Com ingressos esgotados, F1 tenta pela décima vez realizar sonho de fazer a América

O Circuito das Américas, construído em Austin para receber o Mundial de F1, é a décima pista norte-americana a receber a categoria. Mais uma tentativa de fazer a categoria cair no gosto do público mais consumista do planeta. Agora vai?

Especial GP dos Estados Unidos

 Antes de chegar ao sul em Austin, F1 cortou EUA de leste a oeste e viu até prova de seis carros
► Após quase dois anos de obras, Circuito das Américas está pronto para receber F1. Confira galeria

Neste domingo (18), às 17h (de Brasília), o GP dos Estados Unidos voltará a ser disputado após cinco anos. Em Austin, capital do estado do Texas, numa pista construída especialmente para a F1, os dirigentes da categoria máxima do automobilismo mundial tentarão mais uma vez fixar suas bases em solo norte-americano e conquistar o mercado mais atraente do planeta. Será nada menos que a décima tentativa de fazer a F1 emplacar por lá.

Somando GP dos Estados Unidos, GP do Leste dos Estados Unidos, GP do Oeste dos Estados Unidos, GP de Las Vegas e 500 Milhas de Indianápolis, e contando com a corrida de 2012, 63 corridas aconteceram no país mais rico do mundo. Uma média de uma prova por temporada desde que o campeonato foi criado, em 1950. Mas, afinal, o que impede a F1 de realizar o “sonho de fazer a América”?

Nenhum país teve tantos circuitos recebendo o Mundial de F1 como os Estados Unidos. Além de Austin, onde o circo já está sendo montado para os treinos livres, a partir de sexta-feira, a extensa lista de autódromos e pistas de rua ainda tem Indianápolis, Sebring, Riverside, Watkins Glen, Long Beach, Dallas, Las Vegas, Detroit e Phoenix. Em 2014, se tudo der certo, Nova Jersey também constará nesta lista, como palco do GP da América – inicialmente, a corrida estava prevista para 2013, mas foi adiada.

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Chegou a hora. Austin vai receber a F1 pela primeira vez neste fim de semana (Foto: Circuit of the Americas)

Aprendendo com os erros do passado

Nos arredores de Nova York, Watkins Glen foi o autódromo que mais deu certo. Ao todo, 20 corridas aconteceram por lá, entre 1961 e 1980. “Parecia que Watkins Glen seria nossa verdadeira casa, ficamos por lá 19 anos e foi extremamente bem sucedido, mas não investimos ou fizemos mudanças, o que foi nosso grande erro”, declarou, recentemente, Mario Andretti, em entrevista ao jornal ‘Observer’.

Último norte-americano campeão mundial, em 1978, Andretti completou a primeira volta a bordo de um carro de F1 ao redor do Circuito das Américas, e gostou muito do que viu. Mas admitiu que, até pouco tempo atrás, ainda estava um pouco pessimista. “Quando vi o lugar, em junho, eu tive minhas dúvidas e nunca acreditei que fosse à frente. Mas fiquei impressionado com o trabalho feito desde então. Eles tiveram algumas dificuldades porque o projeto parou em mãos diferentes, porque o projeto parou em mãos diferentes, mas havia uma paixão e uma vontade para fazer o milagre de tudo estar pronto”, declarou.

A desconfiança de Andretti tinha razão de ser. No fim de 2011, a prova de Austin chegou a ser cancelada. Os primeiros problemas aconteceram no meio do ano passado, quando a primeira parcela que deveria ser paga pelos promotores para Bernie Ecclestone, detentor dos direitos comerciais da F1, não foi paga, por conta de divergências entre Tavo Hellmund e Bobby Epstein, os idealizadores do projeto. O primeiro contrato entre a FOM e o GP dos EUA fora firmado com Hellmund, e precisou ser cancelado. Isso levou à negociação de um contrato novo, dentro de outros termos. Enquanto a decisão não saia, Ecclestone chegou a dizer que a corrida deste domingo não aconteceria. Um consenso definitivo entre as partes foi alcançado aos 48’ do segundo tempo. Este acerto também colocou fim às interrupções constantes das obras, diante da incerteza com relação ao futuro da corrida.

Voltando ao que Andretti comentou a respeito do antigo circuito de Watkins Glen, faltou modernizá-lo. A pista segue sendo utilizada pelas principais categorias norte-americanas, mas não atende mais às exigências da F1. Só que, com Austin, os Estados Unidos passam a ter uma nova Glen, adaptada aos dias de hoje, e não circuitos improvisados em estacionamentos, o infield de Indianápolis ou em lugares pouco atraentes, como foram as corridas disputadas em Phoenix.

Campeão mundial, Mario Andretti chegou a pensar que o projeto não iria vingar (Foto: Circuito of the Americas)

Oportunidade de ouro para conquistar o mercado norte-americano

Levando em consideração justamente este aspecto, Martin Whitmarsh, chefe da McLaren, acredita que é agora ou nunca para a F1 cair de vez no gosto do público norte-americano.  “A chegada de um circuito de última geração, construído para grandes prêmios, é perfeita para a F1. Esta é uma oportunidade de ouro para o esporte finalmente encontrar uma casa a longo prazo [nos Estados Unidos]”, concluiu o dirigente, que também lamentou os cinco anos de hiato desde a última prova disputada em Indianápolis, em 2007.

No que diz respeito ao público que comparecerá ao autódromo, o panorama vai se mostrando animador. Quer dizer, melhor impossível. O Circuito das Américas é capaz de receber 120 mil espectadores e, na noite desta terça-feira, o site do autódromo já informava que as entradas estão esgotadas para o evento inaugural. Por outro lado, existe uma pequena preocupação com relação ao transporte dos fãs até o local do GP, que está afastado da cidade e possui poucas vias de acesso.

Por outro lado, de certa forma, é uma incógnita a audiência que a prova terá na televisão norte-americana, afinal, o GP dos EUA terá concorrência forte. O público em geral terá a opção de trocar a F1 pela rodada da liga de futebol americano, a NFL. E o público cativo do esporte a motor terá outra opção tão ou mais atraente que a F1: a final da Nascar. Para piorar, as largadas de ambas as corridas estão marcadas para o mesmo horário.

E o futuro?

Caso a F1 vá mesmo para Nova Jersey em 2014, aí sim a categoria pode receber um grande impulso, que contribua também para o aumento da prova de Austin e da categoria como um todo na América. Se depender da vontade dos organizadores do GP da América, a etapa do Mundial será um evento maior que o Super Bowl, o grande dia do esporte nos Estados Unidos.

"O planejamento é enorme. Isto é como um fim de semana de Super Bowl, mas com mais pessoas e em três dias. O Super Bowl vai acolher 80 mil pessoas. Aqui, em Nova Jersey, vamos ter mais de 100 mil na corrida. Partindo do ponto de vista operacional, será o maior evento do país”, afirmou Dennis Robinson, diretor da prova, no fim de agosto.

O GP dos Estados Unidos de Austin

As atividades em Austin acontecerão em um horário bastante incomum para os brasileiros. Os treinos livres terão início às 13h de sexta-feira, com a segunda sessão marcada para as 17h. No sábado, o treino classificatório acontece às 16h e a corrida, no domingo, às 17h. Em virtude da coincidência com o horário da rodada do Campeonato Brasileiro, o GP dos Estados Unidos, que pode decidir o título mundial a favor de Sebastian Vettel e da Red Bull, não terá transmissão na TV aberta no Brasil — a exibição fica por conta do canal esportivo pago da Globosat, o SporTV.

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