, segundo os ‘insiders’, Felipe ganha algo em torno de US$ 4,5 milhões por ano – cerca de R$ 15 milhões. Magnussen e Palmer, que recebem o mesmo, juntos somam US$ 1,8 milhão – perto de R$ 6 milhões. É um cenário que a Renault tem de considerar porque em 2017 haverá uma mudança técnica no regulamento, que sempre resulta em gastos consideráveis.
Felipe Massa (Foto: Williams)

Houve tempos, também, que o mercado brasileiro pedia um piloto brasileiro na Renault, cujo presidente é o brasileiro Carlos Ghosn. O Brasil é uma das grandes praças de vendas de modelos de rua, mas hoje já não é – tanto pelo momento econômico quanto por a F1 não ser mais a menina dos olhos das concessionárias.

Assim, o cenário atual aponta para uma renovação de Massa com a Williams, se assim as partes quiserem.

Diante desse leque, é bem possível que a Renault aguarde o movimento do resto do grid para abocanhar quem estiver dando sopa. Uma garagem em especial requer uma atenção: a da McLaren. Se por lá ficar como está, com Alonso e Jenson Button, um telefone irá tocar. Ou, nestes tempos modernos, o WhatsApp de Stoffel Vandoorne há de receber um ‘oui, comme ça va?’.
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