Consultor da Red Bull vê trabalho de Albon melhor que resultados, mas mantém pressão

Helmut Marko entende que Alexander Albon teve em 2020 “performances que parecem ser piores do que são na realidade”. Em contrapartida, lembrou que pilotos que não conseguem lidar com a pressão “não servem para a Red Bull de maneira nenhuma”

Em sua primeira temporada completa como piloto da Red Bull, Alexander Albon sente na pele a pressão por resultados. Tendo ao seu lado um companheiro de equipe forte e de potencial imenso como Max Verstappen, o anglo-tailandês leva ampla desvantagem quando é comparado em relação ao holandês nesta primeira parte do campeonato. Em seis corridas disputadas até agora em 2020, Max venceu uma, o GP dos 70 Anos da Fórmula 1, e faturou um total de cinco pódios, sendo o vice-líder do Mundial de Pilotos com 95 pontos, 37 a menos que Lewis Hamilton. O melhor resultado de Albon até agora, contudo, foi o quarto lugar no GP da Estíria. O dono do carro #23 soma até agora 40 tentos e está empatado com Lance Stroll, da Racing Point.

Por um lado, Helmut Marko, consultor da Red Bull, saiu em defesa do jovem de 24 anos e citou as dificuldades da equipe em dar a Alex um carro capaz de brigar entre os primeiros colocados no último GP da Espanha. Em Barcelona, Albon largou em sexto, mas sofreu com um carro bastante desequilibrado e terminou somente em oitavo.

“As performances de Albon parecem ser piores do que são na realidade. Em Barcelona, ficamos bem longe em termos do acerto na nossa tentativa de dar a ele uma traseira mais estável. Não importa o tipo de pneu que ele estava usando, seja duro, médio ou macio, depois de oito voltas tínhamos temperaturas fora da janela [de funcionamento dos pneus]. Então, ele escorregava. Sua classificação foi melhor”, lembrou o dirigente e ex-piloto austríaco em entrevista à revista britânica Autosport.

Helmut Marko entende que Alexander Albon faz bom trabalho mesmo com resultados aquém do esperado (Foto: Getty Images/Red Bull Contant Pool)

“E o que está sendo completamente esquecido é que nas duas corridas de Silverstone ele foi o homem mais rápido no segundo stint, mais rápido até que Verstappen. Ele também provou no Red Bull Ring que, quando tem ritmo, é absolutamente rápido”, explicou.

Marko também elogiou Albon sobre a sua capacidade de entregar um feedback aos engenheiros da Red Bull sobre o comportamento do carro.

“Albon é muito bom com as suas abordagens técnicas. O desempenho dele nas corridas é muito bom e, especialmente nas curvas rápidas, está ao nível de Verstappen. Então, ele perde 0s2 novamente em uma única curva. Mas isso não é um problema para nós. Vamos ver isso até o fim”, disse.

Por outro lado, Marko foi na contramão de uma declaração recente do compatriota Franz Tost, chefe da AlphaTauri, de que os pilotos precisam de dois a três anos para se desenvolver plenamente em uma equipe de ponta como a Red Bull.

“Verstappen também não teve muito tempo. Talvez, a opinião de Franz Tost seja um pouco conservadora demais”, disparou o dirigente, que fez questão de avisar que, apesar das palavras elogiosas a Albon, a pressão é parte da carreira de um piloto bem-sucedido.

“Aqueles que não conseguem lidar com isso provavelmente não teriam conseguido uma carreira no mais alto nível. Mas esses pilotos não servem para a Red Bull de maneira nenhuma”, alertou.

O que Marko deixou claro também é que não há possibilidade de a Red Bull mudar a sua filosofia de contar com pilotos formados no seu próprio programa. “Até agora, seguimos nosso princípio. Por exemplo, não pegamos Fernando Alonso quando foi possível. Em vez disso, sempre promovemos nossos jovens e seguimos nosso próprio caminho. E Sebastian Vettel, Verstappen e Daniel Ricciardo venceram corridas. Portanto, é um caminho de sucesso”, lembrou.

“Com Verstappen, temos um talento verdadeiramente excepcional”, exaltou o austríaco.

“Já escreveram que não temos mais novos jovens, mas temos Yuki Tsunoda, que está indo muito bem no seu primeiro ano na Fórmula 2. Ele teve dois problemas técnicos. Sem eles, ele teria tantos pontos quanto Robert Shwartzman — vice-líder do campeonato. Temos Liam Lawson na Fórmula 3, que abandonou três vezes com problemas técnicos e ainda está em terceiro. Temos gente boa lá que está chegando”, disse. “Por que deveríamos abrir mão da nossa filosofia?”, indagou Marko para concluir.

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