F1

Com veto das montadoras, Grupo de Estratégia rejeita proposta de motor alternativo para F1 em 2017, diz revista

A posição contrária das fornecedoras Mercedes, Ferrari, Renault e Honda foi decisiva e pesou para que o Grupo de Estratégia da F1 rejeitasse a proposta desenvolvida por Bernie Ecclestone e pelo presidente da FIA, Jean Todt, de adotar motores mais baratos para ajudar as equipes menores do grid a partir de 2017. A informação foi publicada pela revista alemã ‘Sport Bild’ e confirmada nesta quarta-feira pela FIA
Warm Up / Redação GP, de Sumaré
 Sebastian Vettel e Daniel Ricciardo se tocaram na primeira curva do GP do México neste domingo (Foto: Red Bull)

Bernie Ecclestone e Jean Todt sofreram uma dura derrota política na última terça-feira (24). Segundo informa a revista alemã ‘Sport Bild’, a proposta desenvolvida pelo chefe supremo da F1 e pelo presidente da FIA (Federação Internacional de Automobilismo), de adoção de um motor alternativo, mais barato e com características semelhantes ao da Indy na F1 a partir de 2017, foi rejeitada durante reunião do Grupo de Estratégia, em Paris. A medida, que representava um alento às equipes com menor poderio financeiro do grid, foi vetada graças, principalmente, às quatro fornecedoras de motor da categoria: Mercedes, Ferrari, Renault e Honda.

A informação publicada pela ‘Sport Bild’ foi confirmada na manhã desta quarta-feira pela própria FIA. Na esteira da reunião do Grupo de Estratégia, as montadoras se comprometeram a desenvolver um plano próprio que trata da redução de custos das unidades de potência, bem como do aumento do ronco dos motores, e apresenta-lo até 15 de janeiro de 2016. Para 2017, ou talvez para 2018, a FIA deve determinar um número mínimo de equipes para quem as fornecedoras serão obrigadas a vender suas unidades de potência.

“As fornecedoras, em conjunto com a FIA, vão apresentar uma proposta até 15 de janeiro de 2016 que vai procurar fornecer soluções para as preocupações acima. A proposta vai incluir estabelecer um número mínimo de equipes que uma montadora deve fornecer, garantindo que todas as equipes terão acesso a uma unidade de potência. As medidas também serão apresentadas para reduzir os custos do fornecimento das unidades de potência híbridas para as equipes-clientes, de modo também a melhorar o seu barulho. Todas as partes concordaram que tal desenvolvimento terá como objetivo a temporada 2017 ou 2018, no mais tardar”, disse o comunicado da FIA.
 
“A primeira reunião entre a FIA e as fornecedoras de unidade de potência sobre este tópico terá lugar nesta semana durante o GP de Abu Dhabi”, complementou.
 
Desta forma, as fornecedoras mostraram todo o seu poder político, na contramão do que Bernie sempre desejou desde que os novos motores híbridos foram adotados pela F1, a partir de 2014. O dirigente máximo do esporte entende que as montadoras, sobretudo Mercedes e Ferrari, têm muito poder de decisão no esporte e que é preciso mudar o quadro. Não à toa, várias vezes Ecclestone se mostrou favorável à ‘ditadura’ na F1 para tomar para si o poder de decisão sobre os rumos da categoria, e contrário à democracia do Grupo de Estratégia, quando a maioria decide pelo futuro da F1.
Ao menos no que tange aos motores, a F1 não deverá ter mudanças significativas para 2017 (Foto: Honda Racing/Divulgação)
A proposta de adoção dos motores alternativos era vista com bons olhos por equipes como Red Bull e Toro Rosso — que ainda não definiram qual será a fornecedora das suas unidades de potência em 2016 — e também a Force India, que conta com os caros motores da Mercedes. Em contrapartida, a Sauber, por meio da chefa Monisha Kaltenborn, se mostrou várias vezes contrária à medida. A equipe suíça tem como sua grande parceira de longa data a Ferrari.
 

A ideia desenvolvida por Ecclestone e Todt significava que a F1 teria no grid dois motores bastante distintos entre si. Ao mesmo tempo em que a cara tecnologia híbrida, em vigor atualmente nas unidades de potência, equipa os carros com os propulsores V6 turbo 1,6 L, o motor alternativo seria V6 biturbo de 2,5 L, oferecido a um custo de aproximadamente € 10 milhões, muito mais baratos que os atuais, vendidos pelas montadoras a um custo aproximado de € 20 milhões (ou mais) por temporada.
 
Três preparadoras se inscreveram no processo seletivo da FIA para a fabricação dos motores alternativos: a britânica AER, a alemã Ilmor e a francesa Mecachrome. Em contrapartida, a tradicionalíssima Cosworth abriu mão do projeto por entender que uma nova participação na F1, depois da saída ao fim de 2013, não seria rentável.
Veto das montadoras, sobretudo Ferrari e Mercedes, foi decisivo para Grupo de Estratégia rejeitar proposta dos motores alternativos (Foto: AP)
Entretanto, os altos custos gastos pelas montadoras durante o complexo desenvolvimento da tecnologia híbrida dos motores para a F1 fazem com que Mercedes, Ferrari, Renault e Honda coloquem na mesa todo o poder político para rejeitar uma proposta mais barata.

Estima-se, por exemplo, que a Mercedes gastou cerca de € 250 milhões no desenvolvimento da tecnologia do novo motor só no primeiro ano, 2014. Assim, faz sentido que as montadoras sejam contrárias a qualquer proposta que possa trazer ao grid motores com custos drasticamente mais baixos e que, em teoria, teriam condições para desequilibrar o jogo de forças da F1.
 

Sobre o motor alternativo na F1 em 2017: não vai rolarhttp://grandepremio.uol.com.br/f1/noticias/com-veto-das-montadoras-grupo-de-estrategia-rejeita-proposta-de-motor-alternativo-para-f1-em-2017-diz-revista

Posted by Grande Prêmio on Quarta, 25 de novembro de 2015
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