Com Hamilton tão perfeito, nem chuva salva. Mas GP da Bélgica tem mais a mostrar

A volta da pole foi absurda e já coloca Lewis Hamilton mais do que favorito à vitória, mesmo que desabe o mundo em Spa neste domingo. Como de costume, Max Verstappen parece ser o único a enfrentar os carros pretos, faça chuva ou faça sol, e será um rival duro. Só que a corrida belga promete bem mais ainda, especialmente a partir do pelotão liderado por Daniel Ricciardo

Não há palavras para o que Lewis Hamilton faz na Fórmula 1 em 2020. O inglês já vive há algum tempo o melhor de sua forma, mas a temporada atual vem revelando um Hamilton no controle de tudo. E a isso se chama perfeição. A volta que lhe deu a 93ª pole da carreira neste sábado (29), em Spa-Francorchamps, foi mais uma prova da excelência deste piloto, que vai muito além do carro que guia. Lewis dispensou o vácuo, foi certeiro em todas as tomadas de curvas, freadas e tirou tudo de um W11 bem acertado para decidir no segundo setor. Como a Mercedes partiu para uma configuração de mais asa, justamente para voar no trecho mais importante do circuito, o britânico não queria ninguém à sua frente – o carro #44 foi o primeiro que surgiu dos boxes nos instantes finais da classificação. E o giro que o põe no lugar de honra do grid deste domingo foi completado com o tempo de 1min41s252 – 1s3 melhor que a pole do ano passado, inclusive. E novo recorde do velocíssimo circuito belga. Dá para encerrar esse caso aqui.

Hamilton estava tão distante da realidade do restante que a vantagem para Valtteri Bottas foi de 0s511. Mas se Lewis corre em liga própria e a realidade é o finlandês, então dá para dizer que Max Verstappen, sempre ele, está no páreo. O danado do holandês conquistou uma importante segunda fila, mas a força é demonstrada no pelinho que o separou do nórdico: apenas 0s015. O fato é que Verstappen ainda fez algo fundamental: classificou para o Q3 com os pneus médios, os mesmos que serão usados pela equipe da estrela. Ou seja, a igualdade de estratégia já confirma a performance sólida do RB16 em Spa. E assim como os adversários alemães, os austríacos também decidiram por um acerto de maior pressão aerodinâmica. Talvez não com uma carga mais acentuada, mas certamente muito semelhante.

Mais uma vez, a briga se desenha em um embate Hamilton x Verstappen (Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool)

Tal configuração proporciona mais desempenho no trecho formado por curvas como Rivage, Pouhon e Stavelot. Quer dizer, a parte central da longa pista na floresta das Ardenas. É claro que há uma perda de velocidade em reta, mas isso acaba sendo minimizado pelo bom equilíbrio dos carros – o que o RB16 e o W11 parecem ter em comum. Para os ponteiros, as temperaturas mais baixas também não serão problema, assim como um eventual desgaste excessivo da borracha mais macia ou mesmo da chuva. Na verdade, com mais pressão aerodinâmica, a tendência é que o carro tenha maior estabilidade e ritmo. Ou seja, é possível esperar uma corrida parelha entre ao menos uma Mercedes e uma Red Bull. Agora se a intempérie se fizer presente, a história fica melhor.

Mesmo sem depender da pista molhada, o GP da Bélgica terá outras atrações interessante a começar por esse Daniel Ricciardo na quarta colocação do grid. A Renault parece ter dado um passo à frente com o motor, e isso permitiu que tanto o australiano quanto Esteban Ocon esbanjassem velocidade dos trechos de pé embaixo de Spa. Sim, há um set-up que prioriza as retas, o que pode tornar tudo mais intrigante para o domingo. Os carros franceses vão voar, mas terão trabalho na parte mais sinuosa da pista e aí que McLaren e Racing Point podem abrir caminho. A verdade é que as três equipes estão no mesmo patamar de desempenho, com pequenas variações aqui e ali, devido ao acerto, basicamente.

Portanto, a diversão aí está garantida, sem descartar a AlphaTauri. Daniil Kvyat e Pierre Gasly ficaram no Q2 por muito pouco, questão de milésimos. Então, é mais do que justo os colocar mais perto desse grupo intermediário, especialmente considerando que os dois poderão escolher os pneus na largada. Às vezes, a Fórmula 1 prega algumas peças: há etapas em que a diferença de performance é tão gritante que a única forma de obter um resultado surpreendente vem através da chuva, porém a Bélgica está mostrando um ponto bem fora da curva. Mesmo sem a interferência de São Pedro, a corrida promete bem mais.

E o roteiro dessa sétima etapa da temporada não ficaria completo sem uma dose de drama. De novo, a Ferrari é quem flerta com o vexame. A crise não é mais segredo, mas o que acontece em Spa vai muito além: o carro vermelho não tem desempenho. Simples assim. Por pouco, o time de Maranello não caiu no Q1 por performance – algo que certamente entraria para a história e muitas cabeças seriam cortadas imediatamente. O caso é que Charles Leclerc e Sebastian Vettel tiraram no braço esse déficit e, ao menos, asseguram lugar na segunda parte do treino que decidiu as posições de largada. Foi um respiro, mas não alivia a pressão.

MATTIA BINOTTO; FERRARI;
Situação é feia, Mattia Binotto (Foto: Scuderia Ferrari)

Os homens de vermelho parecem perdidos. O fim de semana começou com um acerto mais agressivo em relação ao downforce. A ideia era ganhar velocidade nas retas, mas a perda no segundo setor se tornou um pesadelo. Neste sábado, a equipe de engenheiros voltou atrás e decidiu por uma configuração mais conversadora. Só que os problemas ainda se estendem para os pneus: tanto Leclerc quanto Vettel não conseguem dar temperatura à borracha. E isso é uma questão em um lugar frio como Spa. Nem a chuva será capaz de amenizar o sofrimento ferrarista, que se prepara ainda para duas corridas em casa nas próximas semanas.

Em termos de tática, a Pirelli aponta para uma prova de uma única parada, como sendo a estratégia mais veloz. No papel, seria o seguinte: começar com pneus macios por 18 voltas e depois terminar a corrida com pneus médios. O oposto também pode funcionar – caso das duas ponteiras. Um segundo cenário seria usar os compostos vermelhos por 16 passagens e trocar pelos duros, para mais 28 giros. Ainda há a possibilidade de dois pits, trabalhando com pneus macios e médios.

De qualquer forma, o clima será mais decisivo que as estratégias para a maioria. Hamilton e Verstappen caminham por rumos diferentes.

O GP da Bélgica tem largada marcada para 10h10 (de Brasília) deste domingo. Antes, às 9h, o GRANDE PRÊMIO debate AO VIVO todos os detalhes da sessão classificatória e as últimas informações de Spa-Francorchamps no BRIEFING pré-corrida da sétima etapa da temporada 2020 da F1 no canal do GP no YouTube.

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