Conta-giro: Pilotos rejeitam desconfiança e acreditam que acidente “estranho” de Alonso pode ter sido causado pelo vento

Os pilotos da F1 acreditam na versão oficial da McLaren e concordam que o vento, que estava forte no domingo, é a mais provável causa para o acidente de Fernando Alonso. Só que ainda não são todos que acreditam na equipe

Não foram todos que se convenceram com as explicações da McLaren a respeito do acidente de Fernando Alonso, mas os pilotos da F1 acreditam que, sim, o vento pode ter sido a causa.

 
Diferentes teorias surgiram nos últimos dias a respeito da batida de Alonso, nenhuma que se aproximava muito da versão oficial divulgada pela McLaren em um comunicado na segunda-feira. A mais assustadora, de que ele recebera uma descarga elétrica dentro do cockpit. Para tentar esfriá-las, a equipe colocou o diretor-executivo Ron Dennis para dar uma entrevista coletiva na tarde de quinta-feira em Barcelona.
 
E Dennis, reafirmando o tom já demonstrado pela McLaren na nota do início da semana, foi bastante contundente nas afirmações que fez a respeito do acidente: o vento levou Alonso a colocar a roda sobre o chamado ‘Astroturf’ na parte externa da pista e perder o controle até atingir o muro de forma lateral no lado interno.
 
Ainda segundo Dennis, tudo aconteceu em um intervalo de dois a três segundos e o piloto chegou a ficar inconsciente depois de se chocar contra a barreira. Antes disso, há todos os indícios de que ele estava consciente: pisou no freio e reduziu marchas.
 
“A única coisa que podemos fazer é analisar os fatos e compartilhar o que sabemos. Não estou protegendo a McLaren, Fernando, nada disso. Podemos categoricamente afirmar que ele não tem nenhuma lesão. Podemos categoricamente dizer que o carro não falhou”, declarou o britânico.

"Quando uma pessoa é eletrocutada, há uma enzima que aumenta e fica em um nível alto no organismo por 48 horas. Não houve nada disso", relatou.

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Ex-médico da FIA, Gary Hartstein, que costuma fazer uso de sua conta no Twitter para comentar notícias que envolvem sua área, contestou na rede social as falas de Dennis a respeito da ausência de lesões no bicampeão mundial. A opinião do norte-americano é que, pela descrição feita pela McLaren, por definição, aconteceu uma concussão.
 
A versão da equipe é que as tomografias e as ressonâncias magnéticas feitas não apontaram anormalidades — ainda que o piloto tenha apresentado sintomas em determinado momento — e que ele só foi mantido no hospital por três noites devido a um cuidado excessivo dos médicos. Também foram os médicos que sugeriram que o espanhol se ausentasse da última bateria dos testes e eles que vão determinar se Alonso estará apto para correr no GP da Austrália, já que o prazo de recuperação “não é quantitativo”. Será preciso passar por um teste da FIA antes da corrida em Melbourne.
 
“Se há perda de consciência e se há uma tomografia normal, então por definição é uma concussão”, escreveu o médico. “Sua declaração é uma amável recapitulação da confusão, ofuscação e das inconsistências do seu time desde que tudo isso começou”, continuou ironicamente.

Hartstein ainda destacou que as estruturas de proteção para impactos laterais foram estudadas e que, portanto, o piloto estava devidamente protegido.

A FIA fará uma análise do acidente e está particularmente interessada na posição do capacete em relação às estruturas de segurança, de acordo com Dennis, que disse ter sugerido pessoalmente à entidade a investigação.
 
Ainda há outras dúvidas que cercam o “estranho” acidente, como a velocidade em que Alonso perdeu o controle do carro e atingiu o muro, não reveladas pela McLaren. Mas, para os pilotos, a explicação de que o vento foi determinante faz sentido.
 
“Estranho” foi uma palavra bastante usada, diga-se. Sebastian Vettel, que acabara de abrir passagem para o espanhol e viu por trás a batida, descreveu assim o ocorrido. Vários outros pilotos falaram da mesma maneira depois e até Dennis concordou que foi estranho.
 
