Com início apático e fadada ao fracasso, Haas já aceita rabeira na F1 em 2021

A Haas tem foco declarado em 2022 e no novo regulamento da F1. Para finalmente atingir o ‘sonho americano’, os comandados de Günther Steiner abrem mão da atual temporada, que começou marcada pelo fraquíssimo desempenho da equipe e das muitas barbeiragens de Nikita Mazepin no Bahrein

Acidente de Nikita Mazepin no GP do Bahrein (Vídeo: F1)

Vice-lanterna em 2020, a Haas diz que olha para o futuro, visando aproveitar a mudança de regulamento que será promovida na F1 em 2022 para, finalmente, se tornar uma equipe mais competitiva. Mas, antes de 2022 chegar, a temporada de 2021 está aí, basicamente abandonada pela equipe, que além de focar suas forças e recursos no próximo ano, conta com dois novatos em seus carros, ou seja, pouca ou quase zero experiência para desenvolvimento do projeto.

E um dos novatos vai se mostrando praticamente inapto a estar na Fórmula 1. Após um ano que não foi dos piores na Fórmula 2, Nikita Mazepin subiu apoiado pela fortuna do pai, o magnata Dmitry Mazepin. Na categoria principal, no entanto, o desempenho vai sendo dos piores: uma pré-temporada fraca e um GP do Bahrein pior, com rodadas no Q1 e um acidente logo na primeira volta, causando um dos abandonos mais rápidos dos últimos tempos.

Por enquanto, no entanto, ao menos externamente isso não é algo que incomode dentro da equipe. O próprio chefe dos americanos, Günther Steiner, declarou que um provável último lugar em 2021 não assustará ninguém por lá. “Nós sabemos que existe o risco de cairmos para o último lugar, mas precisamos aceitar isso. Nós precisamos entender que o correto é pensar lá na frente e não no que vai acontecer agora. Se pensarmos só no agora, aí vai chegar em 2022 e a gente vai estar atrasado, pensando no carro de 2022. É muito difícil buscar os carros da frente com as restrições aerodinâmicas e o nosso orçamento, então você precisa pensar lá na frente”, afirmou o dirigente à revista britânica Autosport.

Guenther Steiner, chefe da Haas, já se diz conformado com uma possível lanterna no mundial de 2021 (Foto: Haas)

Ainda que esteja refém de Mazepin pelo patrocínio da Uralkalli, produtora de fertilizantes de Dmitry, por outro lado a equipe possui o promissor Mick Schumacher, que atrai grande publicidade ao time por conta do icônico sobrenome, mas que, como a própria carreira já mostrou, demora a engrenar quando chega a uma nova categoria. Membro da Academia de Pilotos da Ferrari, a qual a Haas é cliente, Mick não chega apenas pelo talento, mas também pela parceria com os italianos e a pela visibilidade e patrocínios que trouxe e trará.

Ainda esmiuçando a dupla de 2021, ambos são jovens. Mazepin tem recém-completados 21 anos, mesma idade de Schumacher. Na reserva, a Haas possui o brasileiro Pietro Fittipaldi, de 24 anos, um pouco mais velho que a dupla titular, mas com quase a mesma experiência na F1, afinal, fez só duas corridas substituindo Romain Grosjean em 2020. Por este prisma, já dá para notar que o planejamento da Haas para o tão sonhado 2022 começa, no mínimo, estranho, visto que ali ninguém parece ter experiência suficiente para desenvolver e aprimorar um carro.

Se o futuro lá não parece tão promissor assim, o presente é pior. A Haas brigará, com certo favoritismo, com a Williams contra a rabeira da F1. Inclusive, a equipe de Grove também foca em 2022 para renascer. O ponto de desequilíbrio, no entanto, deve ser George Russell, tremendo talento que os ingleses possuem na escalação.

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Nikita Mazepin bateu logo nas primeiras curvas da corrida (Foto: Bahrain International Circuit)

A primeira prova da temporada foi um fiasco por si só. Mazepin ganhou o apelido de Mazespin, uma brincadeira em inglês pelas frequentes rodadas. Já Mick, que mal apareceu na transmissão, exceto quando também errou, ficou em 16º na prova barenita.

Após o final de semana que marcou as estreias de Mazepin e Schumacher na categoria, ambos os pilotos comentaram a respeito dos desempenhos, aliás, aspas essas que devem ser até padronizadas para a temporada. Será difícil ver a Haas protagonizando algo diferente de atuações apáticas.

Com o pior desempenho no fim de semana, Mazepin se mostrou extremamente chateado a respeito da péssima largada que teve. “Foi simples, eu cometi um erro”, disse Mazepin. “Estava com os pneus frios, ataquei demais a zebra e rodei. Foi um erro meu. Fico triste pela equipe e sei que preciso fazer um trabalho muito melhor do que esse. Fico muito irritado comigo e muito triste pela equipe”, seguiu. “Sempre tem um lado positivo. Tem o aprendizado. Você aprende muito, mas tem altos e baixos, e hoje é um dos pontos mais baixos de todos. Faz parte”, finalizou.

Mick Schumacher terminou em 16º em sua estreia na Fórmula 1 (Foto: Beto Issa)

Já Schumacher, que, apesar de não ter sido brilhante, derrotou seu companheiro de equipe, afirmou ter aprendido muito com a primeira corrida na Fórmula 1. “Em geral, diria que fiquei 90% feliz e 10% não, por causa do erro que cometi, a rodada, na relargada do safety-car. Felizmente o carro ainda estava bom para guiar e tudo correu bem para que eu conseguisse continuar aprendendo, como foi no fim de semana. Depois disso, andei com os pneus C2 e C3, e isso foi bem legal. Foi uma pena não estar no pelotão para tentar me aproximar dos outros por algumas voltas. Mas felizmente passei por coisas como bandeiras azuis e alcancei Nicholas [Latifi], então deu para sentir como é perseguir um carro perto e usar a asa móvel. No todo, aprendi muito e espero que possa converter isso em algo positivo para a próxima corrida”, comentou o alemão.

Para Steiner e companhia, 2021 será amargo, isso é um fato. Só que o horizonte não mostra um arco-íris, com um pote de ouro no final. A analisar o planejamento, a falta de experiência em desenvolvimento de carros e projetos dos envolvidos na equipe, a Haas não deve acabar tão cedo assim com o pesadelo que vem passando na F1.

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