F1

Conta-giro: Show de Senna na chuva em Mônaco faz 30 anos, e Prost lamenta vitória: “Ficaria muito feliz se ele tivesse vencido”

Disputado em 3 de junho debaixo de forte chuva, o GP de Mônaco de 1984 é uma das corridas mais exaltadas da carreira de Ayrton Senna apesar do tricampeão ter chegado somente em segundo com o carro da Toleman. Se soubesse o que aquele resultado representaria no final do ano, Alain Prost bem que gostaria que o desfecho da prova fosse diferente…

Warm Up / RENAN DO COUTO, de São Paulo
De 13º no grid a segundo na bandeirada em Mônaco debaixo de chuva com um carro da modesta Toleman — quem nunca ouviu essa história? Completa 30 anos nesta terça-feira (3) uma das mais exaltadas apresentações da carreira de Ayrton Senna, o GP de Mônaco de 1984.

O show que o tricampeão, então somente um novato, deu nas ruas de Monte Carlo na primeira vez em que correu no circuito ficou marcado na história do Mundial, e o desfecho daquela corrida resulta em uma declaração um tanto inusitada: um vencedor que preferia ter sido segundo.

Andar nas acanhadas ruas do Principado já é tarefa difícil com pista seca. No molhado, o grau de dificuldade aumenta significativamente. Ninguém andava mais rápido que Senna naquele domingo: um a um, os adversários iam ficando para trás. Ou eram ultrapassados, ou tinham acertado o guard-rail, e o único que não foi superado pelo brasileiro hoje olha para trás e deseja que tivesse sido.

“Eu me lembro muito bem daquela corrida porque todo mundo me lembra dela!”, diz Alain Prost ao ser perguntado pelo GRANDE PRÊMIO na mesma Monte Carlo, 30 anos mais tarde. “O engraçado é que muita gente pensa que Ayrton já tinha me ultrapassado, mas não, ele ainda estava em segundo e 4s atrás de mim!”
Ayrton Senna celebra segundo lugar no GP de Mônaco de 1984 (Foto: Getty Images)
É verdade. Na largada, atrasada em 45 minutos por causa das condições climáticas, Prost era quem estava na pole-position. Ele manteve a ponta até a 11ª volta, quando foi ultrapassado pela Lotus-Renault de Nigel Mansell. Cinco voltas depois, o Leão perdeu o controle do carro, bateu e abandonou.

A essa altura da prova, Senna já ocupava a terceira posição e perseguia a McLaren do austríaco Niki Lauda. Consumou a ultrapassagem na volta 19, por fora na curva Saint Dévote, a primeira do traçado.

Partiu, então, atrás de Prost. A diferença diminuía volta a volta. Enquanto isso, as condições da pista pioravam, bem como aumentava o número de carros que estavam encostados no guard-rail fora da disputa.

A emoção durou até a 31ª volta. O diretor de prova, Jacky Ickx, decidiu interromper a prova e decretá-la como encerrada. A diferença entre Prost e Senna naquele momento era de 7s446. Stefan Bellof, com performance igualmente impressionante, terminou em terceiro após largar em 20º. Até hoje há quem reclame que o belga foi político e quis garantir a vitória de um francês no Principado. “Todo mundo tem uma opinião diferente se a corrida deveria ser interrompida ou não”, minimiza Prost.

“Foi uma corrida muito difícil”, recorda. “Aquele era o primeiro ano com freios de carbono no carro. Quando estava seco, era OK para colocar temperatura neles. Na chuva, era muito difícil. Ayrton ainda tinha freios de aço, então estava muito mais rápido”, afirma o piloto.

Entretanto, a interrupção daquele GP custou caro para o gaulês, mas ele só foi descobrir isso alguns meses depois. Como 50% da prova não haviam sido percorridos, só metade dos pontos foi entregue. Logo, a vitória rendeu somente 4,5 pontos a Prost. Senna, segundo, levou três para casa.

Ao término das 16 corridas de 1984, Lauda tinha apenas 0,5 ponto a mais que Prost na classificação do Mundial de Pilotos — a menor margem da história de uma briga por título. E assim o veterano assegurou sua terceira taça, sete anos após conquistar o bi. Se algumas voltas a mais fossem completadas em Mônaco, os seis pontos da segunda colocação mudariam o destino do campeonato.

“Ayrton era mais rápido que eu, com certeza me alcançaria em Mônaco. Mas hoje eu ficaria muito feliz se ele tivesse vencido e eu sido segundo, pois seria campeão mais uma vez!”, diz o tetracampeão.

Mas oportunidades não faltariam para que, no futuro, Prost fosse campeão e Senna vencesse em Mônaco. O francês levou a McLaren ao título nos dois campeonatos seguintes, faturou o tri em 1989 e foi tetra com a Williams em 1994. O brasileiro ganhou em Monte Carlo em 1987 com a Lotus e depois, com a McLaren, todas as disputas realizadas entre 1989 e 1993, tornando-se assim o recordista de triunfos na pista.

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