Como Hamilton pegou Verstappen e Red Bull, mas Mercedes perdeu 1-2 em Interlagos

A Mercedes acertou ao lançar mão do quinto motor de combustão interna em Interlagos, e isso deu a Lewis Hamilton a arma necessária para conquistar o GP de São Paulo. Além da performance categórica, o inglês teve nas mãos um carro veloz e consistente

Mesmo dono de mais de 100 vitórias na Fórmula 1, Lewis Hamilton (e o mundo) dificilmente vai se esquecer do triunfo conquistado no GP de São Paulo. E a atuação do inglês foi uma das mais majestosas de sua carreira e foi construída em cima de diversos elementos. O mais importante deles talvez tenha sido realmente as adversidades ao longo do fim de semana. Porém, há também um fator técnico que fez muita diferença e que deve nortear os próximos episódios dessa intensa temporada 2021.

A verdade é que Lewis brilhou quando tudo pareceu cair por terra: depois da desclassificação na sexta-feira, que o jogou para o último posto na corrida sprint, o piloto do carro #44 terminou o sábado em quinto, após passar 14 carros. No dia seguinte, pagou uma nova punição e precisou largar de décimo. Ainda nas passagens iniciais da etapa brasileira da F1, surgiu em segundo, para brigar pela vitória com um excelente Max Verstappen. A disputa particular com o holandês vale um capítulo à parte. Mas o fato é que Lewis passou todos os carros do grid, alguns mais de uma vez, considerando a exibição na sprint, para ganhar e reposicionar as forças na briga pelo título. E tudo isso também só foi possível diante de uma decisão certeira da Mercedes.

A mudança para o quinto motor de combustão interna é uma parte da explicação da performance apresentada no Brasil. A Mercedes sabia que a pista paulistana era um campo fértil para a Red Bull. A altitude de São Paulo seria uma arma interessante para os taurinos, além das próprias características do circuito, muito seletivo. Mas Interlagos também tem duas retas importantes que se transformam em trechos de ultrapassagem, especialmente se você tem como ter um empurrãozinho.

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Lewis Hamilton obteve uma vitória importante, empurrado pelo novo motor da Mercedes. (Foto: AFP)

Esse foi o caso. A escolha dos heptacampeões não foi à toa, havia uma maneira de pegar a Red Bull em Interlagos. Quer dizer, essa força adicional acabou proporcionando também uma enorme velocidade de reta. Tanto é verdade que Hamilton não teve grandes problemas em superar os adversários antes mesmo de pisar no freio para entrar no S do Senna. A reta dos boxes foi um lugar frutífero para o 7 vezes campeão do mundo. Há quem diga que o ganho era de até 25 km/h, ajudado pelo DRS.  

“O motor novo faz uma grande diferença aqui”, disse um menos diplomático Toto Wolff. “Desde o início do ano temos um carro com arrasto limitado. Os nossos adversários têm liberdade para reclamar, estaremos à disposição e podemos dar a eles uma asa traseira para colocarem na sala, ou se preferirem cortá-la em mil pedaços”, completou o austríaco, se referindo aos questionamentos feitos pela Red Bull em torno da asa traseira do carro de Hamilton – alvo, inclusive, de uma reunião entre Adrian Newey e a FIA, ainda na sexta-feira.

Certamente, existe também um elemento aerodinâmico, um acerto, em tudo que a Mercedes fez neste fim de semana. O trato com os pneus e as temperaturas mais amenas, especialmente entre sexta e sábado, contribuíram para o desempenho que agora assusta a Red Bull. Mas os taurinos estão convencidos de que essa performance em linha reta não pode ser creditada apenas ao motor novo.

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Max Verstappen e Lewis Hamilton escaparam da pista em disputa pela ponta em São Paulo (Vídeo: Reprodução)

“A velocidade nas retas é realmente impressionante. Não vamos protestar nesta corrida. É importante entender de onde veio essa velocidade. Um novo motor e níveis de downforce do Mônaco. Quando ele ultrapassou Max, estava 30 km/h mais rápido naquela volta. Então, é algo que precisamos entender”, afirmou Christian Horner, o chefão da equipe dos energéticos.

De todo o jeito, é um elemento que dá grande vantagem à Mercedes e que independe da pista. Ou seja, é um fator que pode desiquilibrar a briga do título.

No entanto, a Mercedes poderia ter feito mais em Interlagos. A esquadra alemã teve a chance de fazer uma dobradinha, apenas se mudasse o momento de suas paradas com os dois pilotos. Só não aconteceu, porque preferiu a cautela. Quer dizer, optou por marcar a adversária o tempo todo, no que diz respeito aos pits-stops.

A performance dos carros pretos era tão consistente, que era possível esticar o segundo stint de Valtteri Bottas, por exemplo. O finlandês voltaria à pista com pneus mais novos e mais forte para tentar pegar Verstappen no fim da corrida. Hamilton, inclusive, chegou a pedir pelos médios, mas o pit-wall negou. Mas o britânico estava certo.

Mesmo na cautela, a Mercedes foi capaz de colocar os dois carros no pódio. Mas não será sempre assim.

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