Como Red Bull enganou e deixou Mercedes de mãos atadas no GP dos EUA de Fórmula 1

Depois de perder a liderança para Lewis Hamilton logo na largada, a Red Bull se lançou em uma estratégia ousada para vencer a Mercedes. E o ponto fundamental foi o perfeito gerenciamento de pneus feito por Max Verstappen. O drible deixou a equipe alemã sem reação

A vitória da Red Bull no GP dos EUA foi construída em cima de dois pontos fundamentais: a estratégia e a performance de Max Verstappen. A equipe austríaca soube entender melhor a corrida e o desgaste de pneus, para laçar a Mercedes no Texas. E curiosamente, tudo começou no momento em que Lewis Hamilton superou o pole Verstappen ainda na largada. De fato, o inglês fez o que tinha de fazer ao longo das 56 voltas no lotado Circuito das Américas, só que a consequência dessa primeira manobra acabou resultando em uma decisão ousada e certeira dos taurinos, que deixou a multicampeã de mãos atadas. E dava para o pit-wall de Brackley responder ou ter optado por algo diferente? Provavelmente não, apesar de todo o esforço do recordista de vitórias da Fórmula 1.

Isso porque o que realmente fez diferença foi o gerenciamento da borracha e o quanto Verstappen compreendeu a degradação, especialmente da borracha mais dura na parte final da prova, mas voltemos ao início. Depois do apagar das luzes, Hamilton assumiu a ponta, com Max acompanhando de perto. Neste momento, foi possível perceber que o ritmo do holandês com os pneus médios era muito melhor que o de Lewis – os compostos amarelos simplesmente não estavam funcionando corretamente no carro preto, e isso cobrou um preço alto mais tarde. A ultrapassagem, no entanto, não aconteceu pela extrema dificuldade de seguir quem vai a frente, sem danificar muito os pneus e nem perder eficiência aerodinâmica. Inclusive, se Max tivesse permanecido à frente, teria vencido de maneira menos tensa.

De toda a forma, foi diante desse cenário que os energéticos tomaram a iniciativa de tentar o undercut para cima do rival. Verstappen foi chamado aos pits no fim da volta 10 – o time decidira antecipar o pit-stop em cinco giros. Lewis assumiu a liderança imediatamente, mas não foi capaz de abrir uma vantagem expressiva. Além disso, havia ainda Sergio Pérez, que não estava distante e poderia ameaçar a tática dos alemães. Mas alguém há de perguntar: e por que não marcaram Max? Tem uma explicação: se Lewis entrasse cedo demais, muito provavelmente voltaria atrás de Daniel Ricciardo e teria de remar um pouco mais do que precisou fazer. Tudo é uma questão de ritmo, afinal.

+Opinião GP: Verstappen golpeia forte Hamilton e dá passo importante rumo ao título
+A Mercedes prova do seu próprio veneno contra a Red Bull
+Resultado e a classificação da Fórmula 1 depois do GP dos Estados Unidos

Lewis Hamilton largou melhor e ultrapassou Max Verstappen logo na primeira curva (Foto: Beto Issa)

O caso é que a Mercedes não podia também deixar Hamilton mais tempo na pista, por causa desses pneus médios e de Pérez. Então, o britânico foi aos boxes no complemento do 13º giro. E retornou 6s atrás de Verstappen. Esse stint foi decisivo para a esquadra da estrela. Hamilton impôs um ritmo muito forte e descontou rapidamente essa diferença, enquanto Max enfrentava problemas de desgaste dos pneus traseiros. Isso aconteceu por conta do desempenho que o holandês colocou em cima da borracha no início desse segundo trecho de prova, na tentativa de neutralizar o adversário.

