F1

Com revolução interna, Vettel e carro que cuida muito bem dos pneus, Ferrari consegue vencer antes da hora na F1

A Ferrari promoveu uma revolução nos últimos meses para tentar voltar a vencer na F1, e conseguiu subir ao alto do pódio muito mais cedo do que esperava. O GP da Malásia também revelou a principal virtude da SF15-T: o trato com os pneus

Warm Up / RENAN DO COUTO, de São Paulo

Foram muitas as mudanças que aconteceram em Maranello nos últimos 12 meses com a intenção de levar a Ferrari de volta ao topo. E desde o início dos testes, a confiança na recuperação era grande. O que ninguém esperava era que a vitória chegasse tão cedo.

Neste domingo (29), na segunda corrida da temporada 2015, Sebastian Vettel venceu o GP da Malásia. O melhor de tudo para os tifosi: ganhou na pista. Não foi preciso contar com a sorte, com um toque dos pilotos da Mercedes ou com a chuva. A prova correu normalmente com pista seca, o tetracampeão imprimiu um ritmo fortíssimo e inclusive fez ultrapassagens sobre Nico Rosberg e Lewis Hamilton.

Impossível questionar uma apresentação destas.

OK, o safety-car provocado por Marcus Ericsson nas voltas iniciais ajudou, como admitiu James Allison, mas a Ferrari andou muito mais que a Mercedes em Sepang.

"Tínhamos um pouco mais de ritmo, mas era muito próximo. O safety-car tornou mais fácil. Mas os pneus estavam muito bons no nosso carro hoje, e o carro tinha um bom ritmo", avaliou o britânico. 
Toda champanhe é pouca para Vettel hoje (Foto: Getty Images)
Allison foi um dos pilares da revolução que aconteceu em Maranello. Foi contratado em 2013 junto à Lotus e chegou para assumir a direção-técnica da Ferrari. No carro do ano passado, deu alguns palpites, mas não teve a chance de realmente trabalhar do jeito que gostaria. Desta forma, foi reorganizando o departamento técnico e fazendo o possível para isolá-lo de toda a política.

Sim, a politicagem foi grande. Stefano Domenicali pediu demissão e foi substituído por Marco Mattiacci, homem de confiança Luca di Montezemolo. Mas o presidente não chegou ao fim do ano, passando o cargo para Sergio Marchionne. E este decidiu trazer da Philip Morris um novo diretor-esportivo, Maurizio Arrivabene. Neste meio tempo, Vettel foi contratado para o lugar de Fernando Alonso e engenheiros importantes saíram, como Luca Marmorini, Pat Fry e Nikolas Tombazis.

Seus lugares foram ocupados por Mattia Binotto (motores) e Simone Resta (designer-chefe). Jock Clear foi contratado junto à Mercedes e começará a trabalhar no meio do ano. Quanto aos motores, está visível desde o início dos testes o salto de qualidade.
Sebastian Vettel brinca com a taça da vitória em Sepang (Foto: AP)
E ficou claro, neste domingo, que o chassi tem a cara de Allison. Na Lotus, o inglês fez carros que eram muito generosos com os pneus e vira e mexe superavam adversários mais fortes na base da estratégia e da economia. Foi desta forma que Kimi Räikkönen surpreendeu a todos para vencer o GP da Austrália de 2013.

No calor escaldante de Sepang, onde a largada aconteceu com os termômetros marcando mais de 60ºC de temperatura do asfalto, a Ferrari se destacou. Vettel jamais reclamou do desgaste dos compostos, médios ou macios. Já os pilotos da Mercedes, que partiram para uma estratégia de três paradas, sofriam mesmo assim.

"É um dia adorável. Não vencemos nada no último ano, e todos trabalharam duro demais. É o prêmio ao nosso esforço", reforçou Allison.

Arrivabene, que agora deve começar a aceitar ser chamado pelo sobrenome, também destacou o trabalho feito em Maranello. Ele, aliás, vinha fazendo isso desde a pré-temporada. Neste espírito coletivo, o italiano sequer subiu ao pódio. Normalmente é o chefe de equipe quem vai ao pódio buscar o troféu na primeira vitória do ano. Quem foi acompanhar Vettel foi o gerente-esportivo Diego Loverno.

"A primeira coisa que pensei foi nos caras que trabalharam dia e noite em Maranello. Foi por isso que Diego foi ao pódio, para representar os caras", afirmou.

Arrivabene cantou o hino italiano a plenos pulmões e destacou também o objetivo traçado no início do ano: duas vitórias. "Tinha dito duas vitórias, agora temos uma. Temos um longo caminho pela frente. Vencer tão cedo pode ser uma vantagem e uma desvantagem", adicionou.

O executivo também havia prometido correr descalço pelas colinas de Maranello caso quatro vitórias fossem conquistadas. Talvez essa não seja mais uma possibilidade completamente surreal.