F1

Como encontro no McDonald’s deu início a casamento entre Red Bull e Honda na F1

Dois meses antes da ruptura com a McLaren, a Honda teve sua reunião com a Red Bull. O local? Um restaurante da rede McDonald’s nas cercanias de Silverstone, na Inglaterra, revela reportagem da revista japonesa ‘Sports Graphic Number’. Dois anos depois, as duas marcas comemoraram a vitória de Max Verstappen no GP da Áustria

Grande Prêmio / Redação GP, de Sumaré
Em 12 de setembro de 2017, McLaren e Honda anunciavam o divórcio de um casamento muito aguardado, mas que deu errado para os dois lados. Queixas públicas de Fernando Alonso e insatisfação tanto da equipe britânica como da fábrica de Sakura quanto à falta de performance e confiabilidade dos motores foram determinantes para o desfecho da parceria, iniciada em 2015. Mas reportagem assinada pelo jornalista Masahiro Owari, da revista ‘Sports Graphic Number’, revela que a Honda começou as conversas com sua atual parceira, a Red Bull, dois meses antes do fim da união com a McLaren. E tudo teve início em um lugar inusitado.
 
“Yamamoto, conhece o McDonald’s no caminho do circuito de Silverstone?”, perguntou Helmut Marko, consultor da Red Bull, ao diretor-geral da Honda, Masashi Yamamoto. Os dois se reuniram em uma manhã daquele ano de 2017, por volta das 8h, e lá, na rede de fast food, tiveram a primeira conversa que resultou na união entre as duas marcas a partir da temporada 2019 da F1.
 
A Honda, em que pese sua sede no Japão, tem a fábrica de motores da F1 instalada em Milton Keynes, cidade britânica próxima a Silverstone e que também é a cidade onde está localizada a Red Bull. A McLaren fica não muito longe dali, em Woking.
A vencedora união entre Red Bull e Honda nasceu em um McDonald's (Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool)
Segundo a reportagem, a McLaren não abandonou a Honda àquela época, pelo contrário. A equipe britânica tinha o desejo de renovar o contrato por mais três anos, e não dois, como era o previsto. O objetivo da McLaren era amenizar os prejuízos sofridos depois de um 2017 muito ruim, uma temporada considerada perdida por conta da falta de performance dos motores. Assim, a escuderia tinha em mente um ano a mais de contrato como forma de compensação.
 
Além do fornecimento dos motores, a Honda também era responsável por pagar boa parte do salário dos pilotos, sendo Fernando Alonso dono de um salário milionário. No total, a publicação fala que a montadora aportava quase US$ 90 milhões por temporada (cerca de R$ 330 milhões) à McLaren. De modo que a intenção da equipe era fazer com que a Honda seguisse por mais um ano para cobrir as perdas sofridas ao longo de 2017.
 
A Honda se viu sem opções à época porque, ainda naquele ano, a Sauber rompeu a parceria assinada para contar com os motores japoneses antes de a união ter sido iniciada de fato. Com a recusa da equipe chefiada por Frédéric Vasseur e a certeza de um futuro fora da McLaren, Yamamoto buscou na Red Bull um porto seguro. 
 
Em princípio, o acordo com os taurinos começou com a Toro Rosso, no ano passado, que serviu como um laboratório para que a montadora passasse a fornecer motores para a Red Bull a partir deste ano. 
 
À publicação, Yamamoto lembra que a McLaren foi importante para o desenvolvimento dos motores, mas que a equipe de Woking também não correspondeu com a falta de performance do chassi. E lembra que a Honda só ficou na F1 porque teve a chance de assinar com a Red Bull.
 
“A McLaren nos ajudou a aprender muito sobre o esporte e é verdade que o motor que demos a eles não tinha competitividade. De qualquer forma, para vencer na F1, você precisa de performance tanto da unidade de potência como também do chassi”, contou. “Aí ponderamos sobre a capacidade técnica para construir um carro competitivo e a respeito de uma gestão que pudesse reunir talento para construir um carro assim, a Red Bull era nossa única opção para seguir em frente”, revelou Yamamoto.
 
Cerca de dois anos depois daquela reunião no McDonald’s, Red Bull e Honda festejaram a primeira vitória da aliança, com Max Verstappen, no GP da Áustria. Foi também o primeiro triunfo dos japoneses na F1 desde o GP da Hungria de 2006, com Jenson Button.
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