Acontece que a Red Bull, de novo, lançou a carta da parada antecipada, chamando Verstappen 19 voltas depois do primeiro pit-stop. Desta vez, porém, Max sabia o que fazer: ao invés de tirar tudo da borracha, preferiu poupar nos primeiros giros dos 27 que teria pela frente ainda. Soube lidar melhor com o desgaste e foi inteligente ao controlar e mascarar o ritmo a partir de então. Enquanto isso, a Mercedes, acertadamente, tentava esticar ao máximo o stint de Lewis para devolvê-lo à pista com pneus duros mais novos e pronto para o ataque. Só não contavam com o melhor gerenciamento do líder do campeonato.

O britânico parou oito giros depois de Max. A diferença era de quase 9s, mas o heptacampeão não desistiu virando voltas muito velozes, até que começou a completar na casa de 1min39s, contra 1min40 do oponente. Mas Verstappen tinha ritmo guardado e igualou o adversário. No fim, apenas 1s5 separava os dois. A passagem final acabou ainda rendendo mais para o holandês, que ganhou um vácuo inesperado da Haas de Mick Schumacher. De qualquer jeito, a batalha foi tensa e ambos tinham uma performance muito parelha, e foi isso que pesou para Hamilton.

▶️ Inscreva-se nos dois canais do GRANDE PRÊMIO no YouTube: GP | GP2

Max Verstappen venceu o GP dos EUA no trato com os pneus (Foto: Beto Issa)

Após a corrida, o chefe da Mercedes, Toto Wolff, tentou traduzir as decisões tomadas pelos engenheiros, confirmando a tese de que os heptacampeões fizeram tudo aquilo que estava ao seu alcance. Quer dizer, a estratégia era correta, o problema foi o desempenho inesperado da Red Bull. “Dá para ver as diferentes estratégias”, disse Wolff. “Uma equipe partiu para o undercut por necessidade e uma jogada, como posso dizer, corajosa, porque era muito cedo. E a segunda parada veio dentro dessa vantagem. Particularmente no último turno, Verstappen mostrou o que aprendeu com o segundo stint ao não danificar os pneus muito cedo porque ele ainda tinha de guardar algo para o fim”, completou.

“O nosso carro simplesmente não era rápido o bastante com os pneus médios. E não poderíamos ter antecipado a parada, porque, com base nos dados que tínhamos dos compostos médios, não parecia que poderíamos terminar a corrida naquele momento com um pit cedo demais”, acrescentou o dirigente, se referindo ainda ao primeiro pit-stop e a razão pela qual a equipe alemã não marcou Max.

Sobre a segunda parada, Toto disse que o pit-wall precisou chamar Hamilton porque estava perdendo desempenho. “Essa foi a situação na segunda parada. Não tínhamos mais Pérez, mas simplesmente tínhamos de mudar os pneus pois o rendimento estava caindo.”

Diante disso, a Mercedes deixou Austin amargando mais um revés na temporada e agora precisa trabalhar para entender como perdeu ritmo em tão pouco tempo, em uma pista que costumava dominar. São duas semanas agora até o México, praça que a rival Red Bull vê com um sorriso no rosto.

Acesse as versões em espanhol e português-PT do GRANDE PRÊMIO, além dos parceiros Nosso Palestra e Teleguiado.

GOSTA DO CONTEÚDO DO GRANDE PRÊMIO?

Você que acompanha nosso trabalho sabe que temos uma equipe grande que produz conteúdo diário e pensa em inovações constantemente. Mesmo durante os tempos de pandemia, nossa preocupação era levar a você atrações novas. Foi assim que criamos uma série de programas em vídeo, ao vivo e inéditos, para se juntar a notícias em primeira-mão, reportagens especiais, seções exclusivas, análises e comentários de especialistas.

Nosso jornalismo sempre foi independente. E precisamos do seu apoio para seguirmos em frente e oferecer o que temos de melhor: nossa credibilidade e qualidade. Seja qual o valor, tenha certeza: é muito importante. Nós retribuímos com benefícios e experiências exclusivas.

Assim, faça parte do GP: você pode apoiar sendo assinante ou tornar-se membro da GPTV, nosso canal no YouTube

Saiba como ajudar