Companheiro do asturiano por quatro anos na Ferrari, Massa diz ao GRANDE PRÊMIO que não há motivos para duvidar da versão da McLaren e ressalta que a FIA está aí para averiguar tudo.
 
“A gente acaba ouvindo muitas coisas de jornalista perguntando ‘ah, mas você acha que foi estranho? Que não foi?’, e claro que foi estranho. Mas você tem que acreditar no que as pessoas estão falando. Se não falaram ou não disseram, a gente tem uma federação por trás que está ali para estudar e ver o que aconteceu”, ressalta o piloto. “Se ele vai estar aqui amanhã ou se vai estar na primeira corrida, é menos importante comparando com a saúde dele, que vem em primeiro lugar.”
 
Lewis Hamilton é outro que vê com bons olhos o fato de a FIA investigar o caso: “Acho ótimo. Eles estão sempre dispostos a tentar aprender para melhorar as coisas, pois obviamente segurança é a prioridade número um, antes de qualquer outra coisa”.
Massa acredita que a McLaren não está fazendo nada por baixo do pano (Foto: Xavi Bonilla/Grande Prêmio)
Massa não andou no domingo, mas estava no Circuito da Catalunha e salienta que realmente ventava muito aquele dia. “O vento atrapalha, sem dúvida. Eu não estava andando, mas estava sentindo um vento muito forte. O jeito que ele saiu foi estranho. Claro que foi, e o jeito como ele bateu, foi estranho, sim. Mas eu acredito 100% no que eles falam. Um piloto com a experiência que ele tem, com o nome que ele tem, a equipe que ele tem, uma equipe grande, profissional, não tem motivo nenhum para contar mentira. É uma coisa que pode acontecer. Todos nós temos o risco de acontecer este acidente.”
 
E houve mais um acidente do tipo no mesmo dia, na mesma curva: o de Carlos Sainz. Compatriota de Fernando, o jovem de 20 anos da Toro Rosso perdeu o controle do carro e foi bater no muro do lado externo do traçado com relativa força, saindo do carro ileso.
 
“Estava muito complicado com o vento”, descreve. “Em uma volta, tem uma rajada de 30 km/h e, na outra, de 80 km/h. Em um carro de F1, isso te faz cometer erros. Fernando e eu não fomos os únicos. Nico cometeu erros, todos cometemos erros neste dia. Creio que Fernando teve muita sorte no impacto que teve. Queria enviar meu desejo de melhora e de que ele esteja pronto para competir em breve.” Nico Rosberg rodou na curva 5 no início da manhã.
 
Para Daniil Kvyat, da Red Bull, “é possível perder o carro por causa do vento”. O russo admite que também levou um susto na curva 3: “Eu tive alguns momentos, outros pilotos bateram lá”.
 
“Eu não sei o que aconteceu. Sei que estava ventando muito naquele dia, o que tornou a curva 3 um pouco traiçoeira”, acrescenta o francês Romain Grosjean.
 
O piloto da Lotus ressalta que o acidente serve como uma oportunidade para se aprimorar a segurança. “Eu acho que, primeiro, podemos ficar felizes por ele estar OK e ter deixado o hospital. A segunda coisa é que podemos aprender como deixar o piloto um pouco mais seguro no caso de um impacto lateral”, fala.
 
Alonso foi para casa depois de deixar o Hospital General de Catalunya e está sendo substituído por Kevin Magnussen na última bateria de treinos coletivos da pré-temporada, em Barcelona, nesta semana. O GP da Austrália será no dia 15 de março.
 
ESCONDENDO O JOGO?

A Williams foi só a quinta equipe em quilometragem total nos dois primeiros testes da pré-temporada da F1 em 2015, mesmo que seu carro não tenha apresentado nenhum grande problema durante as atividades. Engenheiro-chefe da equipe inglesa, Rod Nelson explicou o porquê de o programa de treinamentos ser mais ‘econômico’ que o da concorrência"Não acho que estamos escondendo o jogo", disse o inglês

 

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