Como ‘ceticismo e pessimismo’ tornam Mercedes mais bem-sucedida equipe da F1

Dominante na principal categoria do esporte a motor desde o início da era híbrida, em 2014, a Mercedes tem no seu DNA muito mais do que vitórias e títulos, mas também a filosofia de jamais se acomodar diante de resultados históricos

Os números alcançados pela Mercedes desde o início da era híbrida de motores, em 2014, são uma amostra do poderio alcançado pela equipe de Brackley a partir de então: em 138 GPs disputados foram conquistadas 102 vitórias, 53 dobradinhas e 109 poles, feitos que levaram a nada menos que sete títulos consecutivos do Mundial de Construtores — algo jamais antes realizado por outra equipe da Fórmula 1 — e outros sete títulos do Mundial de Pilotos, sendo seis com Lewis Hamilton e um com Nico Rosberg. A Mercedes se consolidou no topo sendo chefiada por Toto Wolff. O ex-piloto austríaco traz na sua filosofia de trabalho algo que faz a escuderia jamais se acomodar mesmo diante de resultados históricos.

Em entrevista concedida à revista britânica Autosport, o chefe da Mercedes falou sobre como encara o próximo passo depois de anos e anos de sucesso: exatamente da mesma forma, sem acreditar que vai ser possível repetir o êxito da temporada anterior.

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“Todos os anos, atuações semelhantes às que tivemos nos surpreendem porque somos céticos por natureza. Isso nos mantém alerta para as metas que nos propusemos e estamos sempre um pouco atrasados. Nesse aspecto, todos ficamos agradavelmente surpresos quando saímos dos blocos e vemos que estamos numa boa posição”, explicou.

Toto Wolff é o retrato de uma equipe que não se deixa levar pelo sucesso estrondoso na F1 (Foto: Mercedes)

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“Mas esse ceticismo e pessimismo em torno de nosso próprio nível de performance continuam a nos assombrar durante todas as temporadas. Nunca temos certeza de que vamos chegar lá até que realmente esteja feito. E não estamos buscando elogios aqui. É simplesmente a atitude que temos”, disse o dirigente.

Quando questionado sobre o tamanho da diferença de performance na comparação com as concorrentes mais próximas, Ferrari e Red Bull, Wolff pregou respeito e deixou claro que, no fim das contas, a Mercedes é o melhor lugar para se estar.

“Respeitamos nossos concorrentes e temos muito respeito pelas pessoas dessas equipes. Vejo esses caras no paddock e sei que estão dando tudo, da mesma forma que nós estamos dando tudo. Não posso realmente olhar para as outras organizações, e é por isso que é muito difícil para mim identificar onde estão seus pontos fracos e onde temos vantagens”, salientou.

“Só sei que somos um bom lugar para trabalhar, um lugar divertido, mas também somos um lugar que nos pressiona. Somos capazes de encontrar o equilíbrio entre a pressão que faz um cano estourar ou produzir um diamante. E isso é algo que você não coloca numa apresentação de PowerPoint”, disse Wolff.

“É algo que você precisa viver todos os dias. Você precisa capacitar. Você precisa ser um lugar seguro para os funcionários. Você precisa permitir que eles falem, cometam erros e tenham os valores corretos. E isso tudo só pode ser construído com o tempo”, complementou.

Na visão de Wolff, o que conta mais em favor da Mercedes é o fato de saber tirar o melhor proveito dos recursos à disposição e também conseguir desempenhar o melhor trabalho mesmo em meio a condições atípicas e críticas, como as impostas pela humanidade com a pandemia desde março de 2020.

“Quando olho para a Mercedes, a divisão de motores, a divisão de automobilismo da Mercedes, posso ver que o ano passado, na vanguarda absoluta da entrega de desempenho, em meio a um ambiente de limite de custos e a reestruturação necessária por causa do Covid, tudo cobra seu preço”, disse.

“Temos de fazer tudo dentro do nosso arsenal de instrumentos para tentar estar em um bom espaço e manter nossos níveis de energia no topo, definir os objetivos certos e encontrar propósito no que fazemos. Mas anos como 2020 são às vezes muito difíceis e não tão simples como os anteriores”, acrescentou.

Por fim, Wolff lembrou a batalha de motores travada com a Ferrari no segundo semestre da temporada de 2019 e como a luta impulsionou a Mercedes a um nível ainda maior em termos de trabalho e performance.

“A HPP [divisão de motores da Mercedes] foi levada ao limite em 2019, tentando alcançar a unidade de potência de referência, que era a Ferrari. E acho que nos esforçamos tanto que demos um grande passo no inverno e, de certa forma, é até irônico que tenhamos sido pressionados tanto pelos que caíram em 2020”, encerrou o chefe da Mercedes ao falar sobre a impressionante queda de performance da rival no ano passado.

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